Gabarito Extraoficial PCPR 2026: Português Comentado (Agente, FGV)

Preview – Gabarito PCPR 2026

Professor Décio TerrorGabarito extraoficial
PCPR 2026 · Agente · FGV

Gabarito extraoficial de Português da PCPR 2026: as 25 questões da FGV comentadas

Confira a resposta de cada questão da prova de Agente da Polícia Civil do Paraná, com o comentário de todas as alternativas, certas e erradas.

ConcursoPCPR 2026
CargoAgente de Polícia Judiciária
BancaFGV
Data da prova11/10/2026
CadernoTipo 2

A prova objetiva do concurso da Polícia Civil do Paraná (PCPR) para o cargo de Agente de Polícia Judiciária foi aplicada neste domingo, 11 de outubro de 2026, pela FGV. Para você estimar seu desempenho, preparei o gabarito extraoficial de Língua Portuguesa, com o comentário de cada uma das cinco alternativas das 25 questões.

A banca trouxe uma prova fortemente centrada em interpretação e leitura de gêneros textuais, quase sempre com textos ligados ao Paraná. Também apareceram regência, crase, concordância, formação de palavras, coesão, funções da linguagem e intertextualidade.

Atenção: este gabarito segue a numeração do caderno Tipo 2. Se você fez outro tipo de prova, a ordem das questões e das alternativas pode ser diferente. Por isso, confira pelo conteúdo do enunciado. Este é um gabarito extraoficial: o resultado definitivo depende do gabarito preliminar divulgado pela FGV e da análise dos recursos.

Gabarito rápido de Português PCPR 2026 (Tipo 2)

Se você só quer conferir as respostas, aqui está o gabarito de cada questão:

Q1E
Q2A
Q3E
Q4A
Q5C
Q6D
Q7D
Q8D
Q9C
Q10A
Q11E
Q12B
Q13B
Q14C
Q15C
Q16B
Q17B
Q18E
Q19D
Q20C
Q21A
Q22E
Q23B
Q24C
Q25D

Questões comentadas

1 Sentido da palavra “línguas” GABARITO: E

Resumo do texto-base

Em texto publicado em seu site, o escritor Cristovão Tezza defende que a língua é o espaço que forma o escritor e que, dentro de um mesmo idioma, há tantas línguas quanto escritores. Para ele, a matéria da literatura não é um sistema abstrato de regras, e sim a língua viva do falante, que é o verdadeiro território de quem escreve.

Fonte indicada na prova: site de Cristovão Tezza.

Ao afirmar que “há tantas línguas […] no universo do mesmo idioma quanto há escritores”, o autor emprega a palavra “línguas” para se referir

A

aos códigos particulares criados pelos escritores para impedir que suas obras sejam compreendidas por outros falantes.

Errada. O texto não afirma que os escritores criem códigos para impedir a compreensão de suas obras. Trata da diversidade de usos da língua.

B

às variedades nacionais de um idioma, determinadas pelo território em que cada escritor produz sua obra.

Errada. Essa interpretação restringe a diversidade linguística ao território nacional, enquanto o texto destaca as experiências dos falantes e a expressão particular dos escritores.

C

aos sistemas abstratos de regras que os escritores precisam dominar antes de desenvolver linguagem literária própria.

Errada. O autor rejeita justamente a redução da matéria literária a um sistema abstrato de regras e relações.

D

aos diferentes idiomas conhecidos pelos escritores e incorporados por eles à composição linguística de seus textos.

Errada. A expressão “no universo do mesmo idioma” mostra que a diversidade ocorre dentro de uma mesma língua, sem pressupor o emprego de idiomas diferentes.

E

às diversas formas de uso do idioma, constituídas pelas experiências dos falantes e pela expressão de cada escritor.

Certa. “Línguas” designa as diferentes maneiras de utilizar o mesmo idioma, relacionadas às experiências dos falantes e à expressão de cada escritor.

2 Função conativa da linguagem GABARITO: A

Texto-base

A imagem apresenta uma publicação intitulada “Horóscopo de Leão”, com o título “Horóscopo 16/08/2026”, texto acompanhado de ícones e recursos gráficos.

No texto, a função conativa da linguagem é reforçada pela articulação entre

A

imperativos e recursos visuais que destacam apelos ao leitor.

Certa. A função conativa, também chamada de apelativa, orienta-se para o destinatário. Emprega comandos, sugestões e recomendações, frequentemente formulados no imperativo, associados a recursos que chamam a atenção do leitor.

B

datas e símbolos que comprovam a precisão das previsões.

Errada. Datas e símbolos não comprovam a precisão das previsões. Além disso, a função conativa se caracteriza pelo direcionamento ao receptor.

C

adjetivos e emojis que expressam emoções do enunciador.

Errada. A expressão de emoções do enunciador caracteriza a função emotiva.

D

informações pessoais e ícones que descrevem o signo.

Errada. Descrever o signo não explica o caráter apelativo do texto.

E

previsões e cores que asseguram a objetividade do conteúdo.

Errada. Cores não asseguram objetividade, e essa característica não define a função conativa.

3 Regência do verbo “acarretar” GABARITO: E

Texto-base

Florestas em chamas, perigo à vida, danos econômicos. Os incêndios florestais são verdadeiras catástrofes ambientais. De fácil ocorrência, quando a área está muito seca, qualquer lixo jogado pelo homem pode acarretar em um grande desastre. Cigarros, fósforos, lançamentos de foguetes e balões, fogueiras e queimadas inadequadas de detritos também são elementos iniciais para a tragédia.

Fonte indicada na prova: Corpo de Bombeiros do Paraná.

No trecho “qualquer lixo jogado pelo homem pode acarretar em um grande desastre”, a regência do verbo “acarretar” não está de acordo com a norma padrão. Uma reescrita que corrige esse problema e preserva o sentido original é:

A

qualquer lixo jogado pelo homem pode implicar em um grande desastre.

Errada. Na regência tradicional cobrada em concursos, “implicar”, no sentido de causar ou acarretar, é transitivo direto: “pode implicar um grande desastre”.

B

qualquer lixo jogado pelo homem pode resultar um grande desastre ambiental.

Errada. Nesse sentido, “resultar” exige a preposição “em”: “pode resultar em um grande desastre ambiental”.

C

qualquer lixo jogado pelo homem pode ocasionar com um grande desastre.

Errada. “Ocasionar” é transitivo direto: “pode ocasionar um grande desastre”. A preposição “com” é inadequada.

D

qualquer lixo jogado pelo homem pode levar na ocorrência de um grande desastre.

Errada. A construção correta seria “pode levar à ocorrência de um grande desastre”. O verbo exige a preposição “a”, que se combina com o artigo feminino de “ocorrência”.

E

qualquer lixo jogado pelo homem pode provocar um grande desastre ambiental.

Certa. “Provocar” é transitivo direto: “provocar um grande desastre ambiental”. A construção é gramaticalmente correta e preserva a relação de causa e consequência.

4 Expressões argumentativas GABARITO: A

Texto-base

A educação no trânsito desempenha um papel crucial na prevenção de acidentes, especialmente os causados pelo consumo de álcool. A conscientização sobre os riscos da combinação de álcool e direção deve começar desde a infância, em casa, nas escolas e nas instituições. O objetivo é cultivar uma mentalidade de que dirigir sob efeito de álcool não é apenas perigoso, mas também socialmente inaceitável.

Programas de educação para adultos também são fundamentais, incluindo campanhas em massa, palestras e treinamentos. Estas ações ajudam os motoristas a entender os impactos negativos do álcool no comportamento, nas habilidades de direção e nas capacidades cognitivas, como a redução do tempo de reação e perda de coordenação motora. É essencial também promover alternativas seguras de transporte, como o uso do transporte público, táxis ou aplicativos de mobilidade, além de reforçar a importância de não dirigir após consumir álcool.

Fonte indicada na prova: Detran-PR.

No desenvolvimento argumentativo do texto, as expressões “deve começar”, “são fundamentais” e “é essencial” contribuem para

A

apresentar ações educativas e preventivas necessárias ao enfrentamento dos riscos associados ao álcool e à direção.

Certa. As expressões destacam a necessidade e a importância das ações educativas e preventivas defendidas no texto.

B

atribuir caráter legalmente obrigatório às medidas de conscientização destinadas a crianças e motoristas adultos.

Errada. O texto apresenta recomendações e avaliações de necessidade, sem estabelecer uma obrigação legal.

C

assegurar que as campanhas educativas eliminam os acidentes provocados pelo consumo de bebidas alcoólicas.

Errada. Não se afirma que as campanhas eliminem os acidentes. Elas contribuem para a prevenção.

D

estabelecer uma ordem cronológica rígida para a realização das diferentes ações de educação no trânsito.

Errada. A referência à infância não estabelece uma sequência rígida para todas as ações mencionadas.

E

distinguir as recomendações institucionais das informações científicas comprovadas sobre os efeitos do álcool.

Errada. Essas expressões valorizam as medidas propostas, sem criar uma distinção entre recomendações e informações científicas.

5 Inferência: o graffiti na Biblioteca GABARITO: C

Resumo do texto-base

A notícia informa que a Biblioteca Pública do Paraná recebe a exposição coletiva “Graffiti Ex-Libris: Entre Livros, Nomes e Muros”, que propõe um diálogo entre arte urbana e literatura. Segundo o texto, ao ocupar esse espaço, o graffiti não abandona sua relação com a rua e amplia seu campo de leitura, encontrando novos públicos.

Fonte indicada na prova: Bem Paraná.

Ao afirmar que, na Biblioteca, “o graffiti não abandona sua relação com a rua” e “amplia seu campo de leitura”, o texto sugere que essa manifestação artística

A

deixa de pertencer ao espaço urbano quando passa a ser interpretada como uma produção vinculada à literatura.

Errada. O texto afirma que o graffiti não abandona sua relação com a rua.

B

preserva suas formas visuais, mas modifica sua origem para se adaptar às regras de circulação do espaço institucional.

Errada. A circulação em outro espaço não modifica a origem dessa manifestação artística.

C

mantém o vínculo com seu contexto de origem e passa a integrar novas situações de circulação e interpretação.

Certa. O graffiti preserva o vínculo com o espaço urbano e alcança novos públicos e possibilidades de interpretação.

D

substitui sua função de intervenção urbana pela finalidade de ilustrar os livros apresentados durante a exposição.

Errada. Não há afirmação de que a manifestação passe a ter a finalidade de ilustrar livros.

E

restringe sua linguagem aos visitantes da Biblioteca, embora continue reproduzindo temas próprios do ambiente das ruas.

Errada. “Amplia seu campo de leitura” indica expansão, e não restrição.

6 Sorte, habilidade e vício GABARITO: D

Resumo do texto-base

O artigo reflete sobre a passagem do lazer ao hábito e do hábito ao vício nos jogos de aposta. O autor observa que muitas pessoas passam a ver a sorte como uma habilidade humana, e o azar como falta de talento. Nessa lógica, para ter mais sucesso, seria preciso praticar a sorte com frequência, e é aí que o texto localiza o caminho do vício.

Fonte indicada na prova: Le Monde Diplomatique Brasil.

De acordo com o texto, compreender a sorte como uma habilidade pode favorecer o vício porque essa concepção

A

transforma os resultados aleatórios em demonstrações objetivas da capacidade intelectual de quem participa dos jogos.

Errada. O texto aborda uma concepção equivocada sobre a sorte. Não afirma que os resultados dos jogos demonstrem objetivamente a capacidade intelectual.

B

leva o indivíduo a abandonar atividades que exigem treinamento para se dedicar a práticas baseadas exclusivamente na crença.

Errada. O raciocínio apresentado aproxima a sorte de uma habilidade que exigiria treinamento, em vez de associá-la exclusivamente à crença.

C

faz que eventuais perdas sejam interpretadas como consequências inevitáveis da ausência de instrumentos tecnológicos adequados.

Errada. A referência a instrumentos de apoio aparece em uma comparação com outras habilidades, sem explicar as perdas nos jogos.

D

alimenta a expectativa de que a prática frequente aumentará o sucesso, incentivando a repetição do comportamento de apostar.

Certa. Se o indivíduo entende a sorte como uma habilidade treinável, pode acreditar que a repetição das apostas aumentará seu sucesso, favorecendo o vício.

E

permite ao indivíduo distinguir os momentos em que o jogo constitui uma forma de lazer daqueles em que se torna destrutivo.

Errada. A concepção discutida favorece o comportamento repetitivo, sem assegurar a identificação dos limites entre lazer e vício.

7 Formação de palavras: o sufixo “-ismo” GABARITO: D

Texto-base

Helena Kolody (União da Vitória, 12 de outubro de 1912 – Curitiba, 15 de fevereiro de 2004) foi uma poetisa brasileira. Uma das características mais marcantes de sua poesia são os temas cotidianos, a escrita com simplicidade e o subjetivismo, herdada do simbolismo e principalmente dos haikais, que é uma forma poética de origem japonesa, cuja característica é a concisão, ou seja, a arte de dizer o máximo com o mínimo.

Seus pais, Miguel e Vitória Kolody, foram imigrantes ucranianos que se conheceram no Brasil. Nascida em União da Vitória, Helena passou parte da infância até 1920 em Três Barras e até 1922 na cidade de Rio Negro, onde fez o curso primário. Estudou piano, pintura e, aos doze anos, fez seus primeiros versos.

Fonte indicada na prova: Wikipédia.

As palavras “subjetivismo” e “simbolismo”, empregadas no primeiro parágrafo, são formadas pelo acréscimo do sufixo “-ismo”. No contexto deste texto, o elemento sufixal participa da formação de substantivos que designam

A

ações realizadas repetidamente ao longo do tempo.

Errada. O sufixo não expressa repetição de ações nesses vocábulos.

B

qualidades concretas atribuídas à produção artística.

Errada. Os substantivos designam concepções e tendências, e não qualidades concretas.

C

lugares destinados à produção e à divulgação literária.

Errada. Não há indicação de lugar.

D

tendências, concepções ou correntes de pensamento.

Certa. Nesse contexto, “-ismo” participa da formação de palavras que nomeiam tendências ou concepções: “subjetivismo” e “simbolismo”.

E

agentes responsáveis pela criação de obras artísticas.

Errada. Para designar pessoas vinculadas a tendências, é frequente o sufixo “-ista”, como em “simbolista”.

8 Crase: preposição + artigo GABARITO: D

Texto-base

Por ocasião da campanha Maio Amarelo 2026, movimento dedicado à conscientização para a redução de sinistros de trânsito, o Detran-PR convida você a assumir o Compromisso pela Vida, adotando atitudes responsáveis e seguras […]. Ao aderir a este compromisso, você contribui de forma efetiva com a construção de um trânsito mais seguro e consciente, onde enxergar o outro é salvar vidas.

Fonte indicada na prova: Detran-PR.

No trecho “movimento dedicado à conscientização para a redução de sinistros de trânsito”, o acento indicativo de crase resulta da união da preposição com o artigo. O mesmo mecanismo ocorre em:

A

A campanha apresenta recomendações destinadas à condutores de diferentes categorias de veículos.

Errada. “Condutores” é um substantivo masculino. A construção correta é “destinadas a condutores” ou “destinadas aos condutores”.

B

O Detran-PR convida os cidadãos à assumir comportamentos responsáveis durante seus deslocamentos.

Errada. Não ocorre crase antes do verbo “assumir”: “convida os cidadãos a assumir”.

C

As orientações da campanha foram encaminhadas à você por diferentes meios de comunicação.

Errada. O pronome “você” não admite artigo feminino: “encaminhadas a você”.

D

A instituição mostrou-se favorável à adoção de atitudes mais responsáveis e seguras no trânsito.

Certa. “Favorável” exige a preposição “a”, e “adoção” admite o artigo “a”: favorável a + a adoção = à adoção.

E

A campanha passou à incentivar o respeito aos pedestres e aos limites de velocidade.

Errada. Não ocorre crase antes do verbo “incentivar”: “passou a incentivar”.

9 Humor no cartum GABARITO: C

Resumo do texto-base

No cartum intitulado “Economizei comprando”, um personagem avisa a Izuna que, naquele mês, eles precisam economizar. Izuna aparece carregada de produtos que comprou no mesmo dia e justifica que, como estavam em promoção, ela economizou comprando.

No cartum, o efeito de humor produzido pela resposta de Izuna decorre de a personagem

A

compreender a indicação de economizar como orientação para antecipar compras antes que os preços aumentem.

Errada. Não há referência a um aumento futuro dos preços.

B

considerar que os objetos adquiridos eram necessários, embora essa avaliação não apareça nas falas anteriores.

Errada. A necessidade dos produtos não é a justificativa apresentada por Izuna.

C

associar a compra em promoção à economia, desconsiderando o gasto advindo da quantidade de produtos adquiridos.

Certa. Izuna considera que comprar em promoção significa economizar, sem levar em conta o gasto total decorrente da quantidade de produtos.

D

interpretar a expressão “esse mês” como uma indicação de que as compras deveriam ser realizadas no mesmo dia.

Errada. O humor não decorre da interpretação da expressão temporal.

E

atribuir à palavra “promoção” o sentido de recebimento de uma vantagem financeira posterior às compras.

Errada. “Promoção” refere-se à redução de preços, sem indicar uma vantagem recebida posteriormente.

10 Valor semântico de “além de” GABARITO: A

Texto-base

Fundado em 1910 como Museu do Crime, com o intuito de armazenar objetos relacionados a delitos, passou a ser chamado de Museu Paranaense de Ciências Forenses em 2022. O espaço é dedicado a preservar a história da Polícia Científica do Paraná e divulgar as ciências forenses. Seu acervo inclui instrumentos e equipamentos de perícia, além de livros, documentos, fotografias, ossos e outras peças anatômicas. (…) O Museu também possui uma unidade móvel para visitar escolas e eventos. A exposição itinerante conta com diversos materiais das áreas de atuação pericial como crânios, uma coleção de insetos de fauna cadavérica, microscópio para visualização de lâminas histológicas, maletas de perícia, materiais balísticos, entre outros.

Fonte indicada na prova: Polícia Científica do Paraná.

No trecho “Seu acervo inclui instrumentos e equipamentos de perícia, além de livros, documentos, fotografias, ossos e outras peças anatômicas”, a expressão “além de” introduz uma relação semântica com o restante do sintagma. Essa relação está preservada caso a frase fosse reescrita da seguinte forma:

A

Seu acervo inclui instrumentos e equipamentos de perícia, bem como livros, documentos, fotografias, ossos e outras peças anatômicas.

Certa. “Bem como” preserva o valor de adição expresso por “além de”.

B

Seu acervo inclui instrumentos e equipamentos de perícia, embora possua livros, documentos, fotografias, ossos e outras peças anatômicas.

Errada. “Embora” introduz uma relação concessiva.

C

Seu acervo inclui instrumentos e equipamentos de perícia, portanto reúne livros, documentos, fotografias, ossos e outras peças anatômicas.

Errada. “Portanto” introduz uma conclusão.

D

Seu acervo inclui instrumentos e equipamentos de perícia, apesar de conter livros, documentos, fotografias, ossos e outras peças anatômicas.

Errada. “Apesar de” expressa concessão.

E

Seu acervo inclui instrumentos e equipamentos de perícia, por isso apresenta livros, documentos, fotografias, ossos e outras peças anatômicas.

Errada. “Por isso” apresenta uma consequência ou conclusão.

11 Intertextualidade GABARITO: E

Resumo do texto-base

No trecho do romance, a narradora apresenta Zélia, a vizinha fofoqueira. Para caracterizá-la, compara a personagem ao Espírito Santo, que tudo vê e tudo sabe, e ao Lobo Mau, com olhos grandes para ver melhor, ouvidos grandes para ouvir melhor e uma boca muito grande, que espalhava as notícias do bairro.

BATALHA, Martha. A vida invisível de Eurídice Gusmão. São Paulo: Cia das Letras, 2016, p. 11.

A construção da personagem Zélia mobiliza referências a outros textos e personagens amplamente conhecidos. Esse procedimento constitui um caso de

A

ambiguidade.

Errada. Ambiguidade é a possibilidade de mais de uma interpretação de uma expressão ou construção.

B

discurso indireto livre.

Errada. O procedimento destacado não corresponde à mistura da voz do narrador com a fala ou o pensamento da personagem.

C

polifonia.

Errada. Embora textos possam apresentar diferentes vozes, o recurso especificamente cobrado é a referência a outros textos e personagens.

D

metalinguagem.

Errada. Metalinguagem ocorre quando a linguagem se volta para si mesma.

E

intertextualidade.

Certa. As referências ao Espírito Santo e ao Lobo Mau estabelecem relações com outros textos. A descrição dos olhos, dos ouvidos e da boca remete ao conto de Chapeuzinho Vermelho.

12 Título assertivo x texto estimativo GABARITO: B

Resumo do texto-base

A notícia tem o título “Nova medição amplia tamanho estimado da Via Láctea em cerca de 10%”. O texto explica que, por estarmos dentro do plano galáctico, é difícil conhecer a forma e o tamanho exatos da galáxia, mas dados da missão europeia Gaia permitem estimá-los. No último parágrafo, informa que, segundo astrônomos, os braços espirais externos da Via Láctea poderiam se estender 10% além do que se pensava.

Fonte indicada na prova: G1.

A diferença entre a forma verbal “amplia”, empregada no título, e a construção “poderiam se estender”, utilizada no último parágrafo, evidencia que o título

A

apresenta uma hipótese rejeitada posteriormente pelo emprego de uma forma verbal indicativa de dúvida.

Errada. O último parágrafo não rejeita a descoberta; apresenta-a com uma formulação menos categórica.

B

sintetiza a descoberta de modo mais assertivo, enquanto o texto ressalta o caráter estimativo do resultado.

Certa. “Amplia” apresenta a informação de maneira mais assertiva. “Poderiam se estender” ressalta a possibilidade e o caráter estimativo do resultado.

C

anuncia uma alteração já ocorrida na galáxia, enquanto o texto prevê uma expansão futura de seus braços externos.

Errada. A notícia trata da revisão do tamanho estimado da galáxia, sem afirmar que ela cresceu ou crescerá fisicamente.

D

atribui certeza à medição, enquanto o último parágrafo contesta a validade dos dados obtidos pelos astrônomos.

Errada. O último parágrafo não contesta a validade dos dados.

E

informa o resultado da pesquisa, enquanto o último parágrafo transfere sua confirmação para estudos posteriores.

Errada. Não há transferência expressa da confirmação para estudos futuros.

