Gabarito Extraoficial PCPR 2026: Português Comentado (Agente, FGV)

Preview – Gabarito PCPR 2026

Professor Décio TerrorGabarito extraoficial
PCPR 2026 · Agente · FGV

Gabarito extraoficial de Português da PCPR 2026: as 25 questões da FGV comentadas

Confira a resposta de cada questão da prova de Agente da Polícia Civil do Paraná, com o comentário de todas as alternativas, certas e erradas.

ConcursoPCPR 2026
CargoAgente de Polícia Judiciária
BancaFGV
Data da prova11/10/2026
CadernoTipo 2

A prova objetiva do concurso da Polícia Civil do Paraná (PCPR) para o cargo de Agente de Polícia Judiciária foi aplicada neste domingo, 11 de outubro de 2026, pela FGV. Para você estimar seu desempenho, preparei o gabarito extraoficial de Língua Portuguesa, com o comentário de cada uma das cinco alternativas das 25 questões.

A banca trouxe uma prova fortemente centrada em interpretação e leitura de gêneros textuais, quase sempre com textos ligados ao Paraná. Também apareceram regência, crase, concordância, formação de palavras, coesão, funções da linguagem e intertextualidade.

Atenção: este gabarito segue a numeração do caderno Tipo 2. Se você fez outro tipo de prova, a ordem das questões e das alternativas pode ser diferente. Por isso, confira pelo conteúdo do enunciado. Este é um gabarito extraoficial: o resultado definitivo depende do gabarito preliminar divulgado pela FGV e da análise dos recursos.

Gabarito rápido de Português PCPR 2026 (Tipo 2)

Se você só quer conferir as respostas, aqui está o gabarito de cada questão:

Q1E
Q2A
Q3E
Q4A
Q5C
Q6D
Q7D
Q8D
Q9C
Q10A
Q11E
Q12B
Q13B
Q14C
Q15C
Q16B
Q17B
Q18E
Q19D
Q20C
Q21A
Q22E
Q23B
Q24C
Q25D

Questões comentadas

1 Sentido da palavra “línguas” GABARITO: E

Resumo do texto-base

Em texto publicado em seu site, o escritor Cristovão Tezza defende que a língua é o espaço que forma o escritor e que, dentro de um mesmo idioma, há tantas línguas quanto escritores. Para ele, a matéria da literatura não é um sistema abstrato de regras, e sim a língua viva do falante, que é o verdadeiro território de quem escreve.

Fonte indicada na prova: site de Cristovão Tezza.

Ao afirmar que “há tantas línguas […] no universo do mesmo idioma quanto há escritores”, o autor emprega a palavra “línguas” para se referir

A

aos códigos particulares criados pelos escritores para impedir que suas obras sejam compreendidas por outros falantes.

Errada. O texto não afirma que os escritores criem códigos para impedir a compreensão de suas obras. Trata da diversidade de usos da língua.

B

às variedades nacionais de um idioma, determinadas pelo território em que cada escritor produz sua obra.

Errada. Essa interpretação restringe a diversidade linguística ao território nacional, enquanto o texto destaca as experiências dos falantes e a expressão particular dos escritores.

C

aos sistemas abstratos de regras que os escritores precisam dominar antes de desenvolver linguagem literária própria.

Errada. O autor rejeita justamente a redução da matéria literária a um sistema abstrato de regras e relações.

D

aos diferentes idiomas conhecidos pelos escritores e incorporados por eles à composição linguística de seus textos.

Errada. A expressão “no universo do mesmo idioma” mostra que a diversidade ocorre dentro de uma mesma língua, sem pressupor o emprego de idiomas diferentes.

E

às diversas formas de uso do idioma, constituídas pelas experiências dos falantes e pela expressão de cada escritor.

Certa. “Línguas” designa as diferentes maneiras de utilizar o mesmo idioma, relacionadas às experiências dos falantes e à expressão de cada escritor.

