Recurso Português TJ RJ Técnico

Fala, pessoal!

 

Vamos de recurso Português TJ RJ Técnico!

Entendo que há duas questões passíveis de recurso: 11 e 15.

Estou tomando por base a prova tipo 1, branca, cujo link é o seguinte:

 

https://conhecimento.fgv.br/sites/default/files/concursos/tecnico-de-atividade-judiciaria-sem-especialidade-nm-t01-se-tipo-1.pdf

 

Recurso contra o gabarito – Questão 11 – FGV / TJ-RJ (2026)

(FGV / TJ RJ Técnico de Atividade Judiciária 2026)

Todas as frases abaixo trazem preposições em sua construção.

A única frase em que a preposição sublinhada foi usada corretamente é:

(A)       Todos os políticos nos encontramos contra o raio de ação de campanhas populares.

(B)       Os assaltantes não só levaram todas as joias da vitrine como atiraram sobre o gerente da loja.

(C)       As partidas que mais atraíam o público torcedor eram aquelas em que se enfrentavam Vasco e Flamengo.

(D)       No início a ideia principal era de incrementar a participação de todos nas decisões escolares.

(E)       Nos países do Terceiro Mundo – na África de forma especial –, o número de afetados de Aids aumenta dia a dia.

Gabarito preliminar: C

 

O gabarito preliminar indica como correta apenas a alternativa (C). Entretanto, uma análise gramatical criteriosa demonstra que a alternativa (E) também apresenta uso correto da preposição sublinhada, o que configura duplicidade de respostas corretas e autoriza a anulação da questão.

Na alternativa (C) – “As partidas que mais atraíam o público torcedor eram aquelas em que se enfrentavam Vasco e Flamengo.” –, o emprego da preposição em é plenamente adequado, pois “em que” funciona como adjunto adverbial: Vasco e Flamengo se enfrentavam naquela partida.

Todavia, a alternativa (E) – “Nos países do Terceiro Mundo – na África de forma especial –, o número de afetados de Aids aumenta dia a dia.” – também está correta, pois o adjetivo afetado admite regência com a preposição “de”, quando indica aquilo que atinge, compromete ou incide sobre alguém ou algo.

Gramáticas normativas e dicionários de regência reconhecem esse uso. O adjetivo afetado, no sentido de “atingido”, “acometido”, “alcançado por”, pode reger tanto a preposição por quanto a preposição de, a depender da construção semântica. Expressões como afetado de doença, afetados de epidemias e afetados de males crônicos são recorrentes na língua escrita formal e encontram respaldo na tradição gramatical.

Nesse contexto, a construção “afetados de Aids” é sintaticamente legítima e semanticamente clara, não configurando desvio de regência nem impropriedade vocabular. Assim, a preposição sublinhada em (E) foi empregada corretamente, atendendo integralmente ao comando da questão.

Dessa forma, constata-se que há pelo menos duas alternativas corretas (C e E), o que viola o princípio da univocidade exigido em questões objetivas de múltipla escolha.

Diante do exposto, requer-se a anulação da questão, por apresentar mais de uma resposta válida à luz da norma culta da Língua Portuguesa.

 


Recurso contra o gabarito – Questão 15 – FGV / TJ-RJ (2026)

(FGV / TJ RJ Técnico de Atividade Judiciária 2026)

O tema de um texto não está necessariamente relacionado com a sua finalidade. Observe com atenção o fragmento textual abaixo, cujo tema é astrologia.

“A mulher-libra deverá apelar para suas consideráveis reservas de simpatia para tolerar os acessos de melancolia e os longos silêncios do homem-escorpião. Ele não a abandonou: se limita a afastar-se da costa um pouco mais que de costume, nadando por águas mais profundas de meditação sobre os mistérios da vida e não necessita de ninguém que nade junto a ele. Prefere empreender sozinho essas incursões noturnas. Às perguntas ‘Em que você está pensando?’, ‘Por que está tão calado?’, ele as responderá com um olhar frio e mais silêncio. Mesmo os escorpiões mais falantes terão momentos de introspecção.”

O texto acima tem a finalidade de:

(A) valorizar a astrologia no contato social;

(B) ironizar os dados astrológicos nas relações amorosas;

(C) informar aos de libra e aos de escorpião sobre o contato;

(D) demonstrar a infalibilidade da astrologia;

(E) mostrar as diferenças entre os signos.