13 Concordância nominal: “devidos” GABARITO: B

Texto-base

A Polícia Civil do Paraná (PCPR) dedica atenção especial ao atendimento de crianças e adolescentes vítimas de crimes. O objetivo é que as vítimas sejam atendidas com o profissionalismo, a atenção e o cuidado devidos neste tipo de situação. O Núcleo de Proteção à Criança e ao Adolescente Vítimas de Crimes (Nucria) atua desde 2014 e é responsável por investigar crimes de violência psicológica, física e sexual.

Fonte indicada na prova: Polícia Civil do Paraná.

No trecho “O objetivo é que as vítimas sejam atendidas com o profissionalismo, a atenção e o cuidado devidos”, a forma “devidos” encontra-se no masculino plural porque

A

concorda com os dois substantivos masculinos da enumeração, o que justifica a flexão do adjetivo no plural.

Errada. O adjetivo refere-se aos três substantivos, incluindo o feminino “atenção”. A alternativa exclui indevidamente esse termo da concordância.

B

refere-se a substantivos de gêneros diferentes, coordenados entre si, o que determina a concordância no masculino plural.

Certa. “Devidos” caracteriza “profissionalismo”, “atenção” e “cuidado”. Na concordância com o conjunto de substantivos de gêneros diferentes, emprega-se o masculino plural.

C

acompanha o substantivo “cuidado”, que, estando mais próximo, determina gênero e número dos termos anteriores.

Errada. Se a concordância fosse feita apenas com o substantivo mais próximo, a forma seria “cuidado devido”, no singular.

D

caracteriza o atendimento prestado aos cidadãos, substantivo subentendido que exige o emprego do masculino plural.

Errada. Não há necessidade de supor o substantivo “cidadãos” para explicar a concordância.

E

relaciona-se à expressão “as vítimas”, mas assume o masculino por indicar um procedimento de caráter institucional.

Errada. O adjetivo não caracteriza “as vítimas”. Se o fizesse, a concordância seria no feminino plural.

14 Contraste e pergunta final GABARITO: C

Resumo do texto-base

O artigo afirma que o mercado de órgãos humanos desafia a teoria econômica tradicional. No segundo parágrafo, contrasta os órgãos com produtos como automóveis e alimentos: órgãos não podem ser produzidos nem estocados, e a oferta depende de fatores biológicos, familiares, hospitalares e éticos, o que gera escassez e mortes nas filas de espera. O texto termina perguntando como alocar de forma eficiente um recurso tão escasso quando o mecanismo de preços é limitado moral e legalmente.

Fonte indicada na prova: Gazeta do Povo.

A articulação entre o contraste desenvolvido no segundo parágrafo e a pergunta que encerra o excerto permite ao autor

A

reconhecer a dimensão econômica dos transplantes, ainda que mantenha a subordinação da distribuição dos órgãos às decisões familiares.

Errada. As decisões familiares são apresentadas como um dos fatores que influenciam a oferta, sem constituir o eixo da pergunta final.

B

tratar as restrições morais e legais como obstáculos que devem ser flexibilizados para viabilizar um sistema regulado de preços.

Errada. O autor reconhece as limitações morais e legais, mas não propõe flexibilizá-las.

C

formular um problema de alocação em que a busca por eficiência encontra limites impostos por valores éticos e normas legais.

Certa. A pergunta apresenta o desafio de distribuir eficientemente um recurso escasso respeitando limites éticos e legais.

D

deslocar o problema da escassez para a coordenação institucional, apresentada como suficiente para eliminar as listas de espera.

Errada. O texto não afirma que a coordenação institucional seja suficiente para eliminar as listas de espera.

E

associar a impossibilidade de produzir órgãos à necessidade de priorizar a eficiência econômica sobre outros critérios de distribuição.

Errada. Não se defende a superioridade da eficiência econômica sobre os demais critérios.

15 Coesão lexical GABARITO: C

Texto-base: Centenário do Vampiro de Curitiba

A Prefeitura de Curitiba vai criar um espaço cultural em homenagem ao escritor Dalton Trevisan. A iniciativa é fruto de uma parceria que será firmada entre o prefeito Eduardo Pimentel e a Construtora Hugo Peretti, que adquiriu o terreno onde está localizada a residência em que o escritor viveu por quase 70 anos, no bairro Alto da XV. O protocolo de intenções será assinado nesta quinta-feira (12/6), às 11h, durante a abertura da exposição 100 anos: Dalton Trevisan entre traços e linhas, no Solar da Glória. Organizada pela Fundação Cultural de Curitiba, a mostra reúne ilustrações de 38 artistas curitibanos em homenagem ao centenário do autor, e integra uma série de ações programadas ao longo do ano para celebrar a memória e o legado do maior contista brasileiro.

Notícia publicada em junho de 2025. Fonte indicada na prova: Prefeitura de Curitiba.

Na construção da coesão lexical da notícia, a cadeia de substantivos empregados para retomar a exposição e o escritor contribui para a progressão do texto ao

A

substituir referentes particulares por expressões genéricas.

Errada. O efeito central é retomar os mesmos referentes por outras expressões, sem substituí-los por referentes indeterminados.

B

introduzir novos referentes relacionados ao evento.

Errada. As expressões retomam elementos já apresentados, em vez de introduzir outros referentes.

C

recuperar referentes por meio de palavras equivalentes.

Certa. “Exposição” é retomada por “mostra”; “Dalton Trevisan” é retomado por “escritor”, “autor” e “contista”. Essa equivalência contextual mantém a continuidade do texto.

D

organizar as informações em sequência temporal.

Errada. A cadeia lexical não tem a função de estabelecer uma sequência temporal.

E

alternar expressões objetivas e figuradas.

Errada. Embora o título contenha uma designação figurada, a questão destaca as retomadas lexicais da exposição e do escritor.

16 Texto de divulgação científica GABARITO: B

Resumo do texto-base

A reportagem divulga um estudo da Universidade de Columbia segundo o qual adultos que dormiram cerca de 80 minutos a menos por seis semanas ganharam, em média, meio quilo e ficaram mais tempo inativos. O segundo parágrafo descreve a pesquisa: 95 adultos, dois períodos de seis semanas comparados (com e sem atraso no horário de dormir), uso de monitores de pulso e acompanhamento de peso, cintura, composição corporal e hormônios do apetite.

Fonte indicada na prova: O Tempo.

Trata-se de um exemplar do gênero “texto de divulgação científica”. Considerando isso, as informações apresentadas no segundo parágrafo contribuem para

A

ampliar a conclusão da pesquisa, acrescentando consequências da redução do sono que não haviam sido observadas pelos pesquisadores.

Errada. O parágrafo apresenta procedimentos da pesquisa, sem acrescentar consequências não observadas.

B

detalhar os procedimentos de comparação, acompanhamento e registro que fundamentam os resultados sintetizados anteriormente.

Certa. São detalhados os participantes, os períodos comparados, os instrumentos de registro e as variáveis acompanhadas.

C

traduzir a terminologia empregada no estudo para tornar compreensíveis ao público não especializado os conceitos relacionados ao sono.

Errada. O trecho não se organiza como explicação ou tradução de terminologia científica.

D

relativizar os resultados apresentados, indicando que as alterações no peso decorreram dos hábitos anteriores dos participantes.

Errada. Não atribui o ganho de peso aos hábitos anteriores dos participantes.

E

apresentar algumas recomendações sobre a duração adequada do sono com base nas características dos voluntários selecionados.

Errada. A duração habitual do sono caracteriza a amostra, sem constituir uma recomendação ao leitor.

17 Infinitivos e paralelismo GABARITO: B

Texto-base

À Secretaria da Segurança Pública compete:

I. prestar suporte aos trabalhos relacionados às áreas da: a) preservação da ordem pública; b) polícia judiciária, compreendendo a atividade investigativa na apuração de infrações penais; c) perícia oficial e identificação técnica; d) administração da política prisional e custódia dos indivíduos privados de liberdade, promovendo condições efetivas para sua reintegração social; e) prevenção e combate a incêndios, de busca, salvamento e resgate;
II. administrar as atividades de polícia administrativa e de fiscalização de atividades potencialmente danosas;
III. administrar as atividades de inteligência de segurança pública;
IV. adotar a filosofia de polícia comunitária, focada na mediação e resolução de conflitos, bem como, realizar e fomentar campanhas educacionais e de orientação à comunidade;
V. prover o suporte administrativo, orçamentário e financeiro aos órgãos vinculados;
VI. administrar os sistemas informatizados de segurança pública;
[…]

Fonte indicada na prova: Secretaria da Segurança Pública do Paraná.

No texto, a sequência de verbos no infinitivo (“prestar”, “administrar”, “adotar” e “prover”) contribui para

A

apresentar ações já realizadas pela Secretaria no exercício regular de suas atribuições institucionais.

Errada. Os infinitivos apresentam competências, sem indicar que as ações já tenham sido realizadas.

B

organizar em paralelo as ações atribuídas ao órgão, reforçando o caráter normativo da enumeração.

Certa. A repetição de estruturas iniciadas por infinitivos estabelece paralelismo e organiza as atribuições institucionais.

C

formular recomendações cuja execução depende da avaliação dos responsáveis por cada setor administrativo.

Errada. O texto define competências do órgão, em vez de formular recomendações facultativas.

D

indicar procedimentos desvinculados da declaração inicial que define as competências próprias da Secretaria.

Errada. Todos os itens estão vinculados à declaração inicial: “À Secretaria da Segurança Pública compete”.

E

ordenar cronologicamente as etapas necessárias ao funcionamento dos órgãos estaduais de Segurança Pública.

Errada. A enumeração organiza competências, sem estabelecer uma ordem de execução.

18 Vírgulas e concordância de “foi” GABARITO: E

Texto-base: Mejtere: histórias recontadas

A exposição de longa duração é resultado de projeto de curadoria compartilhada entre a instituição e três bolsistas indígenas — selecionados por edital, entre 60 inscritos — Robson Delgado (Baré), Ivanizia Ruiz (Tikuna) e Camila dos Santos (Kanhgág). Naine Terena, curadora, artista e educadora, juntamente com a equipe do MUPA, foi quem orientou os três estudantes para a realização do projeto. A mostra reverbera uma pluralidade de vozes indígenas, que refletem novas perspectivas sobre as coleções etnográficas do museu a partir do encontro entre o acervo do MUPA e práticas contemporâneas.

Fonte indicada na prova: Museu Paranaense.

No período “Naine Terena, curadora, artista e educadora, juntamente com a equipe do MUPA, foi quem orientou os três estudantes”, o emprego das vírgulas e a flexão do verbo “foi” no singular indicam que

A

os segmentos separados por vírgulas apresentam diferentes núcleos do sujeito, mas o verbo concorda apenas com “Naine Terena”, por ser o primeiro deles.

Errada. “Curadora, artista e educadora” constitui uma explicação sobre Naine Terena, sem introduzir diferentes núcleos do sujeito.

B

a enumeração entre vírgulas caracteriza Naine Terena, enquanto “a equipe do MUPA” integra o sujeito composto, com o verbo concordando com o núcleo mais próximo.

Errada. A expressão intercalada “juntamente com a equipe do MUPA” indica companhia. Não há concordância com um suposto núcleo mais próximo de sujeito composto.

C

as duas expressões intercaladas exercem função explicativa e referem-se exclusivamente a Naine Terena, razão pela qual o verbo permanece no singular.

Errada. As expressões têm funções diferentes: uma explica quem é Naine Terena; a outra indica companhia.

D

o nome “Naine Terena” e suas qualificações estão intercalados, enquanto “a equipe do MUPA” constitui o sujeito com o qual o verbo concorda no singular.

Errada. O sujeito é “Naine Terena”, e não “a equipe do MUPA”.

E

as qualificações explicam quem é Naine Terena e a expressão de companhia, também intercalada, não altera o núcleo do sujeito nem a concordância.

Certa. “Curadora, artista e educadora” é aposto explicativo. A expressão de companhia está intercalada e não modifica a concordância de “foi” com “Naine Terena”.

19 Modos de organização discursiva GABARITO: D

Texto-base: Golpe do Falso Advogado: como se proteger e o que fazer se for vítima

O golpe do falso advogado tem se tornado cada vez mais comum no Brasil, prejudicando tanto clientes quanto profissionais da advocacia. Os criminosos se passam por advogados ou funcionários de escritórios para solicitar pagamentos indevidos, muitas vezes utilizando dados reais das vítimas e técnicas de persuasão sofisticadas. A Polícia Civil do Paraná (PCPR) alerta para os principais sinais desse golpe e orienta sobre como se proteger.

Dicas para clientes: como evitar cair no golpe

  • Desconfie de contatos pedindo dinheiro.
  • Verifique a identidade do advogado.
  • Não forneça dados bancários ou senhas.
  • Cuidado com mensagens urgentes.
  • Denuncie e bloqueie o contato.

Fonte indicada na prova: Polícia Civil do Paraná. Adaptado.

Os modos de organização discursiva correspondem às diferentes formas de estruturar um texto de acordo com sua finalidade comunicativa, podendo coexistir em uma mesma produção. A organização do texto combina diferentes modos discursivos porque

A

relata como ocorre um crime e descreve as características das pessoas diretamente envolvidas em sua prática.

Errada. O texto explica o funcionamento do golpe, mas não descreve as características das pessoas que o praticam.

B

defende uma opinião sobre os golpes e apresenta argumentos para atribuir às vítimas a responsabilidade por sua prevenção.

Errada. As orientações preventivas não equivalem a uma argumentação que atribua às vítimas a responsabilidade pelos golpes.

C

explica procedimentos jurídicos aplicáveis ao crime e estabelece obrigações legais destinadas aos advogados.

Errada. Não são apresentados procedimentos jurídicos nem obrigações legais destinadas aos advogados.

D

expõe as principais características do golpe e orienta o leitor a adotar medidas adequadas de proteção.

Certa. O primeiro parágrafo tem caráter expositivo; a lista de recomendações apresenta caráter injuntivo, orientando o comportamento do leitor.

E

apresenta uma previsão sobre o crescimento das fraudes e divulga os serviços oferecidos pela instituição policial.

Errada. O texto menciona uma situação atual, sem formular uma previsão ou divulgar um conjunto de serviços policiais.

20 Termos gramaticais no poema GABARITO: C

Resumo do texto-base

A questão trouxe um trecho do poema “Objeto sujeito”, de Paulo Leminski. O eu lírico fala da saudade e do peso de carregar uma cidade dentro de si, e menciona a dificuldade de fazer de um verso um “objeto sujeito” e de passar do “presente” para o “pretérito perfeito”.

Fonte indicada na prova: Revista Bula.

Nesse poema, o emprego das expressões “objeto sujeito” e a menção aos tempos verbais “presente” e “pretérito perfeito” contribuem para

A

apresentar conceitos gramaticais que explicam objetivamente as etapas envolvidas na composição de um poema.

Errada. Os termos gramaticais são empregados poeticamente, sem explicar etapas objetivas da composição.

B

opor a passividade do objeto à ação do sujeito, eliminando a possibilidade de aproximação entre essas categorias.

Errada. A expressão “objeto sujeito” aproxima os termos e explora sua combinação.

C

ressignificar termos gramaticais como imagens da criação poética e da transformação do presente em lembrança.

Certa. O poema atribui novos sentidos aos termos gramaticais, associando-os à criação poética, à passagem do tempo e à memória.

D

indicar que a saudade decorre do emprego dos tempos verbais na representação de acontecimentos passados.

Errada. A saudade não é apresentada como consequência do emprego de tempos verbais.

E

demonstrar que a escrita poética depende da escolha de estruturas sintáticas capazes de reproduzir a realidade.

Errada. O poema explora possibilidades expressivas da linguagem, sem defender a reprodução objetiva da realidade.

21 Estruturas sintáticas predominantes GABARITO: A

Resumo do texto-base

No texto de apresentação, Marcelino Freire relembra como a livreira Cida avisava da chegada dos livros de Jamil Snege, que o próprio autor distribuía. Elogia a concisão, o humor e o jeito independente do escritor, e conta que fala dele em suas oficinas literárias. O texto é escrito em frases muito breves e fragmentos soltos, como “Ao vivo ou por telefone”, “A concisão, o humor” e “Essa guerrilha”.

SANCHES NETO, Miguel. Roteiro literário Jamil Snege. Curitiba: Biblioteca Pública do Paraná, 2017, p. 2.

O texto de apresentação do “Roteiro literário Jamil Snege” recorre a estruturas sintáticas predominantemente

A

curtas e fragmentadas.

Certa. O texto apresenta frases breves e fragmentos separados por pontos: “Ao vivo ou por telefone”, “A concisão, o humor”, “Essa guerrilha”.

B

subordinadas e hierarquizadas.

Errada. Não predominam períodos construídos por encadeamento de orações subordinadas.

C

passivas e impessoais.

Errada. Há forte presença de sujeitos identificados e marcas pessoais, como “eu”, “a gente” e “nos”.

D

interrogativas e exclamativas.

Errada. Não predominam perguntas ou exclamações.

E

complexas e entrecortadas.

Errada. Embora haja fragmentação, as estruturas são predominantemente breves, em vez de complexas.

22 Linguagem figurada na crônica GABARITO: E

Resumo do texto-base

No trecho da crônica “Banhos”, de Antonio Prata, o narrador relembra longas viagens de carro em família. Quando o tédio, tratado como um “velho amigo”, chegava ao banco de trás, as crianças perguntavam ao pai se faltava muito. Elas já sabiam a resposta, mas queriam ouvi-lo usar a unidade de medida que ele inventou: o número de banhos que faltavam, como “dezesseis banhos”.

PRATA, A. Nu, de botas. São Paulo: Companhia das Letras, 2013, p. 109.

Na elaboração literária da cena cotidiana, a personificação do tédio como “velho amigo” e a referência aos “dezesseis banhos” contribuem para

A

afastar o episódio do campo das experiências possíveis, transformando a viagem familiar em narrativa fantástica.

Errada. O emprego de linguagem figurada não transforma necessariamente uma cena cotidiana em narrativa fantástica.

B

evidenciar a incompreensão das crianças, incapazes de interpretar medidas convencionais de tempo e distância.

Errada. As crianças sabiam a resposta, mas queriam ouvir a medida inventada pelo pai. Não há indicação de incapacidade de compreensão.

C

caracterizar o pai como alguém que fornece respostas imprecisas para evitar as perguntas feitas durante a viagem.

Errada. A resposta era desejada pelas crianças e integrava uma interação bem-humorada, em vez de ser apresentada como tentativa de evitar perguntas.

D

contrapor a percepção objetiva do narrador adulto à incapacidade infantil de acompanhar a passagem do tempo.

Errada. Não se estabelece uma oposição entre objetividade adulta e incapacidade infantil.

E

recriar uma lembrança comum por meio de imagens afetivas e bem-humoradas ligadas à perspectiva das crianças.

Certa. A personificação e a medida inventada recuperam a experiência da viagem por meio de imagens afetivas e humorísticas.

23 Construção da ironia GABARITO: B

Resumo do texto-base

Na crônica, Gregorio Duvivier comenta a palavra alemã “Fernweh” (desejo de ir para longe) e brinca que os alemães têm palavra para tudo porque, segundo ele, é “facílimo” formar palavras em alemão: basta juntar uma frase inteira sem espaços. Em seguida, apresenta um composto gigantesco, diz que só de olhar para ele sente vertigem e compara as palavras alemãs a hashtags.

DUVIVIER, G. Aos pés da letra. São Paulo: Companhia das Letras, 2025, p. 138.

A ironia do texto é construída principalmente pela tensão entre

A

a precisão atribuída ao vocabulário alemão e a impossibilidade de traduzir suas palavras para outros idiomas.

Errada. O texto apresenta explicações em português para os vocábulos, sem afirmar que sejam intraduzíveis.

B

a suposta facilidade de formar palavras e a extensão visual do exemplo, comparado a uma hashtag.

Certa. A afirmação de que é “facílimo” formar palavras contrasta com o exemplo extremamente longo, que provoca “vertigem” e é comparado a uma hashtag.

C

o desejo de viajar expresso por “Fernweh” e a referência posterior a uma associação de funcionários públicos.

Errada. A diferença entre os assuntos dos exemplos não constitui o principal mecanismo da ironia.

D

a formalidade das palavras alemãs e o registro coloquial empregado para explicar seus significados em português.

Errada. O registro coloquial contribui para o humor, mas o contraste central ocorre entre a facilidade anunciada e a extensão da palavra.

E

a formação histórica dos compostos alemães e sua posterior incorporação à linguagem utilizada nas redes sociais.

Errada. A comparação com uma hashtag não afirma que os compostos alemães tenham sido incorporados à linguagem das redes sociais.

24 Texto verbal e visual no cartaz GABARITO: C

Descrição do texto-base

Cartaz de campanha divulgado em 23 de abril de 2025 no Instagram da Associação de Assistência Social dos Policiais Militares de São Paulo. A imagem mostra um rosto parcialmente encoberto por uma mão, acompanhado dos dizeres “Não se cale! Denuncie! Disque Denúncia 181”.

A articulação entre os componentes verbais e visuais da campanha contribui para

A

associar a mão levantada à interrupção da violência após o contato com o serviço indicado.

Errada. A imagem não representa uma situação posterior ao contato com o serviço.

B

representar a identidade da vítima como informação necessária à formalização da denúncia policial.

Errada. O cartaz não apresenta a identidade da vítima como requisito para a denúncia.

C

reforçar o apelo ao rompimento do silêncio por meio do rosto parcialmente encoberto pela mão.

Certa. O rosto parcialmente encoberto associa-se visualmente ao silêncio, reforçando os comandos “Não se cale!” e “Denuncie!”.

D

estabelecer uma sequência entre a situação representada na fotografia e a atuação das autoridades.

Errada. Não há uma sequência de acontecimentos representada no cartaz.

E

restringir a orientação da campanha às pessoas que vivenciam diretamente situações de violência.

Errada. O apelo à denúncia não se restringe às vítimas; também pode alcançar testemunhas e outras pessoas que tenham conhecimento da violência.

25 Primeira pessoa do plural GABARITO: D

Texto-base: apresentação do Plano Estadual de Segurança Pública e Defesa Social do Paraná 2024-2034

Vivemos em um cenário nacional em que a Segurança Pública desempenha um papel fundamental na construção de uma sociedade justa e equitativa. Não é novidade o fato de que a criminalidade, em suas mais diversas formas, representa um obstáculo significativo para o desenvolvimento social e econômico de nosso país. Nesse contexto, é imperativo que atuemos de maneira proativa, implementando medidas eficazes para combater com rigor a criminalidade e elevar a sensação de segurança entre os cidadãos.