2 Função conativa da linguagem GABARITO: A

Texto-base

A imagem apresenta uma publicação intitulada “Horóscopo de Leão”, com o título “Horóscopo 16/08/2026”, texto acompanhado de ícones e recursos gráficos.

No texto, a função conativa da linguagem é reforçada pela articulação entre

A

imperativos e recursos visuais que destacam apelos ao leitor.

Certa. A função conativa, também chamada de apelativa, orienta-se para o destinatário. Emprega comandos, sugestões e recomendações, frequentemente formulados no imperativo, associados a recursos que chamam a atenção do leitor.

B

datas e símbolos que comprovam a precisão das previsões.

Errada. Datas e símbolos não comprovam a precisão das previsões. Além disso, a função conativa se caracteriza pelo direcionamento ao receptor.

C

adjetivos e emojis que expressam emoções do enunciador.

Errada. A expressão de emoções do enunciador caracteriza a função emotiva.

D

informações pessoais e ícones que descrevem o signo.

Errada. Descrever o signo não explica o caráter apelativo do texto.

E

previsões e cores que asseguram a objetividade do conteúdo.

Errada. Cores não asseguram objetividade, e essa característica não define a função conativa.

3 Regência do verbo “acarretar” GABARITO: E

Texto-base

Florestas em chamas, perigo à vida, danos econômicos. Os incêndios florestais são verdadeiras catástrofes ambientais. De fácil ocorrência, quando a área está muito seca, qualquer lixo jogado pelo homem pode acarretar em um grande desastre. Cigarros, fósforos, lançamentos de foguetes e balões, fogueiras e queimadas inadequadas de detritos também são elementos iniciais para a tragédia.

Fonte indicada na prova: Corpo de Bombeiros do Paraná.

No trecho “qualquer lixo jogado pelo homem pode acarretar em um grande desastre”, a regência do verbo “acarretar” não está de acordo com a norma padrão. Uma reescrita que corrige esse problema e preserva o sentido original é:

A

qualquer lixo jogado pelo homem pode implicar em um grande desastre.

Errada. Na regência tradicional cobrada em concursos, “implicar”, no sentido de causar ou acarretar, é transitivo direto: “pode implicar um grande desastre”.

B

qualquer lixo jogado pelo homem pode resultar um grande desastre ambiental.

Errada. Nesse sentido, “resultar” exige a preposição “em”: “pode resultar em um grande desastre ambiental”.

C

qualquer lixo jogado pelo homem pode ocasionar com um grande desastre.

Errada. “Ocasionar” é transitivo direto: “pode ocasionar um grande desastre”. A preposição “com” é inadequada.

D

qualquer lixo jogado pelo homem pode levar na ocorrência de um grande desastre.

Errada. A construção correta seria “pode levar à ocorrência de um grande desastre”. O verbo exige a preposição “a”, que se combina com o artigo feminino de “ocorrência”.

E

qualquer lixo jogado pelo homem pode provocar um grande desastre ambiental.

Certa. “Provocar” é transitivo direto: “provocar um grande desastre ambiental”. A construção é gramaticalmente correta e preserva a relação de causa e consequência.

4 Expressões argumentativas GABARITO: A

Texto-base

A educação no trânsito desempenha um papel crucial na prevenção de acidentes, especialmente os causados pelo consumo de álcool. A conscientização sobre os riscos da combinação de álcool e direção deve começar desde a infância, em casa, nas escolas e nas instituições. O objetivo é cultivar uma mentalidade de que dirigir sob efeito de álcool não é apenas perigoso, mas também socialmente inaceitável.

Programas de educação para adultos também são fundamentais, incluindo campanhas em massa, palestras e treinamentos. Estas ações ajudam os motoristas a entender os impactos negativos do álcool no comportamento, nas habilidades de direção e nas capacidades cognitivas, como a redução do tempo de reação e perda de coordenação motora. É essencial também promover alternativas seguras de transporte, como o uso do transporte público, táxis ou aplicativos de mobilidade, além de reforçar a importância de não dirigir após consumir álcool.