Gabarito preliminar: C

 

O gabarito preliminar aponta como correta a alternativa (C): “informar aos de libra e aos de escorpião sobre o contato”.

Entretanto, a escolha dessa alternativa merece contestação, pois se baseia em um termo excessivamente genérico e semanticamente indeterminado, que não encontra delimitação clara no fragmento textual apresentado.

A palavra “contato”, tal como empregada na alternativa (C), possui sentido amplo e vago, podendo referir-se a contato social, físico, afetivo, comunicativo, ocasional ou contínuo. O texto, contudo, não tematiza o “contato” em si, nem o toma como eixo central de desenvolvimento. O fragmento concentra-se, de modo mais específico, na diferença de comportamentos emocionais e psicológicos atribuídos aos signos de Libra e Escorpião, especialmente no que se refere à introspecção, ao silêncio e à forma de lidar com relações interpessoais.

Em nenhum momento o texto se propõe a informar “sobre o contato”, entendido como objeto temático autônomo. Ao contrário, o que se observa é uma caracterização contrastiva dos signos, explorando suas atitudes, reações e modos de se relacionar. Assim, o termo “contato”, por não ser textual nem conceitualmente desenvolvido, abre margem a múltiplas interpretações, o que compromete a precisão exigida em uma questão objetiva.

Além disso, o próprio comando da questão solicita a identificação da finalidade do texto, e não de um conteúdo acessório ou indiretamente inferido. Uma finalidade adequada deve ser formulada com clareza, especificidade e aderência ao texto-base, o que não ocorre na alternativa (C), justamente por empregar um substantivo abstrato e indefinido, ausente do recorte temático efetivamente explorado.

Dessa forma, a alternativa indicada como correta apresenta fragilidade semântica, induzindo o candidato à dúvida quanto ao tipo de “contato” a que se refere, o que é incompatível com os critérios de objetividade e precisão próprios das provas da banca.

Diante do exposto, solicita-se a anulação da questão, uma vez que a alternativa (C) se apoia em termo impreciso, não textualizado nem claramente tematizado no fragmento apresentado, comprometendo sua correção.

 

Português FGV em provas comentadas

Vamos entender a forma como a banca FGV cobra Português em provas comentadas?

Então, basta clicar abaixo e baixar o material de apoio:

Prova 1: CBM AM 2022 Soldado

Prova 2: SSPAM 2022 Assistente Administrativo

Abaixo está o vídeo em que comento cada prova:

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Intertextualidade. Citações e transcrições.

Vamos falar, neste post, de Intertextualidade, citações e transcrições.

Baixe o material de apoio aqui!

 

Intertextualidade Português FGV
Intertextualidade Português FGV

Intertextualidade

Intertextualidade é o diálogo entre um texto e outro. É o cuidado que se tem num texto de absorver os conhecimentos, conceitos, observações elencados em outros textos renomados, conhecidos.

Normalmente isso é feito para levantar mais crédito ao argumento defendido pelo autor.

Pode se apresentar como paráfrase (reescrita de trecho de mesmo sentido que o original), paródia, citação direta ou indireta.

Citação

Citação indica o ato ou efeito de citar ou fazer referência a alguma coisa. Uma citação expressa uma ideia ou opinião de um texto de um autor em concreto, sendo que o autor deve sempre ser identificado. A citação pode ser direta ou indireta.

 

Transcrição

Transcrição significa copiar literalmente um texto ou trecho de um meio para outro, por exemplo, a transcrição de um áudio para um texto escrito.

 

Veja o exemplo de uma questão da FGV que cobra o assunto Intertextualidade, citação e transcrição:

(FGV / Prefeitura de Salvador – BA Professor 2019)

“O fundamento jurídico para a proteção dos animais, no Brasil, está no artigo 255 da Constituição Federal, que incumbe o Poder Público de ‘proteger a fauna, vedadas, na forma da lei, as práticas que coloquem em risco sua função ecológica, provoquem a extinção das espécies ou submetam os animais à crueldade’”.

O autor desse fragmento, ao citar outro texto, exemplifica uma marca característica da textualidade.

Assinale a opção que a indica.

A) Coesão.

B) Informatividade.

C) Intertextualidade.

D) Coerência.

E) Conhecimento de mundo.

Comentário: O texto que cita outro naturalmente emprega o recurso da intertextualidade. Assim, a alternativa correta é a (C).