Nesse ínterim, é com grande satisfação e senso de responsabilidade que esta Secretaria de Estado da Segurança Pública institui o Plano Estadual de Segurança Pública e Defesa Social do Estado do Paraná, consciente da magnitude do desafio que enfrentamos e da necessidade premente de fortalecermos as estratégias para promover a segurança e o bem-estar da população paranaense.

PARANÁ. Secretaria de Estado da Segurança Pública. Plano Estadual de Segurança Pública e Defesa Social 2024–2034. Curitiba, 2024, p. 8.

O emprego reiterado de formas verbais na primeira pessoa do plural (“vivemos”, “atuemos”, “enfrentamos” e “fortalecermos”) contribui para

A

restringir aos responsáveis pela elaboração do Plano os problemas sociais e as medidas de segurança mencionados.

Errada. O emprego da primeira pessoa do plural amplia a perspectiva de participação, em vez de restringi-la aos elaboradores do Plano.

B

conferir informalidade ao documento mediante uma interlocução direta entre a Secretaria e o cidadão paranaense.

Errada. A primeira pessoa do plural não torna o documento informal. O texto mantém linguagem institucional.

C

ocultar a instituição responsável pelo Plano, evitando a identificação dos agentes encarregados de executá-lo.

Errada. A Secretaria de Estado da Segurança Pública é expressamente identificada.

D

construir uma perspectiva coletiva, aproximando o enunciador dos grupos envolvidos no enfrentamento da criminalidade.

Certa. As formas verbais constroem uma perspectiva de participação coletiva e aproximam o enunciador dos envolvidos no enfrentamento do problema.

E

apresentar como já realizadas as ações de combate à criminalidade propostas pela Secretaria de Segurança Pública.

Errada. “Atuemos” e “fortalecermos” expressam ações necessárias ou propostas, sem indicar que todas já tenham sido realizadas.

Gabarito extraoficial completo: tabela por assunto

Questão Gabarito Assunto cobrado
1 E Interpretação: sentido de palavra no contexto
2 A Funções da linguagem (conativa)
3 E Regência verbal
4 A Argumentação e modalização
5 C Inferência
6 D Interpretação de texto
7 D Formação de palavras (sufixo “-ismo”)
8 D Crase
9 C Humor em cartum
10 A Conectivos e reescrita
11 E Intertextualidade
12 B Modalização: certeza x possibilidade
13 B Concordância nominal
14 C Estrutura argumentativa
15 C Coesão lexical
16 B Gênero: divulgação científica
17 B Paralelismo e infinitivo
18 E Pontuação e concordância verbal
19 D Tipologia textual (expositivo e injuntivo)
20 C Linguagem poética
21 A Estilo e sintaxe
22 E Linguagem figurada (personificação)
23 B Ironia
24 C Texto multimodal
25 D Pessoa do discurso e efeito de sentido

O que a prova de Português da PCPR revelou sobre a FGV

A FGV confirmou o perfil que repito em sala: a banca cobra leitura acima de tudo. A maioria das 25 questões exigiu interpretação, inferência, reconhecimento de gêneros e análise de efeitos de sentido. Mesmo as questões de gramática vieram contextualizadas, perguntando o porquê de uma concordância ou de uma vírgula, e não apenas a regra solta.

Outro destaque foi a variedade de textos: notícias, documentos institucionais, cartum, cartaz, crônica, poema e romance, quase sempre com ligação com o Paraná. Quem treinou textos multimodais, modos de organização discursiva e efeitos de sentido de escolhas linguísticas saiu na frente. Nas questões gramaticais, os assuntos foram os de sempre: regência, crase, concordância e conectivos.

Perguntas frequentes

Quando sai o gabarito oficial da PCPR 2026?

O gabarito preliminar oficial é publicado pela FGV no site da banca, conforme o cronograma do edital. Acompanhe a página do concurso para conferir a data e o prazo de recursos.

Este gabarito vale para todos os tipos de prova?

Não. A numeração segue o caderno Tipo 2. Em outros tipos, a ordem das questões e das alternativas pode mudar. Confira sempre pelo conteúdo do enunciado.

Este gabarito de Português é oficial?

Não. Trata-se de um gabarito extraoficial comentado pelo Professor Décio Terror logo após a prova. Ele serve para você estimar sua nota até a divulgação do resultado oficial.

Quantas questões de Português caíram na prova de Agente da PCPR?

A prova de Língua Portuguesa do caderno comentado teve 25 questões de múltipla escolha, com cinco alternativas cada.

DT

Professor Décio Terror
Professor de Língua Portuguesa para concursos públicos, formado em Letras pela UFJF, aprovado na ESA, na ESFCEX e na PRF e ex-integrante de banca examinadora de concursos federais.

Gabarito Extraoficial PM MA 2026: Português Comentado (Soldado, Cebraspe)

Professor Décio TerrorGabarito extraoficial
PM MA 2026 · Soldado · Cebraspe

Gabarito extraoficial de Português da PM MA 2026: as 15 questões comentadas

Confira o julgamento de cada item da prova de Soldado da Polícia Militar do Maranhão, com explicação clara e direta para você conferir sua nota agora mesmo.

ConcursoPM MA 2026
CargoSoldado
BancaCebraspe
Data da prova11/10/2026
DisciplinaLíngua Portuguesa

A prova objetiva do concurso da Polícia Militar do Maranhão (PM MA) para o cargo de Soldado foi aplicada neste domingo, 11 de outubro de 2026, pelo Cebraspe. Para ajudar você a estimar seu desempenho, preparei o gabarito extraoficial de Língua Portuguesa, com o comentário de todos os 15 itens.

A prova trouxe dois textos: um artigo de opinião sobre mobilidade urbana e uma notícia sobre a contaminação do rio Tietê. Os itens cobraram interpretação, tipologia textual, pontuação, concordância, conectivos, vozes verbais e sinonímia, temas clássicos da banca.

Atenção: este é um gabarito extraoficial, elaborado logo após a prova. O resultado definitivo depende do gabarito preliminar oficial divulgado pelo Cebraspe e da análise dos recursos. Lembre-se também do critério da banca: no modelo Certo/Errado, cada item errado anula um item certo. Por isso, deixar em branco pode ter sido uma boa estratégia nos itens de dúvida.

Gabarito rápido de Português PM MA 2026

Se você só quer conferir as respostas, aqui está o resultado de cada item:

1CERTO
2ERRADO
3ERRADO
4CERTO
5ERRADO
6CERTO
7CERTO
8CERTO
9ERRADO
10ERRADO
11ERRADO
12CERTO
13CERTO
14CERTO
15ERRADO

Total: 8 itens certos e 7 itens errados.

Texto 1: mobilidade urbana (questões 1 a 7)

Mobilidade urbana é um tema constantemente discutido no Brasil. A maioria das grandes cidades sofre com graves problemas de transporte e enfrenta desafios em promover meios de diminuir o impacto do trânsito no dia a dia da população. Uma das causas do aumento de engarrafamentos é bem óbvia: há mais carros nas ruas. O investimento no desenvolvimento da indústria automobilística facilitou o acesso a veículos particulares, o que deixou as vias públicas sobrecarregadas. Na contramão, não houve — e continua não havendo — programas de incentivo ao transporte público, coletivo, mais econômico.

Para explicitar o contrassenso, basta observar as cidades pelo mundo em que o transporte público é prioridade, os ônibus e metrôs são de boa qualidade e as pessoas se locomovem com facilidade, enquanto aqui, pelo contrário, a infraestrutura é inadequada, os veículos são velhos, a malha de atendimento é ainda restrita; tudo isso dificulta o uso desses modais como prioridade pela população. Grande parte dessa realidade vem da falta de interesse governamental em estabelecer programas de desenvolvimento que contemplem a mobilidade urbana sustentável.

Janguiê Diniz. Mobilidade urbana também é democratização, 23/10/2019. Internet: <atmes.org.br> (com adaptações).

Comando: Julgue os itens a seguir, referentes às ideias e a aspectos linguísticos do texto precedente.

1No trecho “a infraestrutura é inadequada, os veículos são velhos, a malha de atendimento é ainda restrita; tudo isso dificulta o uso desses modais como prioridade pela população” (segundo parágrafo), o sinal de ponto e vírgula empregado logo após o termo “restrita” delimita a enumeração relacionada à expressão “tudo isso”, que sintetiza as três constatações enumeradas anteriormente.

Julgamento: CERTO

O trecho enumera três constatações: a infraestrutura é inadequada; os veículos são velhos; a malha de atendimento é ainda restrita. O ponto e vírgula marca o término dessa enumeração e a separa da oração seguinte. A expressão “tudo isso” retoma e sintetiza as três informações anteriores.

2O texto caracteriza-se como predominantemente narrativo, o que se evidencia pela sequência de acontecimentos relacionados ao desenvolvimento do transporte urbano e à ampliação do número de veículos particulares.

Julgamento: ERRADO

O texto é predominantemente dissertativo-argumentativo: apresenta um problema, explica suas causas e critica a insuficiência de iniciativas governamentais voltadas ao transporte público. A referência ao desenvolvimento da indústria automobilística serve como argumento, sem constituir uma narrativa de acontecimentos.

3No trecho “Na contramão, não houve — e continua não havendo — programas de incentivo ao transporte público” (primeiro parágrafo), a substituição das formas verbais “houve” e “havendo” por existiu e existindo, respectivamente, preservaria a correção gramatical e o sentido do texto.

Julgamento: ERRADO

O verbo “haver”, no sentido de existir, é impessoal e permanece no singular. Já o verbo “existir” possui sujeito e deve concordar com ele.

Na reescrita, “programas de incentivo ao transporte público” seria o sujeito plural. Assim, a construção correta seria:

“Na contramão, não existiram — e continuam não existindo — programas de incentivo ao transporte público.”

Portanto, seriam necessárias alterações também no verbo “continua”.

4O autor do texto sustenta que o aumento do número de veículos particulares contribuiu para o agravamento dos problemas de mobilidade urbana no Brasil, bem como critica a insuficiência de iniciativas governamentais de valorização do transporte público.

Julgamento: CERTO

O primeiro parágrafo relaciona o aumento dos engarrafamentos à presença de mais carros nas ruas e afirma que o acesso a veículos particulares deixou as vias públicas sobrecarregadas. Além disso, o autor critica a falta de programas de incentivo ao transporte público e de interesse governamental em promover a mobilidade urbana sustentável.

5No trecho “enquanto aqui, pelo contrário, a infraestrutura é inadequada, os veículos são velhos, a malha de atendimento é ainda restrita” (segundo parágrafo), a conjunção “enquanto” estabelece uma relação temporal entre a situação do transporte público no Brasil e a de outros países.

Julgamento: ERRADO

Nesse contexto, “enquanto” estabelece uma relação de contraste, contrapondo a qualidade do transporte público em outras cidades à precariedade encontrada no Brasil. A expressão “pelo contrário” reforça esse valor contrastivo.

6No trecho “o que deixou as vias públicas sobrecarregadas” (primeiro parágrafo), o termo “sobrecarregadas” poderia ser deslocado para imediatamente após “deixou” sem alteração dos sentidos e das relações sintáticas originalmente estabelecidas.

Julgamento: CERTO

A reescrita seria:

“o que deixou sobrecarregadas as vias públicas”.

Nas duas posições, “as vias públicas” exerce a função de objeto direto, e “sobrecarregadas” é o predicativo desse objeto. O deslocamento preserva as relações sintáticas e o sentido da construção.

7No trecho “as cidades pelo mundo em que o transporte público é prioridade” (segundo parágrafo), a oração “em que o transporte público é prioridade” caracteriza as cidades mencionadas e restringe seu sentido.

Julgamento: CERTO

Trata-se de uma oração subordinada adjetiva restritiva, introduzida pelo pronome relativo “que”, antecedido da preposição “em”.

A oração delimita quais cidades devem ser observadas: aquelas em que o transporte público é prioridade. Portanto, não se refere indistintamente a todas as cidades do mundo.

Texto 2: contaminação do rio Tietê (questões 8 a 15)

O rio Tietê não tem nenhum trecho plenamente livre de contaminação. A conclusão é da Fundação SOS Mata Atlântica, a partir da realização da Expedição Tietê 2025, em parceria com universidades e centros de pesquisa.

As análises mostram que o rio tem múltiplas camadas simultâneas de contaminação: microbiológica, química, farmacológica, plástica, agrícola e orgânica.

Ao longo de mais de 1,1 mil quilômetros do rio, da nascente em Salesópolis (SP) à foz no rio Paraná, em Itapura (SP), foram identificados microplásticos em todos os pontos analisados, além de 25 tipos de agrotóxicos e 16 substâncias entre fármacos e drogas ilícitas.

A expedição mostrou que o problema vai além dos centros urbanos. “Sempre se tem a ideia de que só esgoto é o problema do nosso rio, e esse estudo mostra que é muito mais complexo que isso”, disse Gustavo Veronesi, coordenador da causa Água Limpa da Fundação SOS Mata Atlântica.

“O estudo mostra que, mesmo em áreas bem protegidas e bem cuidadas, como é o caso do Parque da Nascente do Tietê, a gente pode ter interferência das ações humanas na vizinhança e em áreas próximas, e que todo cuidado com os nossos rios é importante”, mencionou.

Cada tipo de contaminação varia ao longo do percurso e reflete diretamente situações como urbanização, saneamento insuficiente, uso agrícola do solo, presença de reservatórios e mudanças na ocupação do solo na bacia hidrográfica.

Camila Boehm. Rio Tietê não tem trecho livre de contaminação, 25/6/2026. Internet: <umsoplaneta.globo.com> (com adaptações).

Comando: Considerando as ideias veiculadas no texto precedente, sua estruturação linguística e o vocabulário nele empregado, julgue os próximos itens.

8De acordo com as informações veiculadas no texto, é correto afirmar que a proteção de áreas naturais, embora auxilie a preservação dos recursos hídricos, não impede completamente os efeitos de atividades humanas realizadas em seu entorno.

Julgamento: CERTO

O quinto parágrafo afirma que até áreas bem protegidas e cuidadas podem sofrer interferência de ações humanas realizadas na vizinhança e em áreas próximas. Portanto, a proteção dessas áreas não elimina completamente os impactos provenientes de seu entorno.

9No trecho “foram identificados microplásticos em todos os pontos analisados” (terceiro parágrafo), a locução verbal “foram identificados” poderia ser substituída por identificou-se, sem prejuízo da correção gramatical do texto.

Julgamento: ERRADO

A construção original está na voz passiva analítica, e “microplásticos” é o sujeito paciente, no plural.

Na passagem para a voz passiva sintética, o verbo também deve ficar no plural:

“Identificaram-se microplásticos em todos os pontos analisados.”

O “se” é partícula apassivadora. A forma “identificou-se” desrespeitaria a concordância com o sujeito plural.

10Depreende-se da leitura do texto que o esgoto nos grandes centros urbanos é a principal causa da contaminação do rio Tietê.

Julgamento: ERRADO

O texto não estabelece uma hierarquia entre as causas da contaminação nem aponta o esgoto dos grandes centros urbanos como a principal delas.

Ao contrário, destaca que o problema vai além desses centros e envolve diferentes formas de contaminação. A declaração de Gustavo Veronesi questiona justamente a ideia de que o esgoto seja o único problema do rio.

11No período “O rio Tietê não tem nenhum trecho plenamente livre de contaminação.” (primeiro parágrafo), a substituição do vocábulo “plenamente” por amplamente manteria o sentido original do texto.

Julgamento: ERRADO

“Plenamente” significa completamente, inteiramente. Já “amplamente” significa de maneira ampla, em grande extensão.

O texto afirma que nenhum trecho está totalmente livre de contaminação. A substituição por “amplamente” não preservaria essa ideia de ausência completa de contaminantes.

12No trecho “Sempre se tem a ideia de que só esgoto é o problema do nosso rio, e esse estudo mostra que é muito mais complexo que isso” (quarto parágrafo), a conjunção “e” está empregada com sentido de oposição, contraste.

Julgamento: CERTO

Embora “e” seja normalmente uma conjunção aditiva, nesse contexto assume valor adversativo.

Há contraste entre a ideia corrente de que o esgoto seria o único problema e a conclusão do estudo de que a situação é mais complexa. Esse sentido pode ser evidenciado pela substituição:

“Sempre se tem a ideia de que só esgoto é o problema do nosso rio, mas esse estudo mostra que é muito mais complexo que isso.”

13Estariam mantidas a correção gramatical e a coerência do texto caso o trecho “da nascente em Salesópolis (SP) à foz no rio Paraná” (terceiro parágrafo) fosse reescrito da seguinte forma: desde a nascente em Salesópolis (SP) até a foz no rio Paraná.

Julgamento: CERTO

As duas construções indicam os limites inicial e final do percurso:

  • “da nascente […] à foz”;
  • “desde a nascente […] até a foz”.

A reescrita preserva o sentido e a correção gramatical. Depois de “até”, o emprego da preposição “a” é facultativo nesse caso; por isso, são corretas tanto “até a foz” quanto “até à foz”.

14No segundo parágrafo, a palavra “simultâneas” tem o mesmo sentido de concomitantes.

Julgamento: CERTO

“Simultâneas” e “concomitantes” indicam aquilo que ocorre ao mesmo tempo. No contexto, as palavras expressam a coexistência de diferentes camadas de contaminação no rio.

15No trecho “Ao longo de mais de 1,1 mil quilômetros” (terceiro parágrafo), a flexão de plural no substantivo “quilômetros” justifica-se pela concordância que ele estabelece com o termo “mais”.

Julgamento: ERRADO

“Mais” é um advérbio de quantidade ou intensidade e não determina concordância nominal.

O plural de “quilômetros” decorre da quantidade expressa por “1,1 mil”, que corresponde a 1.100 quilômetros. Mesmo sem “mais”, o substantivo permaneceria no plural: “ao longo de 1,1 mil quilômetros”.

Gabarito comentado: tabela completa

Questão Julgamento Assunto cobrado
1 CERTO Pontuação (ponto e vírgula)
2 ERRADO Tipologia textual
3 ERRADO Concordância verbal (haver x existir)
4 CERTO Interpretação de texto
5 ERRADO Valor semântico de conjunção
6 CERTO Predicativo do objeto e reescrita
7 CERTO Oração adjetiva restritiva
8 CERTO Interpretação de texto
9 ERRADO Voz passiva e concordância
10 ERRADO Interpretação de texto
11 ERRADO Significação de palavras
12 CERTO Conjunção “e” com valor adversativo
13 CERTO Reescrita e crase
14 CERTO Sinonímia
15 ERRADO Concordância nominal

O que a prova de Português da PM MA revelou sobre o Cebraspe

A prova confirmou um padrão que repito sempre em sala: o Cebraspe gosta de reescrita. Seis dos quinze itens pediram para você avaliar uma troca de palavras, um deslocamento de termos ou uma mudança de construção. Quem domina concordância verbal, vozes verbais e o valor semântico dos conectivos sai na frente.

Repare também nas pegadinhas clássicas: o verbo “haver” impessoal, a partícula apassivadora “se”, a conjunção “e” com valor de oposição e a conjunção “enquanto” com valor de contraste. São assuntos que aparecem prova após prova. Se você errou algum deles, vale revisar agora, porque eles voltarão nos próximos concursos policiais.

Perguntas frequentes

Quando sai o gabarito oficial da PM MA 2026?

O gabarito preliminar oficial é publicado pelo Cebraspe no site da banca, conforme o cronograma do edital. Acompanhe a página do concurso para conferir a data exata e o prazo de recursos.

Este gabarito de Português é oficial?

Não. Trata-se de um gabarito extraoficial comentado, feito pelo Professor Décio Terror logo após a aplicação da prova. Ele serve para você estimar sua nota até a divulgação do resultado oficial.

Como calcular a nota na prova do Cebraspe?

No modelo Certo/Errado, cada item correto soma um ponto e cada item incorreto subtrai um ponto. Itens deixados em branco não pontuam nem descontam.

Quantos itens certos e errados teve a prova de Português?

Segundo este gabarito extraoficial, foram 8 itens certos (1, 4, 6, 7, 8, 12, 13 e 14) e 7 itens errados (2, 3, 5, 9, 10, 11 e 15).

DT

Professor Décio Terror
Professor de Língua Portuguesa para concursos públicos, formado em Letras pela UFJF, aprovado na ESA, na ESFCEX e na PRF e ex-integrante de banca examinadora de concursos federais.

Português Marinha SMV RM2 2026: questões com recurso

Análise técnica das questões 14, 23, 31 e 33 com base em Celso Cunha e Houaiss

 

A prova de Português da Marinha do Brasil – SMV RM2 2026 trouxe questões que podem gerar recurso administrativo e até anulação, especialmente em itens que apresentam dupla interpretação ou cobrança discutível do conteúdo programático.

Neste artigo, você confere a análise técnica das questões mais sensíveis da prova, com fundamentação em gramáticas normativas e critérios adotados em concursos militares. Se você fez a prova e quer entender se vale a pena recorrer, esta análise vai te ajudar a identificar os pontos-chave.

A prova de Português do SMV RM2 2026 – Oficial da Marinha (Prova Verde) trouxe questões que merecem análise técnica aprofundada e fundamentação normativa para fins de recurso.

 

📌 Link oficial da prova (Prova Verde):
https://www.marinha.mil.br/com3dn/sites/www.marinha.mil.br.com3dn/files/smv/SMV%20OF%20PORT%20VERDE_0.pdf

📌 Link do gabarito preliminar:
https://www.marinha.mil.br/com8dn/sites/www.marinha.mil.br.com8dn/files/GabDiv_PS-SMV-2026_COM8DN.pdf

Neste artigo, apresento análise técnica e fundamentada nas seguintes obras:

  • Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa

  • Nova Gramática do Português Contemporâneo, de Celso Cunha e Lindley Cintra

Vamos aos pontos centrais.


Questão 14 – Recurso Português Marinha SMV RM2 2026

Observe o trecho: “Passou-se muito tempo.”-5°§. O vocábulo destacado é:

(A) elemento de ênfase linguística.

(B) pronome reflexivo.

(C) índice de indeterminação do sujeito.

(D) parte integrante do verbo.

(E) pronome apassivador.

Gabarito preliminar: E

Recurso: Solicitar alteração da alternativa (E) para (A).