Fonte indicada na prova: Detran-PR.

No desenvolvimento argumentativo do texto, as expressões “deve começar”, “são fundamentais” e “é essencial” contribuem para

A

apresentar ações educativas e preventivas necessárias ao enfrentamento dos riscos associados ao álcool e à direção.

Certa. As expressões destacam a necessidade e a importância das ações educativas e preventivas defendidas no texto.

B

atribuir caráter legalmente obrigatório às medidas de conscientização destinadas a crianças e motoristas adultos.

Errada. O texto apresenta recomendações e avaliações de necessidade, sem estabelecer uma obrigação legal.

C

assegurar que as campanhas educativas eliminam os acidentes provocados pelo consumo de bebidas alcoólicas.

Errada. Não se afirma que as campanhas eliminem os acidentes. Elas contribuem para a prevenção.

D

estabelecer uma ordem cronológica rígida para a realização das diferentes ações de educação no trânsito.

Errada. A referência à infância não estabelece uma sequência rígida para todas as ações mencionadas.

E

distinguir as recomendações institucionais das informações científicas comprovadas sobre os efeitos do álcool.

Errada. Essas expressões valorizam as medidas propostas, sem criar uma distinção entre recomendações e informações científicas.

5 Inferência: o graffiti na Biblioteca GABARITO: C

Resumo do texto-base

A notícia informa que a Biblioteca Pública do Paraná recebe a exposição coletiva “Graffiti Ex-Libris: Entre Livros, Nomes e Muros”, que propõe um diálogo entre arte urbana e literatura. Segundo o texto, ao ocupar esse espaço, o graffiti não abandona sua relação com a rua e amplia seu campo de leitura, encontrando novos públicos.

Fonte indicada na prova: Bem Paraná.

Ao afirmar que, na Biblioteca, “o graffiti não abandona sua relação com a rua” e “amplia seu campo de leitura”, o texto sugere que essa manifestação artística

A

deixa de pertencer ao espaço urbano quando passa a ser interpretada como uma produção vinculada à literatura.

Errada. O texto afirma que o graffiti não abandona sua relação com a rua.

B

preserva suas formas visuais, mas modifica sua origem para se adaptar às regras de circulação do espaço institucional.

Errada. A circulação em outro espaço não modifica a origem dessa manifestação artística.

C

mantém o vínculo com seu contexto de origem e passa a integrar novas situações de circulação e interpretação.

Certa. O graffiti preserva o vínculo com o espaço urbano e alcança novos públicos e possibilidades de interpretação.

D

substitui sua função de intervenção urbana pela finalidade de ilustrar os livros apresentados durante a exposição.

Errada. Não há afirmação de que a manifestação passe a ter a finalidade de ilustrar livros.

E

restringe sua linguagem aos visitantes da Biblioteca, embora continue reproduzindo temas próprios do ambiente das ruas.

Errada. “Amplia seu campo de leitura” indica expansão, e não restrição.

6 Sorte, habilidade e vício GABARITO: D

Resumo do texto-base

O artigo reflete sobre a passagem do lazer ao hábito e do hábito ao vício nos jogos de aposta. O autor observa que muitas pessoas passam a ver a sorte como uma habilidade humana, e o azar como falta de talento. Nessa lógica, para ter mais sucesso, seria preciso praticar a sorte com frequência, e é aí que o texto localiza o caminho do vício.

Fonte indicada na prova: Le Monde Diplomatique Brasil.

De acordo com o texto, compreender a sorte como uma habilidade pode favorecer o vício porque essa concepção

A

transforma os resultados aleatórios em demonstrações objetivas da capacidade intelectual de quem participa dos jogos.

Errada. O texto aborda uma concepção equivocada sobre a sorte. Não afirma que os resultados dos jogos demonstrem objetivamente a capacidade intelectual.

B

leva o indivíduo a abandonar atividades que exigem treinamento para se dedicar a práticas baseadas exclusivamente na crença.