Gabarito: C

 

Assista à aula completa de Intertextualidade, citações e transcrições, assunto muito importante de Português para a banca FGV:

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Questões gratuitas comentadas Português FGV

Quero saber se você quer ter acesso a questões gratuitas comentadas de Português da banca FGV.

Então, venha treinar comigo com as questões da banca FGV para dominar de vez essa banca tão temida nos concursos públicos!

Clique a seguir e baixe material com questões gratuitas comentadas de Português da banca FGV.

Sabemos que a banca FGV tem organizado os concursos mais diversos nos anos de 2020, 2021 e 2022.

Ela vem ganhando a concorrência e tem aumentado bastante o número de concursos organizados por ela.

E nós sabemos que as questões de Português da banca FGV têm entrado em outro nível de cobrança.

Elas apresentam algumas surpresas na prova (quando o aluno não treina efetivamente e com antecipação).

É por isso que eu montei o arquivo abaixo para você treinar questões de Português da FGV separadas por temas.

Questões Português FGV

E-book Português FGV

 

Deixo abaixo também alguns vídeos interessantes de orientação de estudo focada no Português da banca FGV e tenho certeza de que eles vão ajudar você!

Domine as questões de Português no concurso do MP SP

Neste vídeo eu oriento o aluno a estudar, realizando as questões de Português da FGV por prioridades de cobrança da banca.

Domine as questões de Português no concurso do Senado Federal

Neste vídeo eu mostro as peculiaridades de cobrança das questões de Português da FGV:

Domine as questões de Português no concurso da Receita Federal

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Como estudar Português para a Receita Federal banca FGV

No artigo de hoje eu mostro para você como estudar Português para a Receita Federal banca FGV.

A prova da Receita Federal está chegando e eu sei que você tem muitas matérias para estudar e, por ser FGV, o nível de cobrança de Português é elevadíssimo.

Por isso, seu estudo deve ser pontual e efetivo, sem perda de tempo.

Inicialmente vou apresentar a você três cursos, os quais trabalham voltados para perfis e momentos diferentes dos alunos que estudam para a Receita Federal.

Provas Comentadas da FGV

Provas comentadas Português FGV

O curso de provas comentadas da FGV apresenta mais de 40 provas com raio-x após cada prova, isto é, o aluno tem, além do comentário, alternativa por alternativa, a identificação de cada assunto por questão.

Esse curso é voltado para o aluno que já tem ampla experiência em concurso e quer apenas entender melhor a banca e melhorar o rendimento de prova.

Definitivamente, não é um curso voltado para aluno iniciante ou ainda inexperiente em concurso.

Resumo + Questões comentadas FGV

Questões Português FGV

O curso de Resumo + Questões comentadas FGV apresenta mais de 1.000 questões de Português da FGV comentadas pelo professor Décio Terror, distribuídas nos diversos temas, conforme o conteúdo programático da banca.

Nos temas de gramaticalidade, há resumo. Nos temas de textualidade, a teoria é bem  pequena e não há necessidade de resumo, por isso essa pequena teoria fica disponível para o aluno.

O curso é voltado para quem tem certa expriência em concurso e quer se testar nas questões da banca FGV.

Curso de Português Receita Federal

Português Receita Federal FGV

O curso de Português para a Receita Federal apresenta toda a teoria cobrada pela banca FGV, mais de 1.000 questões comentadas e mais de 40 provas comentadas da banca FGV, totalmente focado no concurso da Receita Federal.

Entenda como estudar Português para a Receita Federal, pois a banca é a FGV e sabemos que todo cuidado é pouco!

Qualquer dúvida nesse processo de estudo, você pode comentar neste artigo e eu auxilio você.

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Reescrita, paráfrase e paralelismo

Vamos falar hoje da reescrita, paráfrase e paralelismo!

 

Reescrita de frases

A reescrita sem alteração de sentido tem o nome de paráfrase. Questões de interpretação com frequência se baseiam nesse conhecimento, nessa técnica.

Neste tema, temos várias frases em que a banca pede para verificar se há respeito à norma culta, e, às vezes, pede qual das alternativas possui atendimento à clareza, à coesão e à coerência. Na realidade, a banca é bem objetiva. Ela quer nos testar quanto ao conhecimento gramatical como um todo.

Uma leitura atenta das alternativas nos ajuda muito.

Vários recursos podem ser utilizados para parafrasear um texto.

1) Emprego de sinônimos

            Embora voltasse cedo, deixava os pais preocupados.