A questão solicita a classificação do vocábulo “se” na oração “Passou-se muito tempo.”, tendo o gabarito preliminar apontado a alternativa (E): pronome apassivador. Contudo, essa classificação não encontra respaldo na descrição gramatical normativa nem na lexicografia autorizada, conforme demonstrado a seguir.

Fundamentação no Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa:

O Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa, no verbete “se”, registra explicitamente o uso desse vocábulo como partícula expletiva:

“se: (…) 9. partícula expletiva, sem função sintática, usada para reforçar ou dar realce à ação verbal, como em ‘foi-se embora’, ‘passaram-se os anos’.”

(HOUAISS, Antônio; VILLAR, Mauro de Salles. Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa. Rio de Janeiro: Objetiva, 2009, verbete “se”, p. 1837.)

Essa definição é perfeitamente aplicável ao contexto da questão, pois a oração “Passou-se muito tempo” mantém o mesmo valor semântico sem a presença do pronome:

Muito tempo passou. O tempo passou.

Isso demonstra que o “se” não exerce função sintática essencial, mas atua como elemento de realce ou ênfase, exatamente conforme descrito pelo Houaiss.

O mesmo dicionário também distingue claramente a partícula apassivadora, associando-a a verbos transitivos diretos:

“se: (…) partícula apassivadora, que acompanha verbo transitivo direto na formação da voz passiva sintética, como em ‘vendem-se casas’.” (HOUAISS, 2009, p. 1837.)

No caso da oração em análise, o verbo “passar” não está empregado como transitivo direto, mas como verbo intransitivo, no sentido de transcorrer, decorrer ou durar.

O próprio Houaiss registra esse sentido do verbo passar:

“passar: (…) 31. decorrer, transcorrer (tempo); escoar-se: ‘passaram-se muitos anos’.” (HOUAISS, 2009, verbete “passar”, p. 1403.)

Note-se que o próprio dicionário usa construção idêntica à da questão e a associa ao sentido de transcorrer, não à voz passiva.

 

Fundamentação na Nova Gramática do Português Contemporâneo – Celso Cunha e Lindley Cintra

Celso Cunha e Lindley Cintra definem o pronome apassivador da seguinte forma:

“O pronome se é apassivador quando forma a voz passiva sintética com verbos transitivos diretos (ou transitivos diretos e indiretos), cujo sujeito é o paciente da ação verbal:

Vendem-se casas.

Alugam-se apartamentos.”

(CUNHA, Celso; CINTRA, Lindley. Nova Gramática do Português Contemporâneo. 6. ed. Rio de Janeiro: Lexikon, 2013, p. 390.)

Essa definição estabelece dois requisitos obrigatórios:

  1. verbo transitivo direto;
  2. sujeito paciente que sofre a ação verbal.

Nenhum desses requisitos ocorre na oração da questão.

O verbo “passar”, no sentido de transcorrer, é intransitivo, e o termo “muito tempo” não sofre ação de agente externo; ao contrário, constitui o próprio núcleo do processo verbal.

Além disso, Cunha e Cintra reconhecem explicitamente o uso do “se” como partícula expletiva:

“O pronome se pode apresentar-se como partícula expletiva ou de realce, sem exercer função sintática, como em:

Foi-se embora.

Riram-se muito.”

(CUNHA; CINTRA, 2013, p. 394.)

Essa descrição corresponde exatamente à estrutura da oração:

Passou-se muito tempo.

O “se”, portanto, não altera a estrutura sintática nem transforma o verbo em transitivo direto.

 

Impossibilidade de voz passiva sintética

Para que houvesse pronome apassivador, seria necessário converter a oração em passiva analítica, como ocorre em:

Vendem-se casas → Casas são vendidas.

            Contudo, a tentativa de conversão da oração da questão resulta em construção semanticamente incoerente:

Muito tempo foi passado por alguém.

            Essa construção não corresponde ao sentido original, pois o verbo não expressa ação praticada por agente externo, mas sim ocorrência temporal. Logo, não há voz passiva sintética.

Conclusão

Com base no Dicionário Houaiss (p. 1837 e p. 1403), que reconhece o uso do “se” como partícula expletiva em construções como “passaram-se os anos” e na Nova Gramática do Português Contemporâneo, de Celso Cunha e Lindley Cintra (p. 390 e p. 394), que restringe o pronome apassivador a verbos transitivos diretos e reconhece o uso expletivo do “se”, conclui-se que o vocábulo “se” na oração “Passou-se muito tempo.” não exerce função de pronome apassivador. Trata-se de partícula expletiva, isto é, elemento de ênfase linguística.

Dessa forma, solicita-se respeitosamente a alteração do gabarito da alternativa (E) pronome apassivador para (A) elemento de ênfase linguística.

 

QUESTÃO 23 – Recurso Português Marinha SMV RM2 2026

Leia o trecho: “Vi-os fortes e louros irromper…”-8°§. Assinale a opção em que o termo destacado possui a mesma função sintática que no termo sublinhado no fragmento.

(A) O velho carecia de roupa.

(B) A criança dormiu na cama.

(C) Adormeceu o vento.

(D) O rapaz comprou um livro.

(E) Pedro viajou de carro pelo país.

Gabarito preliminar: D

Recurso: Solicitar anulação da questão

Preliminarmente, a banca entendeu que o pronome átono “os” é objeto direto e julgou a alternativa (D) como a correta, pois o termo “um livro” é objeto direto do verbo transitivo direto “comprou”.

Porém, havemos de aprofundar nessa análise:

É certo que o pronome átono “os”, de maneira geral, pode ocupar a função sintática de objeto direto, em frases como “Eu os vi”, “Eu os comprei”. Nesses exemplos, os verbos são transitivos diretos e o pronome “os” é o objeto direto.

Porém, no contexto da questão, especificamente no período “Vi-os fortes e louros irromper pelo céu onde tinha morrido de morte linda a aurora.”, o verbo “Vi” é sensitivo e o pronome átono “os” é sujeito do infinitivo “irromper”.

Numa análise sintática, o verbo “Vi” é transitivo direto e o objeto direto, e toda a oração posterior (“os fortes e louros irromper pelo céu”) é subordinada substantiva objetiva direta reduzida de infinitivo, em que o pronome átono “os” é o sujeito do infinitivo “irromper” e o termo “fortes e louros” é o predicativo do sujeito dentro de um predicado verbo-nominal.

Isso é reforçado na explicação de Celso Cunha e Lindley Cintra:

“O pronome oblíquo átono sujeito de um infinitivo

Se compararmos as duas frases:

Mandei que ele saísse…

Mandei-o sair.

verificamos que o objeto direto, exigido pela forma verbal mandei, é expresso:

a) na primeira, pela oração que ele saísse;

b) na segunda, pelo pronome seguido do infinitivo: o sair. E verificamos, também, que o pronome o está para o infinitivo sair como o pronome ele para a forma finita saísse, da qual é sujeito. Logo, na frase acima o pronome o desempenha a função de sujeito do verbo sair.

Construções semelhantes admitem os pronomes me, te, nos, vos (e o reflexivo se, que estudaremos à parte). Exemplo:

Deixe-me falar.

Mandam-te entrar.

Fez-nos sentar.”

(CUNHA, Celso; CINTRA, Lindley. Nova Gramática do Português Contemporâneo. 7. ed. Rio de Janeiro: Lexikon, 2013, p. 316.)

Note-se que a explicação dos renomados autores não abre possível interpretação de o pronome átono, neste caso, ser objeto direto. Há ênfase de que, neste caso, o pronome átono é sujeito do infinitivo posterior.

Mas, do período da questão, poder-se-ia duvidar de o pronome ser sujeito, se o infinitivo está no singular e o sujeito está no plural. Essa possível dúvida é sanada com a explicação dos autores quanto à concordância no infinitivo:

“2. É também normal o emprego do infinitivo não flexionado:

(…)

2.°) quando depende dos auxiliares causativos (deixar, mandar, fazer e sinônimos) ou sensitivos (ver, ouvir, sentir e sinônimos) e vem imediatamente depois desses verbos ou apenas separado deles por seu sujeito, expresso por um pronome oblíquo:

— Deixas correr os dias como as águas do Paraíba?

(Machado de Assis, OC, II, 119.)

E as lágrimas que choro, branca e calma,

Ninguém as vê brotar dentro da alma!

(F. Espanca, S, 18.)

Esta viu-os ir pouco a pouco.

(Machado de Assis, OC, II, 509.)

Neste caso, costuma ocorrer também a forma flexionada, quando entre o auxiliar e o infinitivo se insere o sujeito deste, expresso por substantivo ou equivalente:

Domingos mandou os homens levantarem-se.

(Castro Soromenho, C, 56.)”

(CUNHA, Celso; CINTRA, Lindley. Nova Gramática do Português Contemporâneo. 7. ed. Rio de Janeiro: Lexikon, 2013, p. 501.)

O exemplo literal acima (“Esta viu-os ir pouco a pouco.”) reforça que o infinitivo “ir” não concorda com o sujeito “os”. Da mesma forma, no trecho da questão, “irromper” não concorda com o sujeito “os”: “Vi-os fortes e louros irromper pelo céu”.

Assim, pela bibliografia expressa do edital, entendemos que “os” não é objeto direto, mas sim sujeito acusativo, isto é, sujeito de um infinitivo posterior.

Porém, a banca deu como gabarito a alternativa (D): O rapaz comprou um livro.

A única alternativa que apresenta o termo grifado como sujeito é a alternativa (C): Adormeceu o vento.

Porém, este sujeito não tem as características peculiares do sujeito acusativo, isto é, um pronome átono na função de sujeito de um infinitivo.

Assim, entende-se não haver uma resposta correta para a questão, ao que se pede sua anulação.

 

QUESTÃO 31 – Recurso Português Marinha SMV RM2 2026

Observe o trecho: “(…) é o de hoje, o agora, o aqui – e isso não há.”-4°§. A oração destacada no fragmento tem sujeito:

(A) inexistente, devido ao uso do verbo “haver”.

(B) simples, representado pelo pronome “isso”.

(C) composto, representado por “o de hoje, o agora, o aqui”.

(D) indeterminado, devido ao uso do verbo “haver”.

(E) elíptico, retomando um termo anterior.

Gabarito preliminar: D

Recurso: Solicitar alteração da alternativa (D) para (A).

O gabarito preliminar indicou a alternativa (D) sujeito indeterminado, devido ao uso do verbo ‘haver’. Contudo, essa classificação não encontra respaldo na descrição normativa da língua portuguesa, especialmente conforme exposto por Celso Cunha e Lindley Cintra.

Fundamentação gramatical

Celso Cunha e Lindley Cintra afirmam expressamente que o verbo “haver”, quando empregado no sentido de existir, é impessoal, não admitindo sujeito:

“O verbo haver, no sentido de existir, acontecer ou indicar tempo decorrido, é impessoal, isto é, não tem sujeito, permanecendo invariável na terceira pessoa do singular.”

(CUNHA, Celso; CINTRA, Lindley. Nova Gramática do Português Contemporâneo. 6. ed. Rio de Janeiro: Lexikon, 2013, p. 148.)

A oração em análise é “isso não há.”

O verbo “haver”, nesse contexto, possui claramente o sentido de existir. A estrutura equivale semanticamente a “isso não existe.”

Sendo o verbo impessoal, a oração é sem sujeito.

Ainda segundo Cunha e Cintra:

“Nas orações sem sujeito, o verbo permanece na terceira pessoa do singular, por não haver termo que funcione como sujeito.”

(CUNHA; CINTRA, 2013, p. 147.)

Portanto, não há possibilidade de classificação como sujeito indeterminado.

Análise sintática da oração

Na oração “isso não há.”, o termo “isso” não exerce função de sujeito. Ele atua como objeto direto antecipado por ênfase ou elemento de retomada discursiva.

A ordem direta seria “Não há isso.”

Segundo a norma gramatical, em construções com “haver” no sentido de existir, o termo que o segue é objeto direto, e não sujeito.

Assim, a oração é classificada como oração sem sujeito (sujeito inexistente).

Conclusão

Com base na Nova Gramática do Português Contemporâneo, de Celso Cunha e Lindley Cintra (p. 147–148), o verbo “haver”, no sentido de existir, é impessoal e não admite sujeito.

Dessa forma, a oração “isso não há” é oração sem sujeito.

Solicita-se, portanto, a alteração do gabarito da alternativa (D) sujeito indeterminado para (A) inexistente, devido ao uso do verbo “haver”.

 


QUESTÃO 33 – Recurso Português Marinha SMV RM2 2026

No fragmento “Abençoado seja o Sol. Abençoado seja о dia. Abençoado seja o descanso…” ocorre:

(A) uma manutenção temática.

(B) um paralelismo sintático.

(C) uma inversão sintática.

(D) uma paráfrase.

(E) uma variação fonológica.

Gabarito preliminar: B

Recurso: Solicitar anulação da questão, por haver duas alternativas corretas.

A questão apresenta o fragmento “Abençoado seja o Sol. Abençoado seja o dia. Abençoado seja o descanso…”

O gabarito preliminar indicou a alternativa (B) paralelismo sintático.

De fato, há paralelismo estrutural, pois se repete o mesmo arranjo sintático nas três orações. Contudo, a análise gramatical revela também a ocorrência inequívoca de inversão sintática, o que torna igualmente correta a alternativa (C) uma inversão sintática.

Cada uma das orações apresenta construção típica da voz passiva analítica, em que o particípio pelo verbo auxiliar “ser” + particípio do verbo principal “Abençoado”.

Segundo Celso Cunha e Lindley Cintra:

“A voz passiva analítica forma-se com o verbo auxiliar ser e o particípio do verbo principal.”

(CUNHA, Celso; CINTRA, Lindley. Nova Gramática do Português Contemporâneo. 6. ed. Rio de Janeiro: Lexikon, 2013, p. 443.)

No fragmento, ocorre deslocamento do particípio para a posição inicial “Abençoado seja o Sol.”

Trata-se, portanto, de reorganização da locução verbal da passiva analítica.

A ordem direta da oração, conforme descrevem Cunha e Cintra, é:

“A ordem direta da oração em português é: sujeito + verbo + complementos.”

(CUNHA; CINTRA, 2013, p. 600.)

Na estrutura da oração, teríamos Sujeito + verbo auxiliar + particípio: “O Sol seja abençoado.”

Entretanto, o que ocorre no fragmento é Particípio + verbo auxiliar + sujeito: “Abençoado seja o Sol.”

Há, portanto, deslocamento do núcleo verbal da locução passiva para antes do sujeito.

Cunha e Cintra definem:

“A inversão consiste na alteração da ordem direta dos termos da oração, geralmente com finalidade expressiva ou estilística.”

(CUNHA; CINTRA, 2013, p. 601.)

Logo, além do paralelismo, verifica-se alteração da ordem sintática padrão.

É inegável que há paralelismo sintático, pois as três orações repetem a mesma estrutura formal.

Contudo, esse paralelismo é construído sobre uma estrutura invertida da passiva analítica.

Logo, a ocorrência de paralelismo não exclui a existência simultânea de inversão sintática.

Solicita-se, portanto, a anulação da questão, por admitir duas alternativas corretas igualmente fundamentadas na gramática normativa.

 


📌 Conclusão – Recursos Fundamentados na Prova Verde SMV RM2 2026

Após análise técnica com base:

  • no Dicionário Houaiss

  • na Nova Gramática do Português Contemporâneo (Celso Cunha e Lindley Cintra)

Conclui-se:

Questão 14 → deve ser alterada para alternativa (A)

Questão 23 → deve-se pedir anulação

Questão 31 → deve ser alterada para alternativa (A)

Questão 33 → admite dupla resposta (B e C), cabendo anulação

 

Veja o que o edital orienta sobre como fazer o recurso:

“12. DOS RECURSOS DA PROVA OBJETIVA (PO), DA PROVA DE TÍTULOS (PT), DA VERIFICAÇÃO DOCUMENTAL (VD) E DA VERIFICAÇÃO DE DADOS BIOGRÁFICOS (VDB)

12.1 – O voluntário que desejar, poderá interpor recurso contra as questões da PO, em face de erros ou omissões nos gabaritos divulgados dessa prova; e contra o resultado da PT, VDB e VD.

12.2 – O voluntário disporá do prazo de 3 (três) dias úteis, contados a partir do dia seguinte ao da divulgação do gabarito da PO e das notas da PT, na página do Com1°DN, para apresentar seu recurso.

12.3 – Os recursos deverão ser entregues, dentro do prazo estipulado no subitem 12.2, devidamente assinados pelos voluntários, diretamente no Com1°DN.

12.4 – Os recursos deverão ser:

a) redigidos de acordo com os modelos contidos nos Apêndice VI e VII, deste Aviso, para PO e PT, respectivamente, devidamente fundamentados e incluindo bibliografia pesquisada. Deverão conter todos os dados que informem a identidade do requerente, seu número de inscrição, endereço completo e assinatura;

b) se manuscritos, redigidos em letra legível com caneta esferográfica azul ou preta;

c) apresentados com argumentação lógica e consistente, indicando o Processo Seletivo, prova (profissão e cor), número da questão, a resposta marcada pelo voluntário e a divulgada pelo gabarito e a sua finalidade;

d) um para cada questão; e

e) entregue pessoalmente ao Comando do respectivo Distrito Naval, observado o prazo estabelecido nos subitens 12.2 e 12.5.


🎯 Palavra Final ao Candidato da Marinha SMV 2026

 

Recursos bem fundamentados aumentam significativamente as chances de deferimento.

Não basta discordar do gabarito.
É preciso sustentar tecnicamente, com base na gramática normativa.

Se você está se preparando para a Marinha SMV RM2, continue acompanhando as análises detalhadas aqui no blog. A diferença entre ficar na classificação e conquistar a vaga pode estar em um recurso bem estruturado.

Venha conosco para uma aula onde irei apresentar os recursos prontos da prova de Português, com análise detalhada das questões, comentários estratégicos e explicação dos pontos mais cobrados pela banca.

 

Abaixo faço o comentário da prova e dos possíveis recursos numa aula ao vivo. Clique abaixo e veja:

 

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Boa sorte e grande abraço!

Professor Décio Terror

Português Marinha SMV RM3 2026: Questões 14 e 34 com Possível Anulação (Recurso)

A prova de Português da Marinha – SMV RM3 Oficial 2026 apresentou duas questões objetivas passíveis de recurso, pois há indícios técnicos de dupla correção e/ou vício no conteúdo cobrado, o que pode levar à anulação.

A seguir, você confere a análise completa das questões 14 e 34, com fundamentação baseada em gramática normativa e no conteúdo previsto em edital.

Observe a questão 14

14. (Marinha / SMV RM3 Oficial 2026)

Observe o trecho: “(…) seria bastante para justificá-la a nossos olhos.” 4°§, em que o pronome foi empregado de acordo com a norma padrão.

Assinale a opção em que a colocação do pronome também está correta.

(A) Vão buscar-me na saída do hospital

(B) Não pode se calcular o tempo que viajaremos.

(C) Em que posso-lhe ser útil, senhor?

(D) O sufrágio que vai me dar será uma consagração.

(E) Deus nos há de proteger!

Gabarito: E (Recurso)

Justificativa de possível anulação da questão 14

A questão 14 deve ser anulada, pois apresenta duas alternativas corretas, (A) e (E), ambas plenamente respaldadas pela norma culta da língua portuguesa, conforme a Nova Gramática do Português Contemporâneo, de Celso Cunha e Lindley Cintra, obra expressamente indicada na bibliografia do concurso.

A banca considerou correta apenas a alternativa (E) – “Deus nos há de proteger!”. De fato, tal alternativa está adequada à norma padrão, uma vez que, na locução verbal, admite-se a colocação do pronome junto ao verbo auxiliar.

Entretanto, a alternativa (A) – “Vão buscar-me na saída do hospital” – também está correta, o que torna o gabarito oficial indevidamente restritivo.

Na alternativa (A), verifica-se a locução verbal “vão buscar”, em que:

  • “vão” funciona como verbo auxiliar;
  • “buscar” é o verbo principal, flexionado no infinitivo;
  • o pronome oblíquo átono “me” encontra-se corretamente posposto ao verbo principal (buscar-me).

Conforme a gramática indicada pela própria banca (Cunha & Cintra, p. 328–330), nas locuções verbais em que o verbo principal se encontra no infinitivo ou no gerúndio, é sempre possível a ênclise ao verbo principal, como expressamente estabelece o item 1º dessa gramática:

“Nas locuções verbais em que o verbo principal está no infinitivo ou no gerúndio pode dar-se:
1º) Sempre a ênclise ao infinitivo ou ao gerúndio.”

A obra apresenta, inclusive, exemplos consagrados que confirmam essa possibilidade normativa, tais como:

  • “O roupeiro veio interromper-me.”
  • “Que poderá dizer-nos aquele rato de biblioteca?”
  • “Só quero preveni-lo contra as exagerações do Prólogo.”
  • “Ia desenrolando-se a paisagem.”

Dessa forma, a construção “vão buscar-me” está rigorosamente de acordo com a norma padrão, não havendo qualquer elemento atrativo que imponha a próclise, nem impedimento à ênclise ao verbo principal no infinitivo.

A banca, ao fundamentar sua correção exclusivamente no item 3º da gramática — que trata da ênclise ao verbo auxiliar quando não há condições para a próclise — incorreu em equívoco interpretativo, pois tal item não exclui a regra estabelecida no item 1º.

O item 3º apenas esclarece que, inexistindo palavra atrativa, não se impõe a próclise, admitindo-se, nesse caso, a ênclise ao verbo auxiliar, como nos exemplos:

  • “Vão-me buscar, sem mastros e sem velas…”
  • “Ia-me esquecendo dela.”
  • “A cidade ia-se perdendo…”

Contudo, o fato de a gramática apresentar exemplos com ênclise ao verbo auxiliar não invalida nem restringe a possibilidade, igualmente normativa, de ênclise ao verbo principal, expressamente autorizada no item 1º, à página 328.

Assim, resta comprovado que as alternativas (A) e (E) estão corretas segundo a norma culta, razão pela qual, havendo mais de uma resposta válida, impõe-se a anulação da questão, em respeito ao princípio da unicidade da alternativa correta.

 

Observe a questão 34

34. (Marinha / SMV RM3 Oficial 2026)

Observe o fragmento: “(…) como a saíra-sete-cores, a saíra-ferrugem e a saíra-militar, tendem a ser pequenas (…) 2%.