Errada. O raciocínio apresentado aproxima a sorte de uma habilidade que exigiria treinamento, em vez de associá-la exclusivamente à crença.

C

faz que eventuais perdas sejam interpretadas como consequências inevitáveis da ausência de instrumentos tecnológicos adequados.

Errada. A referência a instrumentos de apoio aparece em uma comparação com outras habilidades, sem explicar as perdas nos jogos.

D

alimenta a expectativa de que a prática frequente aumentará o sucesso, incentivando a repetição do comportamento de apostar.

Certa. Se o indivíduo entende a sorte como uma habilidade treinável, pode acreditar que a repetição das apostas aumentará seu sucesso, favorecendo o vício.

E

permite ao indivíduo distinguir os momentos em que o jogo constitui uma forma de lazer daqueles em que se torna destrutivo.

Errada. A concepção discutida favorece o comportamento repetitivo, sem assegurar a identificação dos limites entre lazer e vício.

7 Formação de palavras: o sufixo “-ismo” GABARITO: D

Texto-base

Helena Kolody (União da Vitória, 12 de outubro de 1912 – Curitiba, 15 de fevereiro de 2004) foi uma poetisa brasileira. Uma das características mais marcantes de sua poesia são os temas cotidianos, a escrita com simplicidade e o subjetivismo, herdada do simbolismo e principalmente dos haikais, que é uma forma poética de origem japonesa, cuja característica é a concisão, ou seja, a arte de dizer o máximo com o mínimo.

Seus pais, Miguel e Vitória Kolody, foram imigrantes ucranianos que se conheceram no Brasil. Nascida em União da Vitória, Helena passou parte da infância até 1920 em Três Barras e até 1922 na cidade de Rio Negro, onde fez o curso primário. Estudou piano, pintura e, aos doze anos, fez seus primeiros versos.

Fonte indicada na prova: Wikipédia.

As palavras “subjetivismo” e “simbolismo”, empregadas no primeiro parágrafo, são formadas pelo acréscimo do sufixo “-ismo”. No contexto deste texto, o elemento sufixal participa da formação de substantivos que designam

A

ações realizadas repetidamente ao longo do tempo.

Errada. O sufixo não expressa repetição de ações nesses vocábulos.

B

qualidades concretas atribuídas à produção artística.

Errada. Os substantivos designam concepções e tendências, e não qualidades concretas.

C

lugares destinados à produção e à divulgação literária.

Errada. Não há indicação de lugar.

D

tendências, concepções ou correntes de pensamento.

Certa. Nesse contexto, “-ismo” participa da formação de palavras que nomeiam tendências ou concepções: “subjetivismo” e “simbolismo”.

E

agentes responsáveis pela criação de obras artísticas.

Errada. Para designar pessoas vinculadas a tendências, é frequente o sufixo “-ista”, como em “simbolista”.

8 Crase: preposição + artigo GABARITO: D

Texto-base

Por ocasião da campanha Maio Amarelo 2026, movimento dedicado à conscientização para a redução de sinistros de trânsito, o Detran-PR convida você a assumir o Compromisso pela Vida, adotando atitudes responsáveis e seguras […]. Ao aderir a este compromisso, você contribui de forma efetiva com a construção de um trânsito mais seguro e consciente, onde enxergar o outro é salvar vidas.

Fonte indicada na prova: Detran-PR.

No trecho “movimento dedicado à conscientização para a redução de sinistros de trânsito”, o acento indicativo de crase resulta da união da preposição com o artigo. O mesmo mecanismo ocorre em:

A

A campanha apresenta recomendações destinadas à condutores de diferentes categorias de veículos.

Errada. “Condutores” é um substantivo masculino. A construção correta é “destinadas a condutores” ou “destinadas aos condutores”.

B

O Detran-PR convida os cidadãos à assumir comportamentos responsáveis durante seus deslocamentos.