            Conquanto retornasse cedo, deixava os genitores preocupados.

2) Emprego de antônimos, com apoio de uma palavra negativa

Ele era fraco.              Ele não era forte.

3) Utilização de termos anafóricos, isto é, que remetem a outros já citados no texto

Paulo e Antônio já saíram. Paulo foi ao colégio; Antônio, ao cinema.

                        Paulo e Antônio já saíram. Aquele foi ao colégio; este, ao cinema.

aquele = Paulo;          este = Antônio

4) Troca de termo verbal por nominal, e vice-versa.

É necessário que todos colaborem.

                        É necessária a colaboração de todos.

                        Quero o respeito do grupo.

                        Quero que o grupo me respeite.

5) Omissão de termos facilmente subentendidos (elipse)

Nós desejávamos uma missão mais delicada, mais importante.

                        Desejávamos missão mais delicada e importante.

6) Mudança de ordem dos termos no período

Lendo o jornal, cheguei à conclusão de que tudo aquilo seria esquecido após três ou quatro meses de investigação.

            Cheguei à conclusão, lendo o jornal, de que tudo aquilo, após três ou quatro meses de pesquisa, seria esquecido.

7) Mudança de voz verbal

A mulher plantou uma roseira em seu jardim. (voz ativa)

            Uma roseira foi plantada pela mulher em seu jardim. (voz passiva analítica)

Obs.: Se o sujeito for indeterminado (verbo na 3ª pessoa do plural sem o sujeito expresso na frase), haverá duas mudanças possíveis.

Plantaram uma roseira. (voz ativa)

            Uma roseira foi plantada. (voz passiva analítica)

            Plantou-se uma roseira. (voz passiva sintética)

8) Troca de discurso

(discurso direto)

Naquela tarde, Pedro dirigiu-se ao pai dizendo:

            – Cortarei a grama sozinho.                                                 

 

(discurso indireto)

Naquela tarde, Pedro dirigiu-se ao pai dizendo que

cortaria a grama sozinho.

9) Troca de palavras por expressões perifrásticas e vice-versa

Castro Alves visitou Paris naquele ano.

            O poeta dos escravos visitou a cidade luz naquele ano.

Obs.: Perífrase é uma figura de linguagem que emprega várias palavras no lugar de poucas ou de uma só.

“Se lá no assento etéreo onde subiste…” (Camões) (assento etéreo = céu)

            Morei na Veneza brasileira.   (Veneza brasileira = Recife)

            Não provoque o rei dos animais.       (rei dos animais = leão)

10) Troca de locuções por palavras e vice-versa:

O homem da cidade não conhece a linguagem do céu.

            O homem urbano não conhece a linguagem celeste.

Da cidade e do céu são locuções adjetivas e correspondem aos adjetivos urbano e celeste.

Na reescrita de um trecho do texto ou do parágrafo, vários desses recursos podem ser utilizados concomitantemente, além de outros que não foram aqui referidos, mas que a prática nos apresenta. O importante é ler com extrema atenção o trecho e suas possíveis paráfrases. Se perceber mudança de sentido, a reescritura não pode ser considerada uma paráfrase.

Vamos então fazer uma atividade. Leia com atenção o trecho abaixo e anote a alternativa em que não ocorre uma paráfrase.

O homem caminha pela vida muitas vezes desnorteado, por não reconhecer no seu íntimo a importância de todos os instantes, de todas as coisas, simples ou grandiosas.

  1. Frequentemente sem rumo, segue o homem pela vida, por não reconhecer no seu íntimo o valor de todos os instantes, de todas as coisas, sejam simples ou grandiosas.
  2. Não reconhecendo em seu âmago a importância de todos os momentos, de todas as coisas, simples ou grandiosas, o homem caminha pela vida muitas vezes desnorteado.
  3. Como não reconhece no seu íntimo o valor de todos os momentos, de todas as coisas, sejam elas simples ou não, o homem vai pela vida frequentemente desnorteado.
  4. O ser humano segue, com frequência, vida afora, sem rumo, porquanto não reconhece, em seu interior, a importância de todos os instantes, de todas as coisas, simples ou grandiosas.
  5. O homem caminha pela vida sempre desnorteado, por não reconhecer, em seu mundo íntimo, o valor de cada momento, de cada coisa, seja ela simples ou grandiosa.