Assinale a opção em que o vocábulo está com a grafia correta.

(A) Semirreta.

(B) Minissaia.

(C) Circunavegação.

(D) Ultra-som.

(E) Co-piloto.

Gabarito: B

Professor Décio Terror, segue a justificativa técnica para pedido de anulação da questão 34, organizada em dois fundamentos autônomos (programático e gramatical), com redação adequada a recurso administrativo, clara e objetiva.


Justificativa de possível anulação da questão 34

A questão 34 deve ser anulada por duplo fundamento:
(i) inadequação ao conteúdo programático previsto no edital;
(ii) existência de mais de uma alternativa correta, o que viola o princípio da unicidade da resposta.


1. Inadequação ao conteúdo programático do edital

O edital do concurso, ao tratar de Gramática – sistema ortográfico em vigor, restringe expressamente o conteúdo aos seguintes tópicos:

“acentuação gráfica e uso do sinal indicador de crase”.

Confirme:

“GRAMÁTICA – sistema ortográfico em vigor: acentuação gráfica e uso do sinal indicador de crase; aspectos morfológicos: estrutura e formação de palavras, classes de palavras, flexão (nominal e verbal); organização sintática da frase e do período: frase, oração e período, estrutura da frase; ordem direta e inversa; processos de subordinação e coordenação: valores sintáticos e semânticos; concordância: nominal e verbal; regência: nominal e verbal; transitividade verbal; colocação pronominal; pontuação.”

 

O emprego do sinal de dois-pontos no enunciado do edital tem valor explicativo e delimitador, indicando de forma inequívoca quais aspectos do sistema ortográfico poderiam ser cobrados na prova.

Entretanto, a questão 34 exige do candidato conhecimento específico sobre:

  • emprego do hífen em palavras prefixadas (semirreta, minissaia, ultrassom, copiloto),
  • regras do Acordo Ortográfico de 1990 relativas à composição e prefixação,

conteúdos que não estão abrangidos pelos tópicos expressamente previstos no edital.

Assim, a questão extrapola o conteúdo programático ao cobrar matéria não autorizada, o que, por si só, já fundamenta sua anulação.


2. Existência de duas alternativas corretas: (A) e (B)

Ainda que se superasse a inadequação programática — o que se admite apenas por argumentação —, a questão permanece viciada, pois apresenta mais de uma alternativa correta.

Alternativa (A) – Semirreta

A grafia semirreta, sem hífen, está correta, pois o prefixo semi- termina em vogal. Quando a palavra seguinte é iniciada com R, naturalmente não há hífen e o R é dobrado R: SEMIRRETA

Logo, semirreta é a forma correta e plenamente aceita.

Alternativa (B) – Minissaia

A grafia minissaia, também sem hífen, igualmente está correta, pois, da mesma que a palavra anterior, o prefixo mini- termina em vogal. Quando a palavra seguinte é iniciada com S, naturalmente não há hífen e o S é dobrado S: MINISSAIA.

Portanto, a alternativa (B) também apresenta grafia correta.


Dessa forma, constata-se que:

  • a questão cobra conteúdo fora do recorte previsto no edital;
  • além disso, duas alternativas estão corretas: (A) semirreta e (B) minissaia.

Havendo mais de uma resposta correta, a questão viola o princípio da resposta única, indispensável às provas objetivas, razão pela qual deve ser anulada.

 

Observação: No seu recurso, varie este texto para que a banca invalide seu recurso, porque outras pessoas podem inserir o texto na íntegra.

 

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Boa sorte e grande abraço!

Professor Décio Terror

Recurso contra gabarito questão 7 – Agente e Escrivão da Polícia Federal 2025

A prova da Polícia Federal, aplicada para o cargo de Agente e escrivão, trouxe na questão 07 uma afirmativa que gerou dúvidas entre os candidatos e motivou pedidos de revisão de gabarito. A questão trata da troca entre os conectivos “Logo” e “Além disso” em um trecho do texto-base da prova.

Vamos à questão:

O que é importante considerar:

No texto original:

“Logo, as narrativas aproximam o público porque este se identifica nelas.
Além disso, livros e filmes permitem viagens por diversos mundos…”

  • “Logo”: indica conclusão — ou seja, a ideia que se segue é consequência lógica da anterior.

  • “Além disso”: expressa adição — um novo argumento, sem relação conclusiva direta com o anterior.

Ao inverter essas expressões:

“Além disso, as narrativas aproximam o público porque este se identifica nelas.
Logo, livros e filmes permitem viagens por diversos mundos…”

🟢 O que acontece?

  • Há sim mudança na coesão (as expressões não mantêm a mesma função lógica).

  • Mas a coerência geral do texto é preservada — ou seja, o sentido global ainda é compreensível e logicamente organizado.

 


Veja abaixo o recurso que preparei:

Prezados Avaliadores,

Interponho recurso contra o gabarito oficial da questão, que considera errada a afirmação de que o intercâmbio das expressões “Logo” (terceiro período) e “Além disso” (quarto período) no texto manteria a coerência das ideias. Argumenta-se que, apesar da alteração das relações coesivas, a coerência textual é preservada.

É fundamental distinguir coesão de coerência. A coesão refere-se aos mecanismos linguísticos de conexão formal entre as partes do texto (conectivos, pronomes etc.). A coerência, por sua vez, diz respeito ao sentido lógico, à unidade temática e à ausência de contradições que tornam o texto inteligível e relevante, operando em um plano semântico-cognitivo. A alteração de elementos coesivos não implica, necessariamente, a quebra da coerência.

No texto original, “Logo” introduz a identificação do público como uma conclusão direta da natureza da narrativa, e “Além disso” adiciona a capacidade de proporcionar novas experiências como um argumento complementar.

 

Ao realizar o intercâmbio dos conectivos:

  1. Com “Além disso” introduzindo a identificação do público, esta passa a ser apresentada como mais um argumento que se soma à tese da prevalência das narrativas, complementando sua característica de mimetizar a vida.
  2. Com “Logo” introduzindo a capacidade de proporcionar viagens e conhecimentos, esta se torna uma conclusão lógica do poder das narrativas, já que elas espelham a vida e geram identificação.

 

Em ambas as construções, as ideias centrais – a relação das narrativas com a vida, a identificação do público e a capacidade de gerar novas experiências – permanecem semanticamente conectadas ao tema geral da prevalência e do valor das narrativas. Não há contradição ou prejuízo ao encadeamento lógico das ideias. A coesão se modifica, mas a coerência, enquanto unidade de sentido, é mantida.

Diante do exposto, solicita-se a alteração do gabarito da questão de ERRADO para CERTO, reconhecendo-se a manutenção da coerência textual no intercâmbio proposto.


Essa questão foi objeto de recurso por parte de muitos candidatos.
Se você errou e se sentiu prejudicado, vale a pena acompanhar o desdobramento junto à banca.

Fique atento aos prazos e não deixe essa oportunidade passar.
Boa sorte e grande abraço!

Professor Décio Terror

 

Concurso Marinha SMV RM2 2025: Tudo sobre Vagas, Provas e Requisitos para Oficiais e Praças

O Serviço Militar Voluntário (SMV) da Marinha do Brasil oferece oportunidades para cidadãos brasileiros ingressarem como Oficiais ou Praças temporários, integrando a Reserva de 2ª Classe da Marinha (RM2). Este processo seletivo é uma excelente porta de entrada para quem deseja servir à Marinha por tempo determinado, com estabilidade temporária e remuneração atrativa.


🧭 O que é o SMV RM2?

O SMV é um processo seletivo anual que permite o ingresso de voluntários para prestação de serviço militar temporário na Marinha. Os selecionados atuam por um período inicial de 12 meses, podendo ser renovado anualmente até o limite de 8 anos. A seleção é dividida por Distritos Navais, e todas as etapas ocorrem na jurisdição escolhida pelo candidato.


👤 Quem pode participar?

Oficiais (Nível Superior)

  • Formação: Bacharelado ou licenciatura completa nas áreas de Saúde, Engenharia, Técnica, Magistério ou Apoio à Saúde.
  • Idade: Ter entre 18 e menos de 41 anos até a data de incorporação.
  • Nacionalidade: Ser brasileiro nato.
  • Outros requisitos: Estar em dia com as obrigações militares e eleitorais, além de atender aos critérios específicos do edital.

Praças (Níveis Médio e Fundamental)

  • Formação: Ensino médio completo ou curso técnico nas áreas Industrial, Saúde ou Apoio.
  • Idade: Ter entre 18 e menos de 41 anos até a data de incorporação.
  • Nacionalidade: Ser brasileiro.
  • Outros requisitos: Estar em dia com as obrigações militares e eleitorais, além de atender aos critérios específicos do edital.

📚 Estrutura das Provas

Oficiais

  • Número de questões: 40 questões de múltipla escolha.
  • Disciplinas: Língua Portuguesa.
  • Valor por questão: 2,5 pontos.
  • Pontuação total: 100 pontos.
  • Caráter: Eliminatório e classificatório.

Praças

  • Número de questões: 50 questões de múltipla escolha.
  • Disciplinas: Língua Portuguesa e Conhecimentos Militar-Naval.
  • Pontuação total: 100 pontos.
  • Caráter: Eliminatório e classificatório.

🧪 Outras Etapas do Processo Seletivo

Após a prova objetiva, os candidatos aprovados passam pelas seguintes etapas:

  1. Verificação de Dados Biográficos: Análise de antecedentes e conduta social.
  2. Verificação Documental: Conferência de documentos exigidos no edital.
  3. Inspeção de Saúde: Avaliação médica para verificar aptidão física e mental.
  4. Teste de Aptidão Física (TAF): Avaliação da capacidade física do candidato.
  5. Prova de Títulos: Análise de qualificações e experiências profissionais (para Oficiais).

📍 Distribuição de Vagas

As vagas são distribuídas conforme a necessidade da Marinha em cada Distrito Naval. Por exemplo, no 1º Distrito Naval (RJ, ES e MG), foram ofertadas 186 vagas em 2024, divididas entre as áreas de Saúde, Apoio à Saúde, Técnica, Técnica Magistério e Engenharia .


💰 Remuneração

  • Oficiais: Remuneração inicial de R$ 9.070,60, incluindo soldo e adicionais militares .
  • Praças: Remuneração inicial de R$ 3.739,30 após a conclusão do Estágio Técnico para Praças (ETP) .

📝 Inscrições

As inscrições são realizadas exclusivamente pelo site oficial da Marinha do Brasil, conforme o cronograma estabelecido em cada edital. É importante ficar atento aos prazos e documentos exigidos para não perder a oportunidade.


📌 Conclusão

O Concurso SMV RM2 da Marinha do Brasil é uma excelente oportunidade para profissionais de diversas áreas contribuírem com a defesa nacional, adquirirem experiência militar e beneficiarem-se de uma remuneração atrativa. Com uma estrutura de seleção bem definida e oportunidades em todo o território nacional, é uma opção a ser considerada por quem busca novos desafios profissionais.


Para mais informações e acesso aos editais, visite o site oficial da Marinha do Brasil: https://www.marinha.mil.br/.

 

Quer estudar para este concurso? Conheça o curso de Português Marinha SMV RM2:

Português Marinha SMV RM2

Assista ao comentário da Prova de 2025 no link abaixo:

Baixe aqui o material da aula

 

 

Recurso contra a questão 2 da prova rosa – Marinha do Brasil SMV RM2

A prova da Marinha SMV RM2 2025 trouxe questões desafiadoras, e sabemos o quão importante é garantir que cada resposta seja avaliada de forma justa. Após uma análise detalhada da prova, identifiquei um problema na questão 2 da prova rosa, que pode ser passível de recurso.

Para ajudar os candidatos que se sentiram prejudicados, elaborei um recurso fundamentado contra essa questão, destacando os argumentos necessários para a solicitação de revisão.
O documento está pronto para ser utilizado e enviado conforme as orientações da Marinha.


Prezada Banca,

Venho por meio deste apresentar recurso contra a questão 2 da prova rosa deste concurso, que afirma:
No trecho “A mulher não recebe transmissões.” 10º§, o vocábulo destacado possui apenas uma forma de flexão no plural. Assinale a opção em que a palavra destacada admite mais de uma forma de plural.
(A) A antiga fortaleza serviu como bastião de resistência durante a guerra.
(B) O sultão governava com sabedoria e justiça todo o seu grande reino.
(C) Cada cidadão deve contribuir para o crescimento de sua comunidade.
(D) O tabelião verificou todas as assinaturas antes de autenticar o contrato.
(E) Durante a procissão, o sacristão seguia com a cruz, guiando os fiéis.
Gabarito Fornecido pela Banca: (B)
A justificativa para o gabarito apontado como correto (B) baseia-se na existência de formas plurais para a palavra “sultão”: sultões, sultãos, sultães. No entanto, ao investigar a alternativa (E), observa-se também a possibilidade de flexão plural múltipla para a palavra “sacristão”: sacristães e sacristãos.
Essa flexão plural está devidamente prevista e documentada na obra referencial mencionada no edital:
COSTA, Luiz Sergio Silveira. Manual de redação e estilo: um guia para o estudo de Língua Portuguesa nos cursos de formação da Marinha do Brasil. Rio de Janeiro: Letras Marítimas, 2024.
Diante do exposto, tanto a alternativa (B) quanto a alternativa (E) respondem ao comando da questão. Por isso, solicito a anulação da questão 2 da prova rosa e o devido ajuste na pontuação correspondente a todos os candidatos.
Agradeço pela atenção e aguardo uma resolução favorável.
Atenciosamente,
[Nome do Candidato]
[Número de Inscrição]

[Data]


Além disso, deixei a resolução completa da prova disponível no meu canal do YouTube. Assista ao vídeo e confira a análise detalhada de cada questão:

 

 

 

 

 

Se você também acredita que essa questão precisa ser revisada, recomendo que faça o pedido de recurso dentro do prazo estipulado pelo edital. Uma revisão adequada pode fazer toda a diferença no seu resultado final!

Fique atento aos prazos e não deixe essa oportunidade passar.
Boa sorte e grande abraço!

Professor Décio Terror

Recurso contra a questão 6 do concurso dos Correios – Banca IBFC

A questão 6 do concurso promovido pelos Correios, elaborado pela banca IBFC, exige do candidato conhecimento sobre “Variação Linguística”, especificamente a capacidade de distinguir entre registro formal, informal e regionalismos.

O texto da questão utiliza vocábulos como “Manéu” e “malvadeza” para avaliar esse conhecimento, conforme descrito no enunciado:

“No texto, vocábulos como ‘Manéu’ e ‘malvadeza’ revelam em relação à língua, um registo _________. Assinale a alternativa que preencha corretamente a lacuna.”
As opções apresentadas pedem ao candidato uma análise da variação linguística, sendo a resposta correta associada ao item “d) informal, mas também regional”.

 

 

Contudo, conforme o conteúdo programático estabelecido no edital do concurso, os tópicos a serem cobrados em “Língua Portuguesa” foram claramente definidos:

1. Compreensão e interpretação de textos.
2. Tipologia textual.
3. Ortografia oficial.
4. Acentuação gráfica.
5. Emprego das classes de palavras.
6. Emprego do sinal indicativo de crase.
7. Sintaxe da oração e do período.
8. Pontuação.
9. Concordância nominal e verbal.
10. Regência nominal e verbal.
11. Significação das palavras.
12. Redação oficial: aspectos gerais, características fundamentais, padrões, emprego e concordância dos pronomes de tratamento.

 

Observa-se que não há menção explícita ou implícita ao estudo de “Variação Linguística” ou de aspectos sociolinguísticos, como registros formais, informais ou regionalismos, nos tópicos acima.
Logo, a exigência de tal conhecimento na questão 6 ultrapassa os limites do conteúdo programático previsto no edital, prejudicando o candidato que se preparou com base nos assuntos ali delineados.
De acordo com o princípio da isonomia e da vinculação ao edital, previsto no art. 37 da Constituição Federal e reforçado pela jurisprudência dos Tribunais Superiores, a banca examinadora deve respeitar estritamente o conteúdo listado no edital.
Ao introduzir na questão 6 um tema não previsto no programa do certame, a banca incorre em falha técnica que compromete a igualdade de condições entre os candidatos, uma vez que não se pode exigir conhecimento que extrapola o rol estabelecido.

Diante do exposto, solicita-se à banca IBFC a anulação da questão 6, uma vez que o assunto abordado não se encontra entre os tópicos previstos no conteúdo programático do edital, ferindo o princípio da vinculação editalícia e prejudicando os candidatos que se basearam nas normas do certame para sua preparação.

 

 

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Grande abraço!

Professor Décio Terror

Prova comentada Tribunal de Contas do Estado do Pará TCE PA 2024 Auditor de Controle Externo

Prova comentada Tribunal de Contas do Estado do Pará TCE PA 2024 Auditor de Controle Externo

Olá!

Vamos a mais uma prova comentada da banca FGV!

Após ler este material, dê um feedback para mim no Whatsapp (32 98447-5981) ou nos comentários deste post sobre este método escrito: se auxilia mais em relação ao vídeo, ok? É sempre importante entender o que funciona melhor para você!

Após a prova, você encontrará o raio-x e o gabarito.

Em seguida, você encontrará a prova comentada para sanar possíveis dúvidas.

Bom estudo!

Você pode baixar esta prova aqui!

 

  1. (FGV / TCE PA Auditor de Controle Externo 2024)

Assinale a opção em que os termos estão em paralelismo sintático, ou seja, apresentam segmentos estruturalmente idênticos.

(A) Viajarei pela Europa, conhecerei Paris e voltarei feliz da vida.

(B) Pelas notícias de ontem, o jornal de hoje faz temer as de amanhã.

(C) A imprensa mente, deturpa os fatos e agride o vernáculo.

(D) A conversação não é apenas dizer a coisa certa no momento certo, mas não dizer o que está errado no momento preciso.

(E) O amor é mais precioso que a vida, e a honra é mais preciosa que o dinheiro.

Comentário: O paralelismo sintático apresenta segmentos estruturalmente idênticos, ou seja, apresenta uma coordenação de termos ou orações de mesma base. Vale ressaltar que o fato de não haver paralelismo sintático não significa necessariamente que haverá erro gramatical.

Na alternativa (A), os verbos estão paralelos, pois estão enumerados no mesmo tempo: futuro do presente do indicativo. Porém, quanto à regência, eles não estão paralelos, pois o primeiro é intransitivo e é seguido do adjunto adverbial de lugar “pela Europa”; o segundo é transitivo direto e é seguido do objeto direto “Paris” e o terceiro é intransitivo e é seguido do predicativo do sujeito dentro de um predicado verbo-nominal “feliz”. Confirme:

Viajarei pela Europa, conhecerei Paris e voltarei feliz da vida.

Na alternativa (B), não há paralelismo, por não haver termos coordenados, enumerados. Confirme:

Pelas notícias de ontem, o jornal de hoje faz temer as de amanhã.

Na alternativa (C), os verbos estão paralelos, pois estão enumerados no mesmo tempo: presente do indicativo. Porém, quanto à regência, eles não estão paralelos, pois o primeiro é intransitivo; o segundo é transitivo direto e é seguido do objeto direto “os fatos” e o terceiro é transitivo direto e é seguido do objeto direto “o vernáculo”. Confirme:

A imprensa mente, deturpa os fatos e agride o vernáculo.

Na alternativa (D), o verbo “dizer” é transitivo direto e é repetido com dois objetos diretos de bases diferentes: o primeiro é constituído do substantivo “coisa” precedido do artigo “a”; o segundo é constituído do pronome demonstrativo “o” seguido da oração subordinada adjetiva “que está errado”. Ambos objetos diretos são seguidos de adjuntos adverbiais temporais “no momento certo” e “no momento preciso”. Confirme:

A conversação não é apenas dizer a coisa certa no momento certo, mas não dizer o que está errado no momento preciso.

A alternativa (E) é a correta, pois há duas orações coordenadas entre si com sujeito constituído de substantivo precedido de artigo definido (“O amor” e “a honra”). Ambas orações apresentam o verbo de ligação “é” e o predicativo é constituído de adjetivo comparativo (“mais precioso que a vida”, “mais preciosa que o dinheiro”).

Assim, há um paralelismo sintático perfeito. Confirme:

O amor é mais precioso que a vida, e a honra é mais preciosa que o dinheiro.

Gabarito: E

 

  1. (FGV / TCE PA Auditor de Controle Externo 2024)

As frases abaixo mostram uma comparação. Assinale a opção em que a comparação não é explicada.

(A) Ideias são como crianças. As nossas são sempre maravilhosas.

(B) As bibliotecas são como as farmácias: muitos venenos e poucos remédios.

(C) A leitura, como a comida, não alimenta se não digerida.

(D) Os discursos são como as orações copiadas dos textos religiosos.

(E) Os talheres são como o papel higiênico: só ficam limpos se não forem usados.

Comentário: Na alternativa (A), há a comparação entre “ideias” e “crianças”. A explicação reside na oração seguinte, a qual afirma que, assim como as crianças, nossas ideias são sempre vistas por nós como maravilhosas. Para confirmar, poderíamos até reajustar os períodos com a conjunção “pois”. Compare:

Ideias são como crianças. As nossas são sempre maravilhosas.

Ideias são como crianças, pois nossas são sempre maravilhosas.

Na alternativa (B), há a comparação entre “bibliotecas” e “farmácias”. O sinal de dois-pontos evidencia que o termo “muitos venenos e poucos remédios” é um aposto explicativo. Veja:

As bibliotecas são como as farmácias: muitos venenos e poucos remédios.

Na alternativa (C), há comparação entre “leitura” e “comida”, e a explicação está no segmento “não alimenta se não digerida”. Veja de forma mais evidente por meio da conjunção “pois”:

A leitura, como a comida, não alimenta se não digerida.

A leitura é como a comida, pois não alimenta se não digerida.

A alternativa (D) é a que deve ser marcada, pois houve apenas a comparação entre “os discursos” e “as orações copiadas dos textos religiosos”. Note que não há qualquer segmento explicativo:

Os discursos são como as orações copiadas dos textos religiosos.

Na alternativa (E), há a comparação entre “talheres” e “papel higiênico”. O sinal de dois-pontos evidencia que a oração “só ficam limpos se não forem usados” é explicativa, tanto assim que podemos trocar o sinal de dois-pontos pela conjunção “pois”. Compare:

Os talheres são como o papel higiênico: só ficam limpos se não forem usados.

Os talheres são como o papel higiênico, pois só ficam limpos se não forem usados.