Errada. Não ocorre crase antes do verbo “assumir”: “convida os cidadãos a assumir”.

C

As orientações da campanha foram encaminhadas à você por diferentes meios de comunicação.

Errada. O pronome “você” não admite artigo feminino: “encaminhadas a você”.

D

A instituição mostrou-se favorável à adoção de atitudes mais responsáveis e seguras no trânsito.

Certa. “Favorável” exige a preposição “a”, e “adoção” admite o artigo “a”: favorável a + a adoção = à adoção.

E

A campanha passou à incentivar o respeito aos pedestres e aos limites de velocidade.

Errada. Não ocorre crase antes do verbo “incentivar”: “passou a incentivar”.

9 Humor no cartum GABARITO: C

Resumo do texto-base

No cartum intitulado “Economizei comprando”, um personagem avisa a Izuna que, naquele mês, eles precisam economizar. Izuna aparece carregada de produtos que comprou no mesmo dia e justifica que, como estavam em promoção, ela economizou comprando.

No cartum, o efeito de humor produzido pela resposta de Izuna decorre de a personagem

A

compreender a indicação de economizar como orientação para antecipar compras antes que os preços aumentem.

Errada. Não há referência a um aumento futuro dos preços.

B

considerar que os objetos adquiridos eram necessários, embora essa avaliação não apareça nas falas anteriores.

Errada. A necessidade dos produtos não é a justificativa apresentada por Izuna.

C

associar a compra em promoção à economia, desconsiderando o gasto advindo da quantidade de produtos adquiridos.

Certa. Izuna considera que comprar em promoção significa economizar, sem levar em conta o gasto total decorrente da quantidade de produtos.

D

interpretar a expressão “esse mês” como uma indicação de que as compras deveriam ser realizadas no mesmo dia.

Errada. O humor não decorre da interpretação da expressão temporal.

E

atribuir à palavra “promoção” o sentido de recebimento de uma vantagem financeira posterior às compras.

Errada. “Promoção” refere-se à redução de preços, sem indicar uma vantagem recebida posteriormente.

10 Valor semântico de “além de” GABARITO: A

Texto-base

Fundado em 1910 como Museu do Crime, com o intuito de armazenar objetos relacionados a delitos, passou a ser chamado de Museu Paranaense de Ciências Forenses em 2022. O espaço é dedicado a preservar a história da Polícia Científica do Paraná e divulgar as ciências forenses. Seu acervo inclui instrumentos e equipamentos de perícia, além de livros, documentos, fotografias, ossos e outras peças anatômicas. (…) O Museu também possui uma unidade móvel para visitar escolas e eventos. A exposição itinerante conta com diversos materiais das áreas de atuação pericial como crânios, uma coleção de insetos de fauna cadavérica, microscópio para visualização de lâminas histológicas, maletas de perícia, materiais balísticos, entre outros.

Fonte indicada na prova: Polícia Científica do Paraná.

No trecho “Seu acervo inclui instrumentos e equipamentos de perícia, além de livros, documentos, fotografias, ossos e outras peças anatômicas”, a expressão “além de” introduz uma relação semântica com o restante do sintagma. Essa relação está preservada caso a frase fosse reescrita da seguinte forma:

A

Seu acervo inclui instrumentos e equipamentos de perícia, bem como livros, documentos, fotografias, ossos e outras peças anatômicas.

Certa. “Bem como” preserva o valor de adição expresso por “além de”.

B

Seu acervo inclui instrumentos e equipamentos de perícia, embora possua livros, documentos, fotografias, ossos e outras peças anatômicas.

Errada. “Embora” introduz uma relação concessiva.

C

Seu acervo inclui instrumentos e equipamentos de perícia, portanto reúne livros, documentos, fotografias, ossos e outras peças anatômicas.

Errada. “Portanto” introduz uma conclusão.

D

Seu acervo inclui instrumentos e equipamentos de perícia, apesar de conter livros, documentos, fotografias, ossos e outras peças anatômicas.