O trecho foi reescrito cinco vezes. Utilizaram-se vários recursos. Em quatro opções, o sentido é rigorosamente o mesmo. Tal fato não se dá, porém, na letra (E), que é o gabarito. O texto original diz que “o homem caminha pela vida muitas vezes desnorteado…”, contudo a reescrita nos diz “sempre desnorteado”. Ora, muitas vezes é uma coisa, sempre é outra, bem diferente.

 

Observações

a) Tenha cuidado com a mudança de posição dos termos dentro da frase. Palavras ou expressões podem alterar profundamente o sentido de um texto.

Encontrei determinadas pessoas naquela cidade.

            Encontrei pessoas determinadas naquela cidade.

Na primeira frase, determinadas é um pronome indefinido, equivalente a “certas”, “umas”, “algumas”; na segunda, é um adjetivo e significa “decididas”.

b) Cuidado também com a pontuação, que costuma passar despercebida.

A criança agitada corria pelo quintal.

            A criança, agitada, corria pelo quintal.

Na primeira frase, o adjetivo agitada é um adjunto adnominal e indica uma característica restritiva do núcleo “criança”. Assim, determina algo inerente a ela, isto é, trata-se de uma pessoa sempre agitada.

Na segunda, as vírgulas indicam que o adjetivo “agitada” tem valor transitório. É o chamado predicativo do sujeito deslocado e dentro de um predicado verbo-nominal.

A construção normal seria:

A criança corria agitada pelo quintal.

Assim, fica mais fácil perceber que a criança está agitada naquele momento, sem que necessariamente ela o seja no seu dia a dia (característica transitória).

As questões de reescritura (paráfrase) já vêm sendo trabalhadas nas nossas aulas desde o início do curso, principalmente nas aulas de sintaxe.

Como muitas vezes a paráfrase se baseia nos conectivos entre orações, vamos elencar abaixo um resumo das principais conjunções e seus valores semânticos, para que você possa consultar quando tiver dúvida e assim ficar ainda mais tranquilo para a prova.

Principais conjunções e seus valores semânticos (coordenadas)

1) Aditivas:             e, nem, tampouco, não só…mas também, não só…como também, senão também, tanto…como.

Ele não só ajuda financeiramente, mas também aconselha os amigos.

2) Adversativas:          mas, porém, contudo, todavia, entretanto, no entanto.

Ele teve aumento salarial, porém não quis continuar na empresa.

3) Alternativas:           ou, ou…ou, ora…ora, já…já, quer…quer.

Faça sua parte, ou procure outro trabalho.

4) Conclusivas:         logo, portanto, por conseguinte, pois (colocada depois do verbo), por isso, então, assim, em vista disso.

Realizamos muitos exercícios, por conseguinte a prova foi fácil.

5) Explicativas:            porque, pois(anteposto ao verbo), porquanto, que.

Joana está mesmo cansada, porque pediu desconto em férias.

Principais conjunções e seus valores semânticos (subordinadas)

1) Causais: com as conjunções: porque, pois, que, como (quando a oração adverbial estiver antecipada), já que, visto que, desde que, uma vez que, porquanto, na medida em que, que, etc:

Como fazia frio, fechou as janelas.

2) Consecutivas: I – conjunção que precedida de tal, tão, tanto, tamanho.

II – locuções conjuntivas de maneira que, de jeito que, de ordem que, de sorte que, de modo que, etc:

Tal foi o problema na empresa que todos foram demitidos.

Houve um problema na empresa de modo que todos foram demitidos.

3) Condicionais: Além das conjunções condicionais se e caso, há também as locuções conjuntivas contanto que, desde que, salvo se, sem que (=se não), a não ser que, a menos que, dado que.

Caminharei com você desde que não chova.

4) Concessivas: As conjunções são: embora, conquanto, que, ainda que, mesmo que, ainda quando, mesmo quando, posto que, por mais que, por muito que, por menos que, se bem que, em que (pese), nem que, dado que, sem que (=embora não).

Gostava de Matemática, embora tivesse dificuldades com cálculos.

5) Comparativas: representam o segundo termo de uma comparação e se expressam de três formas, com as conjunções como, (tal) qual, tal e qual, assim como, (tal) como, (tão ou tanto) como, (mais) que ou do que, (menos) que ou do que, tanto quanto, que nem, feito (=como, do mesmo modo que), o mesmo que (=como):

A preguiça gasta a vida como a ferrugem consome o ferro.