Gabarito: D

 

  1. (FGV / TCE PA Auditor de Controle Externo 2024)

As frases abaixo são construídas contando com a duplicidade de sentido de um termo, à exceção de uma. Assinale-a.

(A) Livro raro é aquele devolvido depois de emprestado.

(B) Eu, quando tenho de enviar uma mensagem, não escrevo um livro: vou aos Correios.

(C) Como dizia o esquartejador, vamos por partes.

(D) Os homens de poucas palavras são os melhores.

(E) A única pessoa que escuta os dois lados de uma discussão é o sujeito do apartamento vizinho.

Comentário: A questão parece pedir a alternativa que não apresenta ambiguidade. Mas, na realidade, ao observarmos as alternativas, notamos que a questão apresenta 4 alternativas com palavras que têm um sentido original comum, mas, pelo contexto, está sendo empregada em sentido diferente.

Na alternativa (A), o adjetivo “raro”, originalmente, significa algo que é incomum, difícil de encontrar ou valioso devido à sua escassez. Por exemplo, um “livro raro” pode ser uma edição especial ou antiga, a que poucas pessoas têm acesso.

Na frase, “raro” é usado de maneira figurativa e irônica. O autor brinca com o fato de que é incomum que as pessoas devolvam livros depois de emprestá-los. Aqui, “raro” não se refere ao valor ou à dificuldade de encontrar o livro em si, mas ao fato de que é raro (incomum) que alguém devolva um livro que pegou emprestado.

Na alternativa (B), a palavra “livro” pode referir-se a uma obra escrita ou, de forma figurada, a um texto muito longo. A frase aproveita essa duplicidade de sentidos ao sugerir que, quando a pessoa precisa enviar uma mensagem, ela prefere ser breve e objetiva, em vez de escrever um texto longo e detalhado (que é comparado metaforicamente a “escrever um livro”). Em vez de escrever um livro, o que tomaria muito tempo, a pessoa “vai aos Correios”, que é uma maneira figurada de dizer que ela faz algo mais direto ou prático para se comunicar.

Na alternativa (C), a duplicidade de sentido está na expressão “vamos por partes”. Essa frase pode ser interpretada literalmente, referindo-se à ação do esquartejador, cortar literalmente, ou figuradamente, como uma sugestão de resolver um problema de maneira organizada, dividindo-o em etapas.

A alternativa (D) é a que não apresenta ambiguidade, pois a frase faz uma afirmação direta sobre homens de poucas palavras, sem explorar um jogo de palavras ou significados duplos.

Na alternativa (E), há ambiguidade, pois há um jogo de palavras com “escutar os dois lados”. No sentido figurado, que é o mais usado, refere-se à imparcialidade de considerar diferentes pontos de vista; no literal, refere-se à habilidade física de ouvir. O humor da frase surge da interpretação literal, em que o vizinho escuta ambos os lados da discussão devido à proximidade física.

Gabarito: D

 

  1. (FGV / TCE PA Auditor de Controle Externo 2024)

Assinale a opção em que a frase inicial, introduzida pela conjunção “se”, não apresenta valor de condição.

(A) Se a voz do povo é a voz de Deus, começo a pressupor que Deus é um sujeito muito calado.

(B) Se os homens são tão maus com o auxílio da religião, como seriam sem ela?

(C) Se os homens tivessem verdadeiramente convicção de sua fé, seriam todos santos.

(D) Se quiserdes saber o que Deus pensa do dinheiro, é só olhar a quem Ele o dá.

(E) Se existe Deus, por que há coisas como a fome e os horários políticos na televisão?

Comentário: Na alternativa (A), há relação de condição factual e resultado. A frase sugere que, caso a voz do povo seja realmente considerada a voz de Deus, então é possível concluir que Deus é muito calado, supostamente porque a população não se manifesta, não busca seus direitos. Confirme:

Se a voz do povo é a voz de Deus, começo a pressupor que Deus é um sujeito muito calado.

A alternativa (B) é a que não apresenta valor de condição. Como há uma estrutura parecida com a da alternativa (E), vamos apontar as diferenças das duas mais adiante, com uma explicação mais didática.

Na alternativa (C), há uma relação de condição hipotética e resultado. A frase afirma que, caso os homens tivessem verdadeira convicção de sua fé, o resultado seria que todos seriam santos. Confirme:

Se os homens tivessem verdadeiramente convicção de sua fé, seriam todos santos.

Na alternativa (D), há uma relação de condição hipotética e resultado, pois entendemos que, se a pessoa quiser saber algo sobre o pensamento de Deus, o resultado será obtido ao observar quem Ele favorece. Confirme:

Se quiserdes saber o que Deus pensa do dinheiro, é só olhar a quem Ele o dá.

Na alternativa (E), há uma relação de condição e resultado.

As alternativas (B) e (E) apresentam uma estrutura semelhante, pois há oração subordinada iniciada com a conjunção “se” e a oração principal é uma pergunta.

Vamos observar primeiramente a alternativa (E).

Nela se percebe um questionamento da existência de Deus, porque, se ele existisse mesmo, não deveria haver coisas como a fome e, de uma forma bem-humorada, os horários políticos na televisão.

Assim, percebe-se que a pergunta é retórica e é feita justamente para provocar a reflexão sobre a existência de Deus. A pergunta não induz uma resposta direta.

Para deixar mais claro, poderíamos reconstruir essa relação de condição e resultado com a transformação dessa pergunta retórica numa afirmação já gerada dessa condição. Compare:

Se existe Deus, por que há coisas como a fome e os horários políticos na televisão?

Se existe Deus, não deveria haver coisas como a fome e os horários políticos na televisão.

Percebeu agora que o questionamento é retórico e conseguimos desenvolvê-lo numa afirmação resultante da condição?

Agora, vamos à alternativa (B), a qual também apresenta questionamento.

Note que há uma relação de condição hipotética. O resultado (“como seriam”) se dá pela condição expressa no adjunto adverbial condicional “sem ela”, e não pela oração subordinada “Se os homens são tão maus com o auxílio da religião”.

Assim, tal oração subordinada não é a condição para a pergunta. Ela é a base de raciocínio que fica subentendida no adjunto adverbial condicional “sem ela”. Vamos a algumas formas para deixar isso bem claro:

Já que os homens são tão maus com o auxílio da religião, como seriam sem a religião?

Como seriam os homens sem a religião, já que eles são tão maus com o auxílio dela?

Se os homens são tão maus com o auxílio da religião, como seriam sem ela?

Agora ficou mais fácil notar que a condição não está na oração subordinada, mas no adjunto adverbial de condição “sem ela”.

Isso confirma a alternativa (B) como o gabarito desta questão.

Gabarito: B

 

  1. (FGV / TCE PA Auditor de Controle Externo 2024)

Assinale a frase em que o termo sublinhado mostra valor interrogativo.

(A) Não sei como é a alma de um criminoso, mas a alma do homem bom, honesto, é um inferno.

(B) Se quem ama o vinho e o amor vai para o inferno, o paraíso deve estar vazio.

(C) Onde há humanos há moscas e deuses.

(D) Uma sociedade sem religião é como um navio sem bússola.

(E) Não é lícito confiar quando os deuses são contrários.

Comentário: As palavras grifadas “como”, “quem”, “onde”, “quando” podem fazer parte de frases interrogativas diretas ou indiretas.

Numa frase interrogativa direta, deve haver finalização com ponto de interrogação, mas isso não ocorreu em nenhuma alternativa.

Numa frase interrogativa indireta, a palavra “quem” pode ser um pronome interrogativo, quando a oração principal transmitir dúvida, por meio do verbo “saber” ou sinônimo, como, por exemplo:

Eu não sei quem está aí.

O mesmo ocorre com os vocábulos “como”, “onde”, “quando”, que passam a advérbios interrogativos, como nos exemplos:

Eu não sei como ela está.

Eu não sei onde ela está.

Eu não sei quando ela vem.

Assim, notamos que a alternativa (A) é a correta, pois “como” é um advérbio interrogativo de modo, dentro de uma típica frase interrogativa indireta, constituída da oração principal, que expressa dúvida, por meio do verbo “saber” e da oração “como é a alma de um criminoso”, que é subordinada substantiva objetiva direta, cujo conectivo não é conjunção integrante, mas o advérbio interrogativo de modo “como”.

Sempre que há uma frase interrogativa indireta, pode-se transpô-la em direta:

Como é a alma de um criminoso?

Gabarito: A

 

  1. (FGV / TCE PA Auditor de Controle Externo 2024)

Assinale a opção que apresenta o texto que deve ser classificado como descritivo.

(A) A escola de samba entrou na avenida, passou diante dos jurados e, quando saiu na zona de dispersão, dava a impressão de ter certeza da vitória.

(B) Os jurados estavam sentados numa espécie de plataforma que se debruçava sobre a passarela do desfile, mostrando sempre muita atenção ao que se desenrolava à sua frente.

(C) As escolas de samba continuam sendo uma grande atração do carnaval carioca e é a razão principal da presença de turistas na cidade do Rio.

(D) O mestre-sala exibiu toda a sua categoria de sambista, fez os cumprimentos necessários aos jurados, agradeceu os aplausos do público e continuou sua caminhada.

(E) A bateria de uma escola de samba é uma atração à parte, atraindo o interesse do público em geral, já que ela se encarrega de dar o ritmo necessário ao samba.

Comentário: Para identificar qual das alternativas apresenta um texto de natureza descritiva, é importante entender que um texto descritivo tem como principal característica a apresentação de detalhes que visam retratar uma cena, objeto, pessoa ou ambiente, com o objetivo de criar uma imagem mental clara no leitor. O foco está nas características, qualidades e estados, sem que haja progressão temporal ou uma sequência de ações que mova a narrativa adiante.

Na alternativa (A), a frase apresenta uma sequência de ações realizadas pela escola de samba. O foco está na ação (entrar, passar, sair), o que caracteriza um texto narrativo, e não descritivo. Confirme:

 A escola de samba entrou na avenida, passou diante dos jurados e, quando saiu na zona de dispersão, dava a impressão de ter certeza da vitória.

A alternativa (B) é a correta, pois há uma descrição da posição dos jurados e da plataforma onde estavam, além da atenção que eles demonstravam. A frase não narra uma ação, mas sim descreve um cenário e o comportamento dos jurados, o que é característico de um texto descritivo. Confirme:

Os jurados estavam sentados numa espécie de plataforma que se debruçava sobre a passarela do desfile, mostrando sempre muita atenção ao que se desenrolava à sua frente.

Na alternativa (C), a frase faz uma afirmação sobre a importância das escolas de samba no carnaval carioca e sua atração para turistas. É uma frase dissertativa e transmite uma opinião, não descrevendo uma cena ou objeto. Confirme:

As escolas de samba continuam sendo uma grande atração do carnaval carioca e é a razão principal da presença de turistas na cidade do Rio.

Na alternativa (D), há novamente uma sequência de ações (exibir, fazer, agradecer, continuar). Portanto, é um texto narrativo, e não descritivo. Confirme:

O mestre-sala exibiu toda a sua categoria de sambista, fez os cumprimentos necessários aos jurados, agradeceu os aplausos do público e continuou sua caminhada.

Na alternativa (E), a frase também faz uma afirmação sobre a importância da bateria de uma escola de samba, explicando seu papel no contexto do desfile. É uma frase dissertativa e transmite uma opinião, não descrevendo uma cena ou objeto. Confirme:

A bateria de uma escola de samba é uma atração à parte, atraindo o interesse do público em geral, já que ela se encarrega de dar o ritmo necessário ao samba.

Gabarito: B

 

  1. (FGV / TCE PA Auditor de Controle Externo 2024)

Observe o trecho descritivo abaixo, que tem por objeto um personagem de uma cidade interiorana:

’Seu Paulo’ era um mineiro já de alguma idade, que já havia trabalhado em São Paulo como motorista, mas agora era um faz-tudo em Lavras. Tinha bom humor, gostava muito de conversar e, na minha pequena propriedade, fazia as pequenas tarefas agrícolas diárias, como limpar o terreno, botar água nas plantas e tirar pragas que surgissem na grama.

Essa pequena descrição

(A) procura identificar o personagem por meio de seus traços físicos.

(B) destaca sobretudo os traços psíquicos do personagem.

(C) mostra traços físicos e psíquicos do personagem.

(D) descreve o personagem em diversas épocas, procurando valorizá-lo.

(E)   indica somente características sociais do personagem descrito, mostrando-o como símbolo do interiorano.

Comentário: Para resolver essa questão, é necessário analisar o trecho descritivo e identificar o tipo de características que são enfatizadas na descrição do personagem “Seu Paulo”.

A alternativa (A) está errada, pois o trecho não menciona características físicas detalhadas. Apenas é mencionado que “Seu Paulo” já tinha “alguma idade”, o que não é suficiente para considerar uma descrição física. As características físicas de uma pessoa envolveriam sua altura, cor de cabelo, tipo físico, feições, etc., o que não ocorreu no texto.

A alternativa (B) é a correta, pois esse trecho foca nas características psicológicas e comportamentais de “Seu Paulo”, como seu bom humor e gosto por conversar, além de descrever suas atividades diárias, que são tarefas agrícolas. Confirme:

’Seu Paulo’ era um mineiro já de alguma idade, que já havia trabalhado em São Paulo como motorista, mas agora era um faz-tudo em Lavras. Tinha bom humor, gostava muito de conversar e, na minha pequena propriedade, fazia as pequenas tarefas agrícolas diárias, como limpar o terreno, botar água nas plantas e tirar pragas que surgissem na grama.

A alternativa (C) está errada, pois, como vimos na alternativa (A), o trecho não menciona características físicas.

A alternativa (D) está errada, pois o texto menciona o passado de “Seu Paulo” como motorista em São Paulo, mas foca principalmente em sua vida atual em Lavras. Não há uma narrativa detalhada que aborde diversas épocas ou tente valorizar o personagem por esse viés.

A alternativa (E) está errada, pois, embora o trecho mostre “Seu Paulo” como um faz-tudo em Lavras, o foco não é exclusivamente social, mas também abrange aspectos de sua personalidade e atividades diárias.

Gabarito: B

 

  1. (FGV / TCE PA Auditor de Controle Externo 2024)

Observe o pequeno texto narrativo a seguir:

Passeava despreocupadamente pelas ruas do meu bairro e passei diante de uma loja da loteria esportiva e me lembrei de que havia um alto prêmio acumulado. Fiquei tentado em jogar, mas não podia gastar aquele dinheiro no momento e desisti. Um pouco mais adiante, porém, arrependi-me e voltei para a loja.

Sobre a estruturação desse texto narrativo, assinale a afirmação inadequada.

(A) Há uma situação inicial que mostra o passeio despreocupado do narrador.

(B) Ocorre um fato motivador de uma modificação na situação inicial, que é o fato de passar pela loja de loteria e lembrar-se do prêmio acumulado.

(C) Há uma discussão interior do personagem que corresponde à trama narrativa e a um problema a ser resolvido.

(D) Desistir de jogar corresponde a uma solução temporária do conflito interior do narrador.

(E) Arrepender-se equivale ao final da narrativa, em que o conflito do texto é resolvido.

Comentário: O texto narrativo descreve uma sequência de eventos simples.

Quanto à estrutura, há uma situação inicial, em que o narrador está passeando despreocupadamente pelas ruas do bairro.

Em seguida, há um fato motivador (complicação), em que o narrador passa por uma loja de loteria, lembra-se do prêmio acumulado e sente-se tentado a jogar.

Em seguida, há um conflito, uma discussão interior, pois o narrador pondera sobre a possibilidade de jogar, mas decide não gastar o dinheiro no momento.

Posteriormente, o narrador continua o passeio, mas se arrepende de não ter jogado e decide voltar para a loja.

Como fecho, o arrependimento leva o narrador a retornar à loja de loteria, sugerindo que o conflito interior foi resolvido ao tomar essa decisão.

A alternativa (A) está adequada, pois a situação inicial (“Passeava despreocupadamente pelas ruas do meu bairro”) é, de fato, o passeio despreocupado do narrador pelas ruas do bairro.

A alternativa (B) está adequada, pois realmente há o fato motivador, que introduz o conflito, é o momento em que o narrador passa pela loja de loteria e lembra-se do prêmio acumulado: “e passei diante de uma loja da loteria esportiva e me lembrei de que havia um alto prêmio acumulado”.

A alternativa (C) está adequada, pois realmente o narrador enfrenta uma discussão interior sobre gastar ou não o dinheiro para tentar ganhar o prêmio, o que corresponde ao conflito central da narrativa: “Fiquei tentado em jogar, mas não podia gastar aquele dinheiro no momento e desisti”.

A alternativa (D) está adequada, pois o narrador inicialmente desiste de jogar, o que pode ser visto como uma solução temporária para o conflito. No entanto, o arrependimento posterior mostra que o conflito não estava completamente resolvido: “Fiquei tentado em jogar, mas não podia gastar aquele dinheiro no momento e desisti. Um pouco mais adiante, porém, arrependi-me e voltei para a loja.”.

A alternativa (E) é a inadequada, pois o arrependimento do narrador não representa o final da narrativa ou a resolução do conflito; ele apenas leva a um novo desdobramento, que é a decisão de voltar para a loja, onde o conflito interior do narrador é finalmente resolvido: “Um pouco mais adiante, porém, arrependi-me e voltei para a loja.”

Logo, o fim da narrativa está no momento em que ele volta para a loja e joga.

Gabarito: E

 

  1. (FGV / TCE PA Auditor de Controle Externo 2024)

Assinale a oração adversativa que estabelece entre os segmentos indicados uma relação de real oposição.

(A) A palavra é dom de todos, mas a sabedoria cabe a poucos.

(B) Há muito o que saber, mas pouco que viver.

(C) O que os homens realmente querem não é conhecimento, mas certezas.

(D) Esteja pronto para escutar, mas lento para dar a resposta.

(E) Mestre não é quem sempre ensina, mas quem de repente aprende.

Comentário: Uma oração coordenada adversativa é aquela que estabelece uma relação de contraste ou oposição entre duas ideias. Geralmente, é introduzida por conjunções como “mas”, “porém”, “contudo”, “entretanto”, “todavia”, entre outras.

A característica principal da oração adversativa é que as ideias contrastadas têm sentidos opostos ou, pelo menos, apresentam algum tipo de divergência significativa.

Mas a questão pede o sentido de oposição, contrário.

Na alternativa (A), ocorre contraste, pois houve apenas a generalização de que a palavra é dom de todos e em seguida a restrição de que a sabedoria cabe a poucos. Note que essas palavras não são contrárias, opostas.

Na alternativa (B), não há uma relação de oposição no sentido de que essas duas ideias sejam contrárias, mas sim uma comparação entre a quantidade de conhecimento disponível e o tempo limitado de vida. Essa comparação é feita para destacar a diferença entre saber e viver.

Na alternativa (C), há contraste entre “conhecimento” e “certezas”. Embora “conhecimento” e “certezas” sejam diferentes, a oposição não é tão direta, pois as duas ideias podem coexistir; não há uma oposição completa, mas sim uma distinção de valor ou prioridade.

Na alternativa (D), não há oposição direta. Estar pronto não é contrário ou oposto de ser lento, da mesma que forma escutar não é oposto de dar a resposta.

A alternativa (E) é a correta, pois a frase estabelece uma clara oposição entre “quem sempre ensina” e “quem de repente aprende“, já que a frase desafia a concepção tradicional de um mestre como alguém que está constantemente em posição de ensinar, ao propor que o verdadeiro mestre é aquele que, em vez de apenas ensinar, também está aberto a aprender.

Gabarito: E

 

  1. (FGV / TCE PA Auditor de Controle Externo 2024)

Leia a frase abaixo com atenção:

Ninguém fica velho apenas por viver, mas por perder o interesse em viver.

Assinale a afirmativa correta o significado ou a estruturação dessa frase.

(A) A relação entre os segmentos da frase não é de oposição, mas de diferença.

(B) O adjetivo “velho”, no contexto da frase, tem alto valor pejorativo.

(C) O segundo segmento da frase retifica algo dito erradamente no primeiro segmento.

(D) O termo “fica velho” pode ser adequadamente substituído por “envelheceu”.

(E) O emprego de “apenas” mostra uma visão negativa do ato de viver.

Comentário: A alternativa (A) é a correta, pois oposição significa ideias contrárias. Note que a segunda causa “por perder o interesse em viver” não é contrária, oposta à anterior: por viver.

Assim, houve apenas um contraste, uma diferença, entre ficar velho por viver e ficar velho por perder o interesse em viver.

A alternativa (B) está errada, pois o adjetivo “velho” não carrega um valor pejorativo, negativo. A frase está focada na ideia de envelhecimento como um estado de espírito ou condição emocional, e não em uma crítica ou desvalorização explícita da velhice.

A alternativa (C) está errada, pois o segundo segmento da frase não corrige ou retifica o primeiro; em vez disso, ele aprofunda a ideia, acrescentando uma explicação mais completa sobre a causa do envelhecimento. Não há uma correção de erro, mas uma complementação que diferencia as causas de “ficar velho”.

A alternativa (D) está errada, pois a expressão “fica velho” é empregada em sentido figurativo e sugere que a velhice é mais uma questão de estado mental, de comportamento, da perda de interesse em viver (conforme se percebe no segundo segmento da frase).  Por isso, foi afirmado que ninguém fica velho apenas por viver, mas por perder o interesse em viver.

A troca por “envelheceu” daria ao trecho o sentido literal, que é o processo natural de envelhecimento, o que altera o sentido original da frase e implicaria incoerência na frase. A própria frase defende que ficar velho não é envelhecer, isto é, não é apenas pelo longo tempo de vida.

A alternativa (E) está errada, pois o uso de “apenas” não carrega uma visão negativa do ato de viver, mas sim relativiza a ideia de que viver por si só não é suficiente para “ficar velho”. A frase sugere que envelhecer está mais relacionado à perda do interesse em viver do que ao simples ato de viver.

Gabarito: A

Análise das questões de Português CEBRASPE 2023

Se você está se preparando para concursos públicos, sabe da importância de estudar de forma estratégica para otimizar seu tempo e aumentar suas chances de aprovação. Uma das maneiras mais eficazes de fazer isso é analisando as provas anteriores da banca organizadora.
Neste artigo, vamos mergulhar na análise das questões de Português Cebraspe (antigo Cespe) referentes ao ano de 2023, identificando os temas mais recorrentes e fornecendo dicas valiosas para sua preparação.

Naturalmente não quero com isso que você ignore temas com poucas ocorrências, mas deve dar prioridade ao que mais cai, principalmente se o seu tempo de estudo é pouco.

Análise das Questões:

Durante o ano de 2023, o Cebraspe aplicou diversas provas com questões de Português, abrangendo diferentes áreas da gramática e interpretação de texto. Ao analisar essas questões, foi possível identificar os seguintes temas mais recorrente

1 Compreensão e interpretação de textos de gêneros variados. 2 Reconhecimento de tipos e gêneros textuais. 3 Domínio da ortografia oficial. 4 Domínio dos mecanismos de coesão textual. 4.1 Emprego de elementos de referenciação, substituição e repetição, de conectores e de outros elementos de sequenciação textual. 4.2 Emprego de tempos e modos verbais. 5 Domínio da estrutura morfossintática do período. 5.1 Emprego das classes de palavras. 5.2 Relações de coordenação entre orações e entre termos da oração. 5.3 Relações de subordinação entre orações e entre termos da oração. 5.4 Emprego dos sinais de pontuação. 5.5 Concordância verbal e nominal. 5.6 Regência verbal e nominal. 5.7 Emprego do sinal indicativo de crase. 5.8 Colocação dos pronomes átonos. 6 Reescrita de frases e parágrafos do texto. 6.1 Significação das palavras. 6.2 Substituição de palavras ou de trechos de texto. 6.3 Reorganização da estrutura de orações e de períodos do texto. 6.4 Reescrita de textos de diferentes gêneros e níveis de formalidade. 7 Correspondência oficial (conforme Manual de Redação da Presidência da República). 7.1 Aspectos gerais da redação oficial. 7.2 Finalidade dos expedientes oficiais. 7.3 Adequação da linguagem ao tipo de documento. 7.4 Adequação do formato do texto ao gênero.

 

Das provas aplicadas em 2023, houve 689 ocorrências de Português.

Neste trabalho, eu evito considerar a quantidade exata de questões, porque há algumas que cobram mais de um tema num só pedido. Por exemplo, às vezes uma questão cobra o emprego de pronome, de verbo e de pontuação. Assim, em vez de registrarmos uma só questão, eu registro três ocorrências, para mapearmos efetivamente o que a banca cobra.

Desse conteúdo, notamos que muitos assuntos são interligados. Assim, uma questão de pronome pessoal, por exemplo, pode envolver os assuntos Emprego de Classes de Palavras, Domínio dos mecanismos de coesão textual, Emprego de elementos de referenciação, substituição e repetição, Relações de subordinação entre termos da oração, Colocação dos pronomes átonos.

 

Veja primeiramente os dados em um gráfico:

gráfico

 

Agora, vamos a algumas considerações:

O assunto “5.1 Emprego de classes de palavras” não se encontra no gráfico, por ser muito abrangente. Ele já está representado pelos assuntos mais específicos “conjunções”, “pronomes relativos”, “pronomes”, “verbos”, “preposição”, “advérbio”, “adjetivo”, “substantivo”.

O assunto “5 Domínio da estrutura morfossintática do período” também não se encontra no gráfico, por já abarcar assuntos mais específicos e previstos no conteúdo dos editais, como Relações de coordenação entre orações e entre termos da oração. Relações de subordinação entre orações e entre termos da oração. Emprego dos sinais de pontuação. Reescrita de frases e parágrafos do texto. Substituição de palavras ou de trechos de texto. Reorganização da estrutura de orações e de períodos do texto. Reescrita de textos de diferentes gêneros e níveis de formalidade. Domínio dos mecanismos de

coesão textual. Emprego de elementos de referenciação, substituição e repetição, de conectores e de outros elementos de sequenciação textual.

 

Vamos aos dados de uma forma mais pontual!

 

Das 689 ocorrências, a banca cobrou

184 ocorrências do assunto 5.1 Emprego das classes de palavras, sendo

57 de conjunções,

50 de demais pronomes e Colocação dos pronomes átonos.

24 de pronomes relativos,

23 de Emprego de tempos e modos verbais;

15 de advérbio;

8 de preposição;

6 de adjetivo;

1 de substantivo.

178 ocorrências do assunto 1 Compreensão e interpretação de textos de gêneros variados;

56 ocorrências do assunto 4 Domínio dos mecanismos de coesão textual. 4.1 Emprego de elementos de referenciação, substituição e repetição, de conectores e de outros elementos de sequenciação textual;

47 ocorrências do assunto 5.4 Emprego dos sinais de pontuação;

43 ocorrências do assunto 6.1 Significação das palavras;

43 ocorrências do assunto 6 Reescrita de frases e parágrafos do texto. 6.2 Substituição de palavras ou de trechos de texto. 6.3 Reorganização da estrutura de orações e de períodos do texto. 6.4 Reescrita de textos de diferentes gêneros e níveis de formalidade;

33 ocorrências do assunto 5.5 Concordância verbal e nominal;

26 ocorrências do assunto 5.2 Relações de coordenação entre termos da oração. 5.3 Relações de subordinação entre termos da oração (sintaxe da oração);

24 ocorrências do assunto 5.7 Emprego do sinal indicativo de crase;

18 ocorrências do assunto 5.6 Regência verbal e nominal;

16 ocorrências do assunto 2 Reconhecimento de tipos e gêneros textuais, sendo 10 de Reconhecimento de tipos textuais e 6 de Reconhecimento de gêneros textuais;

16 ocorrências do assunto 7 Correspondência oficial (conforme Manual de Redação da Presidência da República). 7.1 Aspectos gerais da redação oficial. 7.2 Finalidade dos expedientes oficiais. 7.3 Adequação da linguagem ao tipo de documento. 7.4 Adequação do formato do texto ao gênero.

5 ocorrências do assunto 3 Domínio da ortografia oficial, sendo que 3 são de acentuação e 2 de emprego de hífen.

 

Observações:

 

Devemos ressaltar que os assuntos Colocação dos pronomes átonos e Emprego de tempos e modos verbais nem precisariam estar explícitos no conteúdo programático, pois já fazem parte do assunto Emprego das classes de palavras.

O emprego de pronomes é um assunto vasto, amplo e percorre outros assuntos, como Domínio dos mecanismos de coesão textual, Emprego de elementos de referenciação, substituição e repetição, de conectores e de outros elementos de sequenciação textual, Emprego das classes de palavras, Relações de subordinação entre orações.

O assunto 7 Correspondência oficial (conforme Manual de Redação da Presidência da República). 7.1 Aspectos gerais da redação oficial. 7.2 Finalidade dos expedientes oficiais. 7.3 Adequação da linguagem ao tipo de documento. 7.4 Adequação do formato do texto ao gênero só deve ser estudado se literalmente estiver expresso no conteúdo programático do edital. Nem sempre está previsto nos editais do CEBRASPE.

Os assuntos 5.2 Relações de coordenação entre orações e 5.3 Relações de subordinação entre orações trabalham fundamentalmente o reconhecimento do sentido das conjunções, assunto que está também previsto em 4 Domínio dos mecanismos de coesão textual. 4.1 Emprego de elementos de referenciação, substituição e repetição, de conectores e de outros elementos de sequenciação textual e 5.1 Emprego das classes de palavras.

 

Com base nesses números, podemos classificar as questões do CEBRASPE em três partes, por índice de ocorrências:

Temas quentes: são os conteúdos de maior ocorrência, sempre estão nas provas, como “interpretação”, “conjunções”, “coesão”, “pronomes”, “pontuação”, “significado de palavras” e “reescrita”.

Juntos, perfazem 68,79% de todas as ocorrências no ano de 2023.

Então, no seu planejamento, a prioridade é estudar esses assuntos primeiro.

 

Temas mornos: são os conteúdos de média quantidade e nem sempre aparecem nas provas, como “concordância”, “oração”, “pronome relativo”, “crase”, “verbo”, “regência”, “advérbio”.

Juntos, perfazem 23,65% de todas as ocorrências no ano de 2023.

 

Temas frios: são os conteúdos de baixa ocorrência, como “tipologia textual”, “gêneros textuais”, “preposição”, “adjetivo”, “acentuação”, “ortografia”, “substantivo”.

Juntos, perfazem 5,23% de todas as ocorrências no ano de 2023.

 

Apesar de nem sempre estar previsto nos editais, o assunto “Correspondência Oficial” obteve 2,32% das ocorrências de 2023. Ele é um caso à parte! Estando previsto no edital, é um tema quente, pois normalmente em provas com 10 questões de Português, pelo menos 2 são deste assunto.

Assim, estando previsto no edital, é assunto muito relevante e passa a ser quente.

 

Assim, todos os temas elencados para sua prova são importantes, e essa classificação serve apenas para você dar prioridade, e não para deixar de estudá-los, ok? Não podemos negligenciar nenhum assunto.

 

Agora, veja o que normalmente é previsto sobre os critérios de avaliação:

“Cada prova objetiva será constituída de itens para julgamento, agrupados por comandos que deverão ser respeitados. O julgamento de cada item será CERTO ou ERRADO, de acordo com o(s) comando(s) a que se refere o item. Haverá, na folha de respostas, para cada item, dois campos de marcação: o campo designado com o código C, que deverá ser preenchido pelo candidato caso julgue o item CERTO, e o campo designado com o código E, que deverá ser preenchido pelo candidato caso julgue o item ERRADO.

(…)

Para obter pontuação no item, o candidato deverá marcar um, e somente um, dos dois campos da folha de respostas.

(…)

A nota em cada item das provas objetivas, feita com base nas marcações da folha de respostas, será igual a: 1,00 ponto, caso a resposta do candidato esteja em concordância com o gabarito oficial definitivo das provas; 1,00 ponto negativo, caso a resposta do candidato esteja em discordância com o gabarito oficial definitivo das provas; 0,00, caso não haja marcação ou haja marcação dupla (C e E).”

 

Então, se você sabe a questão, marque no cartão de respostas, se não sabe, deixe em branco ou marque os dois campos!

Isso determina a maior dificuldade na prova: trabalhar a cabeça para não “chutar”.

Minha mensagem final para você concurseiro, é que priorize os conteúdos que mais caem, mas não negligencie os demais temas, pois a preparação completa é essencial para alcançar o sucesso nos concursos públicos. Com dedicação e estratégia, você estará mais preparado para enfrentar os desafios das próximas provas.

 

 

 

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Grande abraço!

Professor Décio Terror

Prova Português Resolvida da Polícia Civil Santa Catarina 2024 Psicólogo Policial Civil

Neste artigo, vamos comentar a prova Português da Polícia Civil Santa Catarina 2024 Psicólogo Policial Civil.

Neste artigo, comentei a prova 2, tipo verde:

Baixe a prova aqui

Baixe o gabarito aqui

 

1. (FGV / PCSC Psicólogo Policial Civil 2024)

Assinale a frase que mostra problemas de correção com o emprego do acento grave indicativo da crase.

(A)  Os sábios dizem que a vossa luz se apagará um dia, disseram os vagalumes às estrelas. Estas, porém, não responderam nada.

(B)  Fique atento à tartaruga; ela faz progresso apenas quando estica o pescoço.

(C)  Se achares três reais leva-os à polícia; se achares três mil reais, leva-os a um banco.

(D)  Às vezes, só uma mudança de ponto de vista é suficiente para transformar uma obrigação numa interessante oportunidade.

(E)   Dinheiro é igual à táxi: quando você mais precisa, ele não aparece.

Comentário: A alternativa (A) está correta, pois “disseram” rege a preposição “a” e o substantivo “estrelas” está precedido do artigo “as”, por isso há crase.

A alternativa (B) está correta, pois “atento” rege a preposição “a” e o substantivo “tartaruga” está precedido do artigo “a”, por isso há crase.

A alternativa (C) está correta, pois “leva” rege a preposição “a” e o substantivo “polícia” está precedido do artigo “a”, por isso há crase.

A alternativa (D) está correta, pois cabe crase na locução adverbial de base feminina “Às vezes”.

A alternativa (E) é a errada, pois o substantivo masculino “táxi” não admite ser precedido do artigo feminino “a”. Assim, cabe apenas a preposição “a” exigida pelo adjetivo “igual”.

Gabarito: E

 

2. (FGV / PCSC Psicólogo Policial Civil 2024)

O célebre cientista Lineu disse certa vez:

“A natureza é um imenso dicionário!”

A comparação entre a natureza e o dicionário se justifica por duas marcas, que são:

(A) a quantidade e a variedade.

(B) a dificuldade e a necessidade.

(C) a necessidade e a precariedade.

(D) a precariedade e a quantidade.

(E) a variedade e a dificuldade.

Comentário: A alternativa (A) é a correta, pois um dicionário é conhecido pela grande quantidade e variedade de palavras e definições que ele contém, assim como a natureza é conhecida pela sua imensa diversidade de espécies, ecossistemas e fenômenos naturais.

Essa comparação faz sentido e reflete as características compartilhadas entre um dicionário e a natureza.

A alternativa (B) está errada, pois, embora um dicionário possa ser necessário para entender as palavras e a natureza seja essencial para a vida, a comparação direta envolvendo “dificuldade” não é claramente justificada. Além disso, a “dificuldade” não é uma característica intrínseca de um dicionário ou da natureza.

A alternativa (C) está errada, pois precariedade não é uma característica associada a um dicionário ou à natureza de maneira geral. Embora ambos possam ser necessários (dicionários para compreensão da linguagem, natureza para a vida), a precariedade não se encaixa na comparação da frase.

A alternativa (D) está errada, pois, como vimos, precariedade não é uma característica relevante na comparação da frase. Como vimos anteriormente, quantidade é uma marca na comparação dessa frase.

A alternativa (E) está errada, pois, como vimos, cabe “variedade”, mas não cabe “dificuldade”.

Gabarito: A

 

3. (FGV / PCSC Psicólogo Policial Civil 2024)

Muitas frases são construídas tendo por base outras frases famosas; entre as que estão abaixo, assinale aquela que está isenta dessa intertextualidade.

(A) Repolho não pensa. Logo, não existe.

(B) O céu é o pão de cada dia dos olhos.

(C) A Terra é o provável paraíso perdido.

(D) Antes um pássaro a voar que dois na mão.

(E) A mosca é o termômetro da higiene.

Comentário: Na alternativa (A), há intertextualidade, pois a frase “Repolho não pensa. Logo, não existe.” apresenta uma variação do famoso pensamento de René Descartes “Penso, logo existo”. Neste contexto, a ideia é invertida para um contexto humorístico.

Na alternativa (B), há intertextualidade, pois a frase “O céu é o pão de cada dia dos olhos.” apresenta uma reinterpretação da expressão bíblica “o pão nosso de cada dia“, que é usada na oração do Pai Nosso. A frase associa o céu a algo diariamente necessário ou apreciado, semelhante ao pão.

Na alternativa (C), há intertextualidade, pois a frase “A Terra é o provável paraíso perdido.” remete ao título da obra épica “Paraíso Perdido” de John Milton, mas a coloca em um contexto moderno, referindo-se à Terra.

Na alternativa (D), há intertextualidade, pois a frase “Antes um pássaro a voar que dois na mão.” apresenta uma variação do provérbio “Mais vale um pássaro na mão do que dois voando“, mas com uma interpretação oposta, valorizando a liberdade em vez da posse segura.

A alternativa (E) é a que devemos marcar, pois a frase “A mosca é o termômetro da higiene.” não apresenta variação direta de nenhuma frase famosa e não apresenta nenhuma expressão dessa frase que seja variação ou faça alusão a alguma expressão famosa. Assim, não há intertextualidade.

Gabarito: E

 

4. (FGV / PCSC Psicólogo Policial Civil 2024)

Assinale a frase em que a locução sublinhada foi corretamente substituída por um só vocábulo.

(A) O manancial desaprova quase sempre o itinerário do rio. / pluvial.

(B) A felicidade ou a infelicidade dos homens depende tanto de seus humores quanto de sua sorte. / masculina.

(C) Basta um minuto para fazer um herói; mas é necessária uma vida inteira para fazer um homem de bem. / benevolente.

(D) Nas situações de crise lembra-te de que deves conservar tranquila a tua cabeça. / críticas.

(E) A liberdade do outro amplia a minha. / altruísta.

Comentário: A alternativa (A) está errada, pois a locução adjetiva “do rio” pode ser substituída pelo adjetivo de mesmo sentido “fluvial”. O adjetivo “pluvial” é relativo à chuva.

A alternativa (B) está errada, pois a locução adjetiva “dos homens”, neste contexto, é o mesmo que “dos seres humanos” e pode ser substituída pelo adjetivo de mesmo sentido “humanas”. O adjetivo “masculina” relaciona-se à restrição ao gênero masculino, isto é, sem mulheres neste grupo.

A alternativa (C) está errada, pois a locução adjetiva “de bem” pode ser substituída pelo adjetivo de mesmo sentido “íntegro”. Esse adjetivo transmite a ideia de alguém que é moralmente correto, honesto e possui princípios éticos sólidos, o que está em consonância com o sentido de homem “de bem”.

Já o adjetivo “benevolente” tem o mesmo sentido da locução adjetiva “de boa vontade”, pois tal locução transmite uma ideia similar de bondade, generosidade e disposição para fazer o bem, características associadas à benevolência.

A alternativa (D) é a correta, pois “situações de crise” é o mesmo que “situações críticas”.

A alternativa (E) está errada, pois a locução adjetiva “do outro”, neste contexto, é o mesmo que “outrem”. O adjetivo “altruísta” se refere a um nobre sentimento. A pessoa altruísta se doa para o próximo sem esperar nada em troca.

Gabarito: D

 

5. (FGV / PCSC Psicólogo Policial Civil 2024)

Observe a seguinte frase:

“Os deuses fizeram o campo mais esplendidamente e melhor que tudo.”

Assinale a opção correta sobre as propostas de mudanças nessa frase.

(A) Se reescrevêssemos essa frase, iniciando-a pelo substantivo “campo”, sua forma adequada seria: “O campo, os deuses o fizeram mais esplendidamente e melhor que tudo.”

(B) Se colocarmos “campo” no plural, a forma do vocábulo “melhor” deve modificar-se para “melhores”.

(C) O vocábulo “melhor” poderia ser corretamente substituído por “mais bom”.

(D) A forma verbal “fizeram” poderia ser substituída convenientemente pela forma “construíram” de sentido mais específico.

(E) Se trocarmos “mais esplendidamente” por “da forma mais esplêndida”, o vocábulo “mais” muda de classe gramatical.

Comentário: A alternativa (A) é a correta, pois a reescrita apenas apresenta enfaticamente o objeto direto com o pronome “o” como objeto direto pleonástico. Compare:

Os deuses fizeram o campo mais esplendidamente e melhor que tudo.

O campo, os deuses o fizeram mais esplendidamente e melhor que tudo.

A alternativa (B) está errada, pois, na frase “Os deuses fizeram o campo mais esplendidamente e melhor que tudo.”, os elementos comparativos de superioridade “mais esplendidamente e melhor que tudo” são constituídos dos advérbios “mais”, “esplendidamente” e “melhor”.

Como sabemos que advérbios não se flexionam no plural, a afirmação está errada.

A alternativa (C) está errada, pois só cabe a forma comparativa de superioridade sintética do advérbio “bem”, que é “melhor”. Note que não há adjetivo “bom”.

A alternativa (D) está errada, pois a forma “construíram” não tem sentido mais específico que “fizeram”.

A alternativa (E) está errada, pois o vocábulo “mais”, em “mais esplendidamente”, é advérbio de intensidade que modifica o advérbio “esplendidamente”. Em “da forma mais esplêndida”, o advérbio de intensidade “mais” modifica o adjetivo “esplêndida”.

Assim, não há mudança de classe gramatical. Permanece como advérbio.

Gabarito: A

 

6. (FGV / PCSC Psicólogo Policial Civil 2024)

As opções abaixo mostram textos compostos de dois segmentos, separados por uma barra inclinada.

Assinale a relação lógica entre esses segmentos que está corretamente indicada.

(A) A cidade não é uma selva de concreto; / é um zoológico humano. – Relação de comparação.

(B) Não acuses a natureza. / Ela fez a parte dela. – Relação de explicação.

(C) Há boas razões para proteger a Terra. / É o modo mais seguro de prolongar a lucratividade. – Relação de conclusão.

(D) O sol não ganharia nada em beleza / se aparecesse somente uma vez ao ano. – Relação de concessão.

(E) Vamos deixar a natureza seguir seu caminho; / ela entende do negócio melhor do que nós. – Relação de causa e consequência.

Comentário: A alternativa (A) está errada, pois, embora cada oração se estruture com base em metáfora (comparação), a relação entre essas orações é de contraste, pois a primeira oração nega, e a segunda afirma. Assim, a primeira metáfora de que a cidade é “selva de concreto” é rejeitada em favor de outra: a cidade é um zoológico humano.

Dessa forma, não há comparação entre as orações, mas contraste, oposição.

A alternativa (B) é a correta, pois a segunda oração explica ou justifica a primeira. A instrução para não acusar a natureza é apoiada pela explicação de que a natureza já cumpriu seu papel. Veja com a inserção de um conectivo adequado:

Não acuses a natureza, pois ela fez a parte dela.

A alternativa (C) está errada, pois a segunda frase é uma explicação ou justificativa das boas razões para proteger a Terra, isto é: prolonga a lucratividade. Assim, não cabe conclusão na segunda frase. Veja com a inserção de um conectivo adequado:

Há boas razões para proteger a Terra, pois é o modo mais seguro de prolongar a lucratividade.

A alternativa (D) está errada, pois a segunda oração transmite claramente o valor de condição, por meio da conjunção “se”, e não de concessão.

O sol não ganharia nada em beleza se aparecesse somente uma vez ao ano.

A alternativa (E) está errada, pois a segunda oração fornece um fundamento ou justificativa para a sugestão feita na primeira oração. Assim, não cabe consequência na segunda oração. Veja com a inserção de um conectivo adequado:

Vamos deixar a natureza seguir seu caminho, pois ela entende do negócio melhor do que nós.

Gabarito: B

 

7. (FGV / PCSC Psicólogo Policial Civil 2024)

Observe, sob o ponto de vista argumentativo, a seguinte frase: “A cidade não é uma selva de concreto; é um zoológico humano.”

A afirmativa correta sobre a estruturação argumentativa dessa frase é:

(A) a tese do texto é a de que a cidade não é uma selva de concreto.

(B) o argumento que apoia a tese se baseia no bom-senso.

(C) a tese do texto é apresentada sem qualquer argumento que a suporte.