6) Conformativas: Suas conjunções são: como, conforme, segundo, consoante.

Como disse o prefeito, o IPTU vai subir 5% este ano.

7) Proporcionais: Suas locuções conjuntivas são: à proporção que, à medida que, ao passo que, quanto mais … tanto mais, quanto mais … tanto menos, quanto menos … tanto menos, quanto menos … tanto mais, quanto mais … mais, quanto menos … menos, tanto … quanto (como).

            Os alunos respondiam, à medida que eram chamados.

8) Finais: indicam finalidade, objetivo, com as locuções conjuntivas: para que, a fim de que, que (= para que), porque (= para que):

Afastou-se depressa, para que não o víssemos.

9) Temporais: Suas conjunções: quando, enquanto, logo que, mal      (= logo que), sempre que, assim que, desde que, antes que, depois que, até que, agora que, ao mesmo tempo que, toda vez que.

Só voltou a jogar quando se sentiu bem.

 

A fim de aprofundarmos na reescrita, algumas vezes também é pedida nas provas a manutenção do paralelismo.

2 Paralelismo

Paralelismo sintático

Agora, veremos o que é paralelismo!

Você se lembra do que falamos sobre as estruturas coordenadas? Parta do pressuposto de que a justaposição, a enumeração ou a coordenação trazem consigo o valor paralelo. Veja os exemplos para em seguida analisarmos:

  1. Gosto de estudo, de trabalho e de lazer.
  2. Gosto de estudo, trabalho e lazer.

O verbo “Gosto” é transitivo indireto e seu objeto indireto é composto, isto é, seus núcleos estão justapostos, coordenados, paralelos.

Veja que, na primeira frase, optou-se por manter a preposição “de” antes de cada núcleo (de estudo, de trabalho e de lazer). Isso não é obrigatório, mas é um artifício argumentativo para reforçar o paralelismo e manter a clareza de que os núcleos seguintes mantêm referência ao verbo. Tanto assim que podemos reescrever esta frase com a omissão dessas preposições no segundo e terceiro núcleo (“de estudo, trabalho e lazer”).

Esse paralelismo pode se manter também no nível do período composto. Quando orações subordinadas estão coordenadas entre si, naturalmente temos o paralelismo. Veja:

O candidato afirmou que a prova estava difícil e que houve pouco tempo de execução.

Perceba que foram prestadas duas informações: “que a prova estava difícil” e “que houve pouco tempo de execução”. Essas orações são subordinadas substantivas objetivas diretas e coordenadas entre si. Elas são o complemento direto composto do verbo transitivo direto “afirmou”.

O paralelismo é isto: visualizar os termos coordenados, repetindo os conectivos ou mantendo em omissão os que iriam ficar repetidos, como fizemos na frase 2 do primeiro exemplo. Agora faremos o mesmo com o  segundo exemplo:

O candidato afirmou que a prova estava difícil e houve pouco tempo de execução.

Paralelismo semântico

É a junção de ideias de mesmo campo semântico. Veja um caso:

Fiz duas operações: uma em São Paulo e outra no Rio de Janeiro.

A conjunção “e” uniu os adjuntos adverbiais “em São Paulo” e “no Rio de Janeiro”. Assim, há paralelismo sintático e também semântico, pois une dois termos que se referem a lugar.

Agora, veja um erro de paralelismo semântico:

“Fiz duas operações: uma em São Paulo e outra no ouvido.

Note que “em São Paulo” e “no ouvido”, apesar de paralelamente estruturadas, não indicam circunstâncias de lugar correlatas quanto ao valor semântico. Só por descuido (vício de linguagem) ou por humor ou ênfase (estilístico) é que se poderia construir uma frase sem paralelismo semântico.

Veja mais alguns exemplos, agora de Machado de Assis:

Gastei trinta dias para ir do Rocio Grande ao coração de Marcela.”

(local habitável concreto X local inabitável abstrato)

“Marcela amou-me durante quinze dias e onze contos de réis.”

(tempo X dinheiro)

“…encontrei no trem da Central um rapaz aqui do bairro, que eu conheço de vista e de chapéu.”

(o modo distante como o conhece X o modo como se veste)

Veja a explicação de tudo o que vimos no vídeo abaixo:

Baixe mais questões aqui!

Reescrita e paralelismo só questões

Agora, veja a resolução no vídeo abaixo:

https://www.youtube.com/watch?v=8bVrSgqTrkw

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