(D) a argumentação do texto se utiliza do método dedutivo.

(E) o argumentador apela para a intimidação do leitor.

Comentário: Normalmente, quando uma frase inicia por negação, quer-se negar algo comumente falado e em seguida há o pensamento do autor.

Assim, a frase “A cidade não é uma selva de concreto; é um zoológico humano” é estruturada de forma a criar um contraste direto entre duas visões diferentes da cidade.

Primeiro, ela refuta a ideia comum da cidade como uma “selva de concreto” e depois propõe uma perspectiva alternativa, comparando-a a um “zoológico humano”.

Note que a frase não oferece argumentos racionais ou evidências para apoiar sua visão. Em vez disso, ela procura provocar reflexão no leitor, incentivando-o a repensar as maneiras comuns de ver a cidade.

Agora, vamos às alternativas.

A alternativa (A) está errada, pois a frase começa negando que a cidade seja uma “selva de concreto”, como comumente se fala, mas a tese vai além disso: ela propõe uma visão alternativa da cidade como um “zoológico humano”.

A alternativa (B) está errada, pois o texto apresenta a tese. Não apresenta argumento. Além disso, não há elemento no texto que se possa julgar basear-se no bom-senso. Para isso, haveria necessidade de uma ampliação com outra frase que fornecesse, por exemplo, uma analogia mais detalhada e uma explicação concreta para a comparação feita entre a cidade e um zoológico humano. Mas isso é só uma possibilidade. O que importa é que não houve argumento na frase.

A alternativa (C) é a correta, pois realmente a tese do texto é apresentada sem qualquer argumento que a suporte. A frase apresenta uma afirmação metafórica, mas não oferece argumentos concretos ou evidências para apoiar a visão de que a cidade é um “zoológico humano”.

Como comentado anteriormente, a frase procura provocar reflexão no leitor, incentivando-o a repensar as maneiras comuns de ver a cidade, e não um argumento.

A alternativa (D) está errada, pois o método dedutivo envolveria uma lógica de premissas gerais levando a uma conclusão específica. A frase, por outro lado, é uma afirmação metafórica e não segue uma estrutura dedutiva.

A alternativa (E) está errada, pois não há elementos na frase que sugiram uma tentativa de intimidação. A frase é uma afirmação metafórica que busca provocar reflexão, e não intimidar.

Gabarito: C

 

8. (FGV / PCSC Psicólogo Policial Civil 2024)

Todas as frases abaixo foram retiradas de um dicionário de citações e quatro delas apresentam erros relacionados à norma culta da língua portuguesa.

Assinale a única frase correta.

(A) Só se pode vencer a natureza obedecendo-a.

(B) Os rios são caminhos que marcham por si só.

(C) Todas as especulações são cinzas, meu amigo, mas a árvore de ouro da vida é eternamente verde.

(D) Destaca-se e viverás.

(E) Toda a vida é sonho e os sonhos, sonhos são.

Comentário: A alternativa (A) está errada, pois o verbo “obedecendo” é transitivo indireto e não admite o pronome átono “a” como objeto indireto. Veja a correção:

Só se pode vencer a natureza obedecendo-lhe.

A alternativa (B) está errada, pois o adjetivo “só” deve concordar com o seu referente plural “caminhos”. Veja a correção:

Os rios são caminhos que marcham por si sós.

A alternativa (C) está errada, pois “cinza” faz contraste com “verde”. Assim, tais palavras estão relacionadas à cor. O adjetivo “verde” se flexiona normalmente no plural quando o referente é plural: camisa verde, camisas verdes.

Porém, o substantivo que se relaciona à cor não deve flexionar-se. Assim, o correto é o emprego de “cinza” no singular. Veja a correção:

Todas as especulações são cinza, meu amigo, mas a árvore de ouro da vida é eternamente verde.

A alternativa (D) está errada, pois, pela conjugação do segundo verbo (“viverás”) na segunda pessoa do singular, notamos que o primeiro também deve ser conjugado nesta pessoa: “Destaca”. Porém, o pronome átono “se” não acompanhou tal pessoa. Assim, para ficar correto, deve-se estruturar da seguinte forma:

Destaca-te e viverás.

A alternativa (E) foi dada como a correta.

É certo que não cabe vírgula entre o sujeito e o predicativo de uma oração. Na oração “e os sonhos, sonhos são”, o termo “os sonhos” é o sujeito e o termo “sonhos” é o predicativo do sujeito. Note que “são” é verbo de ligação.

Mas note que a palavra “sonho” se repete neste pequeno período. Ocorre três vezes num segmento de pequena extensão. Isso nos dá sinal de estilo, de ênfase.

Assim, devemos analisar a pontuação também como expressividade, estilo, ênfase.

Como notamos que as demais alternativas apresentam erros gramaticais incontestáveis, notamos que cabe a vírgula por estilo, simplesmente para enfatizar a repetição do substantivo “sonhos” na última oração. Veja:

Toda a vida é sonho e os sonhos, sonhos são.

Gabarito: E

 

9. (FGV / PCSC Psicólogo Policial Civil 2024)

Em todos os fragmentos textuais abaixo há processos de retomada dos termos sublinhados; assinale a frase em que o processo é realizado por uma classe gramatical diferente das demais.

(A) Não acuses a natureza. Ela já fez a parte dela.

(B) Graças a Deus o sol já se pôs, e não tenho mais de sair para aproveitá-lo.

(C) Considerai como crescem os lírios do campo; eles não trabalham nem fiam.

(D) Os moradores dos campos são melhores que os das cidades.

(E) Quando um homem não observa a natureza, sempre crê poder melhorá-la.

Comentário: Note que, nas alternativas (A), (B), (C) e (E), os pronomes pessoais “Ela”, “-lo”, “eles”, “-la” retomam seus antecedentes sublinhados.

Assim, o processo de retomada ocorreu com o emprego de pronomes pessoais.

Porém, na alternativa (D), o processo de retomada não ocorreu com pronome pessoal.

Na realidade, o artigo “os” faz subentender o substantivo plural “moradores”. Assim, ocorreu a elipse.

Por isso, a alternativa (D) é a que deve ser marcada.

Um detalhe importante: há quem entenda que “os” também pode ser percebido como pronome demonstrativo reduzido “os”, o qual tem o mesmo valor de “aqueles”. Veja:

Os moradores dos campos são melhores que os das cidades.

Os moradores dos campos são melhores que aqueles das cidades.

Assim, também o processo ocorreria por emprego de pronome. Por isso mesmo, a banca deixou as demais alternativas com retomada por pronome pessoal, para evitar recurso ou anulação da questão.

Entendendo como artigo (neste caso, seria elipse do substantivo) ou como pronome demonstrativo, o emprego de “os” é diferente do das demais alternativas.

Gabarito: D

 

10. (FGV / PCSC Psicólogo Policial Civil 2024)

As frases a seguir mostram a modificação de uma forma reduzida para uma forma de oração desenvolvida; assinale a opção em que essa modificação foi feita de forma adequada.

(A)  Há boas razões para proteger a Terra. / Há boas razões para que protegêssemos a Terra.

(B)  Quando um homem não observa a natureza, sempre crê poder melhorá-la. / Quando um homem não observa a natureza, sempre crê que possa melhorá-la.

(C)  É impossível ensinar um gato a não pegar passarinhos. / É impossível ensinar um gato a que não pegasse passarinhos.

(D)  Sirvo-me de animais para instruir os homens. / Sirvo-me de animais para a instrução dos homens.

(E)   A natureza não nos permitiu conhecer o limite das coisas. / A natureza não nos permitiu que conheçamos o limite das coisas.

Comentário: A questão pede a modificação de uma forma reduzida para uma forma de oração desenvolvida.

Uma oração desenvolvida deve ser iniciada por uma conjunção ou pronome relativo (se for oração adjetiva) e deve conter verbo conjugado em modo e tempo verbal.

Assim, além de verificar se há oração desenvolvida, quando esse verbo sair da forma infinitiva, o seu tempo verbal deve combinar com o do verbo da oração principal.

A alternativa (A) está errada, pois o pretérito imperfeito do subjuntivo “protegêssemos” não combina com o presente do indicativo “Há”. Assim, para haver tal combinação, devemos passar o verbo para o presente do subjuntivo “protejamos”. Veja:

Há boas razões para que protejamos a Terra.

A alternativa (B) é a correta, pois a oração subordinada substantiva objetiva direta reduzida de infinitivo “poder melhorá-la” passou a desenvolvida, tendo em vista que foi inserida a conjunção integrante “que” e o verbo auxiliar deixou de ser infinitivo e passou a ser presente do subjuntivo, combinando com o verbo da oração principal “crê”. Confirme:

Quando um homem não observa a natureza, sempre crê que possa melhorá-la.

Neste caso, como é algo que se crê, isto é, não é certeza, mas possibilidade, é ideal que o tempo verbal seja o presente do subjuntivo “possa”.

A alternativa (C) está errada, pois o pretérito imperfeito do subjuntivo “pegasse” não combina com o presente do indicativo “É“. Assim, para haver tal combinação, devemos passar o verbo para o presente do subjuntivo “pegue”. Veja:

É impossível ensinar um gato a que não pegue passarinhos.

A alternativa (D) está errada, pois houve uma nominalização, isto é, a transformação de uma oração (para instruir os homens) em termo da oração (para a instrução dos homens). Assim, não atende ao comando da questão.

A alternativa (E) está errada, pois o presente do subjuntivo “conheçamos” não combina com o pretérito perfeito do indicativo “permitiu”. Assim, para haver tal combinação, devemos passar o verbo para o pretérito imperfeito do subjuntivo “conhecêssemos”. Veja:

A natureza não nos permitiu que conhecêssemos o limite das coisas.

Gabarito: B

 

Prova comentada Português – Prefeitura de BH 2024 Auditor de Controle Interno

Veja a Prova Resolvida Português FGV Prefeitura de Belo Horizonte 2024 Auditor de Controle Interno.

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1. (FGV / Prefeitura Belo Horizonte-MG Auditor de Controle Interno 2024)

As frases a seguir mostram termos sublinhados que retomam termos anteriores. Assinale a frase em que o tipo de retomada está corretamente identificado.

(A)  Luís Filipe acaba de comprar três esferográficas, dois lápis e folhas de papel pautado. Ele necessita desses artigos para suas anotações arqueológicas. / Sinônimo.

(B)  Cristiane comprou recentemente novos patins. Os seus velhos já não cabiam mais. / Hiperônimo.

(C)  Desde alguns anos, nos foram indicados vários produtos para substituírem a aspirina. Entretanto esse medicamento permanece eficaz em muitas circunstâncias. / Grupo nominal.

(D)  A mulher ocupa mais e mais seu lugar em nossa sociedade. Não é raro ver mulheres ocupando cargos de chefia. / Repetição de termos com flexão diferente.

Comentário: A alternativa (A) está errada, pois o substantivo “artigos” tem um sentido geral (hiperônimo) e engloba os itens “três esferográficas”, “dois lápis” e “folhas de papel pautado” (hipônimos), os quais têm valores específicos. Assim, a retomada desses itens pelo substantivo “artigos” empregou o recurso do hiperônimo (nome geral que retoma nome específico), e não sinônimo.

A alternativa (B) está errada, pois o termo “Os seus velhos” retoma o substantivo “patins” e o faz ficar subentendido. Assim, o recurso de coesão empregado envolve a elipse do substantivo “patins” e o acúmulo de palavras, o qual também pode ser entendido como grupo nominal. Assim, não cabe hiperônimo.

A alternativa (C) está errada, pois “medicamento” tem sentido geral (hiperônimo) e retomou o substantivo de sentido específico “aspirina” (hipônimo). Assim, o recurso empregado foi hiperônimo, e não grupo nominal.

A alternativa (D) é a correta, pois “mulheres” repete o substantivo retomado, porém no plural. Assim, realmente o recurso de coesão foi a repetição de termos com flexão diferente.

Gabarito: D

 

2. (FGV / Prefeitura Belo Horizonte-MG Auditor de Controle Interno 2024)

Todas as frases abaixo mostram um grupo nominal formado por substantivo + adjetivo. Assinale a frase em que a troca de posição entre os dois modifica o sentido do grupo.

(A)  A agricultura fomenta a sensatez, sensatez de excelente índole.

(B)  Nenhum pássaro voa alto demais se voa com as próprias asas.

(C)  O trabalho do lavrador é o trabalho natural do homem, o único que acalma as paixões e vigoriza o corpo.

(D)  Lembrai-vos que as mais belas coisas do mundo são as mais inúteis: lírios e pavões, por exemplo.

Comentário: Na alternativa (A), a troca de posição entre substantivo e adjetivo não muda o sentido, pois mantém a mesma ideia de qualidade ou natureza positiva da “sensatez”. Confirme:

A agricultura fomenta a sensatez, sensatez de excelente índole.

A agricultura fomenta a sensatez, sensatez de índole excelente.

A alternativa (B) é a que devemos marcar, pois, na frase original, “próprias asas” enfatiza a ideia de autonomia e capacidade inerente do pássaro. Porém, com a troca “asas próprias”, o adjetivo “próprias” se posicionou após o substantivo “asas” e com isso passou a ter o sentido de que as asas são adequadas ou apropriadas. Isso significa que o adjetivo está enfatizando que as asas, além de serem pertencentes ao pássaro, também são adequadas, apropriadas ou suficientes para a tarefa de voar bem alto. O uso de “próprias” após o substantivo, neste contexto, transmite a ideia de que o pássaro tem tudo o que é necessário, de forma inerente e natural, para alcançar grandes alturas. Confirme:

Nenhum pássaro voa alto demais se voa com as próprias asas.

Nenhum pássaro voa alto demais se voa com as asas próprias.

Nenhum pássaro voa alto demais se voa com as asas adequadas.

Nenhum pássaro voa alto demais se voa com as asas apropriadas.

Na alternativa (C), a inversão para “natural trabalho” não altera fundamentalmente o sentido. Continua indicando que o trabalho do lavrador está de acordo com a natureza humana:

O trabalho do lavrador é o trabalho natural do homem, o único que acalma as paixões e vigoriza o corpo.

O trabalho do lavrador é o natural trabalho do homem, o único que acalma as paixões e vigoriza o corpo.

Na alternativa (D), se invertermos a posição do adjetivo e substantivo para formar “coisas mais belas” (note que o advérbio “mais” acompanha o adjetivo “belas”), o sentido da frase se mantém. A ênfase continua sendo que as coisas que são extremamente belas tendem a ser inúteis, como os lírios e pavões mencionados.

Lembrai-vos que as mais belas coisas do mundo são as mais inúteis: lírios e pavões, por exemplo.

Lembrai-vos que as coisas mais belas do mundo são as mais inúteis: lírios e pavões, por exemplo.

Gabarito: B

 

3. (FGV / Prefeitura Belo Horizonte-MG Auditor de Controle Interno 2024)

Assinale a opção que mostra a frase em que o emprego do pronome sublinhado está inadequado.

(A)     É uma coisa terrível para um intelectual quando ele encara uma ideia como uma realidade.

(B)     Uma ideia não é responsável por pessoas que acreditam nela.

(C)     A principal função do educador é cuidar para que ele não confunda o bem com a passividade e o mal com a atividade.

(D)     Se você quiser civilizar alguém, comece pela avó dele.

Comentário: A alternativa (A) está correta, pois o pronome “ele” é usado para se referir ao substantivo “intelectual”. O uso é adequado porque está claro a quem o pronome se refere e está em concordância com o substantivo a que se refere tanto em gênero quanto em número. Confirme:

É uma coisa terrível para um intelectual quando ele encara uma ideia como uma realidade.

A alternativa (B) está correta, pois, na contração “nela”, o pronome “ela” refere-se claramente a “uma ideia”. O uso é apropriado, pois há concordância em gênero e número, e a referência está clara.

Uma ideia não é responsável por pessoas que acreditam nela.

A alternativa (C) está correta, pois o pronome “ele” se refere ao substantivo “educador”. Este uso é correto, pois o pronome está em concordância com o antecedente “educador” e a referência é clara.

A principal função do educador é cuidar para que ele não confunda o bem com a passividade e o mal com a atividade.

A alternativa (D) é a inadequada, pois, na contração “dele”, o pronome “ele” é usado para se referir ao pronome “alguém”. A inadequação surge porque o pronome “alguém” é indefinido e não especifica o gênero.

Assim, usar “dele” pode ser considerado inadequado, pois presume o gênero masculino para um antecedente que é neutro em relação ao gênero. Seria mais apropriado usar uma forma que não especifique o gênero, como “dessa pessoa” ou “dele ou dela”, para manter a neutralidade.

Se você quiser civilizar alguém, comece pela avó dele.

Se você quiser civilizar alguém, comece pela avó dessa pessoa.

Se você quiser civilizar alguém, comece pela avó dele ou dela.

Gabarito: D

 

4. (FGV / Prefeitura Belo Horizonte-MG Auditor de Controle Interno 2024)

Assinale a frase que se apresenta inteiramente coerente.

(A)  Não me lembro do que ele morreu. Só me lembro que não era nada sério.

(B)  Minha certidão de nascimento é velha, mas não a minha idade.

(C)  Casa, comida e diamantes – isso é essencial, o resto é supérfluo.

(D)  A única maneira de conter esta onda de suicídios é fazer com que seja um crime punido com pena de morte.

Comentário: A questão trabalha o que chamamos de incoerência aparente, o que é muito comum em nossa fala do dia a dia. Muitas vezes, examinando as frases, encontramos uma incoerência, a qual é inserida por motivo de ênfase e queremos com isso transmitir uma ideia adjacente.

Na alternativa (A), há incoerência, pois foi afirmado que a causa da morte não era nada sério. Porém, se houve morte, é fato que algum problema sério houve. Tanto assim que levou alguém à morte. Houve o chamado paradoxo, isto é, uma contradição e ela reforça que houve incoerência.

Mas note que há uma intenção por trás dessa incoerência aparente. Leia novamente:

Não me lembro do que ele morreu. Só me lembro que não era nada sério.

Essa incoerência sugere que alguém achou que o problema não era sério até saber da morte da pessoa.

Na alternativa (B), há incoerência, pois a idade de uma pessoa aumenta com o passar do tempo, assim como a “idade” de uma certidão de nascimento. A tentativa de separar a idade da pessoa da antiguidade do documento cria uma contradição, já que ambos envelhecem juntos.

Aqui também notamos uma intenção por trás dessa incoerência aparente. Leia novamente:

Minha certidão de nascimento é velha, mas não a minha idade.

Essa incoerência sugere que alguém não se sente com a idade que tem. Julga ter uma cabeça e atitude de pessoas mais jovens, diferentes da sua idade real.

A alternativa (C) é a que deve ser marcada, pois não apresenta nenhuma incoerência. Ela expressa a opinião de que “casa, comida e diamantes” são essenciais para a pessoa que está falando, enquanto tudo o mais é considerado supérfluo.

Embora possa parecer um pouco irônico ou humorístico (especialmente a inclusão de “diamantes” como essencial), a frase mantém a lógica interna e é consistente em si mesma.

Na alternativa (D), há incoerência, pois propor a pena de morte como punição para o suicídio é ilógico, já que o suicídio, por sua natureza, resulta na morte do indivíduo. Portanto, não faz sentido usar a morte como punição para alguém que já faleceu.

Aqui, a única ideia a ser entendida com essa incoerência é o humor.

A única maneira de conter esta onda de suicídios é fazer com que seja um crime punido com pena de morte.

Gabarito: C

 

5. (FGV / Prefeitura Belo Horizonte-MG Auditor de Controle Interno 2024)

As frases a seguir mostram uma comparação. Assinale a única frase em que a comparação feita não é seguida por uma explicação sobre ela.

(A) A vida é um circo gratuito: basta você prestar atenção.

(B) A alma humana é como a nuvem. Está sempre em movimento e mudando.

(C) A vida é bicicleta com câmbio de dez velocidades. A maioria de nós tem marchas que nunca usa.

(D) A maioria das pessoas são como os alfinetes: suas cabeças não são o mais importante.

Comentário: A alternativa (A) é a que deve ser marcada, pois a comparação da vida com um “circo gratuito” não é seguida por explicação.

A comparação inicial (“A vida é um circo gratuito”) usa uma metáfora para sugerir que a vida está cheia de espetáculos, cores, alegrias e talvez até caos, assim como um circo.

A oração subsequente (“basta você prestar atenção”) implica que, para experienciar e apreciar plenamente esses aspectos da vida, a única coisa necessária é a atenção.

Portanto, a segunda parte da frase serve mais como um conselho sobre como abordar a vida (prestando atenção) do que como uma explicação da comparação feita anteriormente.

Leia novamente a frase:

A vida é um circo gratuito: basta você prestar atenção.

A segunda oração é mais um aconselhamento. É como se o autor estivesse falando o seguinte: Se você ainda não acha que a vida é um circo gratuito, comece a prestar atenção nas coisas que nos rodeiam. Você vai conseguir notar.

Assim, notamos que a segunda oração não explica a comparação. Apenas aconselha que o interlocutor preste mais atenção.

Na alternativa (B), há comparação seguida de explicação dessa comparação. A comparação entre a “alma humana” e “a nuvem” é seguida por uma explicação direta: “Está sempre em movimento e mudando”. Essa explicação esclarece a comparação, mostrando como a alma humana é semelhante a uma nuvem em constante mudança. Confirme:

A alma humana é como a nuvem. Está sempre em movimento e mudando.

Na alternativa (C), há comparação seguida de explicação dessa comparação. A comparação da vida com uma “bicicleta com câmbio de dez velocidades” é explicada pela afirmação subsequente: “A maioria de nós tem marchas que nunca usa”. Isso esclarece a comparação, sugerindo que, assim como em uma bicicleta com muitas marchas, na vida, muitas vezes não utilizamos todas as nossas possibilidades ou recursos. Confirme:

A vida é bicicleta com câmbio de dez velocidades. A maioria de nós tem marchas que nunca usa.

Na alternativa (D), há comparação seguida de explicação dessa comparação. A comparação entre “pessoas” e “alfinetes” é seguida por uma explicação que esclarece o ponto de comparação: “suas cabeças não são o mais importante”. Isso esclarece a comparação, pois indica que, tanto para pessoas quanto para alfinetes, outras características (talvez a funcionalidade ou a ação) são mais importantes do que as “cabeças”. Confirme:

A maioria das pessoas são como os alfinetes: suas cabeças não são o mais importante.

Gabarito: A

 

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