Errada. “Apesar de” expressa concessão.

E

Seu acervo inclui instrumentos e equipamentos de perícia, por isso apresenta livros, documentos, fotografias, ossos e outras peças anatômicas.

Errada. “Por isso” apresenta uma consequência ou conclusão.

11 Intertextualidade GABARITO: E

Resumo do texto-base

No trecho do romance, a narradora apresenta Zélia, a vizinha fofoqueira. Para caracterizá-la, compara a personagem ao Espírito Santo, que tudo vê e tudo sabe, e ao Lobo Mau, com olhos grandes para ver melhor, ouvidos grandes para ouvir melhor e uma boca muito grande, que espalhava as notícias do bairro.

BATALHA, Martha. A vida invisível de Eurídice Gusmão. São Paulo: Cia das Letras, 2016, p. 11.

A construção da personagem Zélia mobiliza referências a outros textos e personagens amplamente conhecidos. Esse procedimento constitui um caso de

A

ambiguidade.

Errada. Ambiguidade é a possibilidade de mais de uma interpretação de uma expressão ou construção.

B

discurso indireto livre.

Errada. O procedimento destacado não corresponde à mistura da voz do narrador com a fala ou o pensamento da personagem.

C

polifonia.

Errada. Embora textos possam apresentar diferentes vozes, o recurso especificamente cobrado é a referência a outros textos e personagens.

D

metalinguagem.

Errada. Metalinguagem ocorre quando a linguagem se volta para si mesma.

E

intertextualidade.

Certa. As referências ao Espírito Santo e ao Lobo Mau estabelecem relações com outros textos. A descrição dos olhos, dos ouvidos e da boca remete ao conto de Chapeuzinho Vermelho.

12 Título assertivo x texto estimativo GABARITO: B

Resumo do texto-base

A notícia tem o título “Nova medição amplia tamanho estimado da Via Láctea em cerca de 10%”. O texto explica que, por estarmos dentro do plano galáctico, é difícil conhecer a forma e o tamanho exatos da galáxia, mas dados da missão europeia Gaia permitem estimá-los. No último parágrafo, informa que, segundo astrônomos, os braços espirais externos da Via Láctea poderiam se estender 10% além do que se pensava.

Fonte indicada na prova: G1.

A diferença entre a forma verbal “amplia”, empregada no título, e a construção “poderiam se estender”, utilizada no último parágrafo, evidencia que o título

A

apresenta uma hipótese rejeitada posteriormente pelo emprego de uma forma verbal indicativa de dúvida.

Errada. O último parágrafo não rejeita a descoberta; apresenta-a com uma formulação menos categórica.

B

sintetiza a descoberta de modo mais assertivo, enquanto o texto ressalta o caráter estimativo do resultado.

Certa. “Amplia” apresenta a informação de maneira mais assertiva. “Poderiam se estender” ressalta a possibilidade e o caráter estimativo do resultado.

C

anuncia uma alteração já ocorrida na galáxia, enquanto o texto prevê uma expansão futura de seus braços externos.

Errada. A notícia trata da revisão do tamanho estimado da galáxia, sem afirmar que ela cresceu ou crescerá fisicamente.

D

atribui certeza à medição, enquanto o último parágrafo contesta a validade dos dados obtidos pelos astrônomos.

Errada. O último parágrafo não contesta a validade dos dados.

E

informa o resultado da pesquisa, enquanto o último parágrafo transfere sua confirmação para estudos posteriores.

Errada. Não há transferência expressa da confirmação para estudos futuros.

13 Concordância nominal: “devidos” GABARITO: B

Texto-base

A Polícia Civil do Paraná (PCPR) dedica atenção especial ao atendimento de crianças e adolescentes vítimas de crimes. O objetivo é que as vítimas sejam atendidas com o profissionalismo, a atenção e o cuidado devidos neste tipo de situação. O Núcleo de Proteção à Criança e ao Adolescente Vítimas de Crimes (Nucria) atua desde 2014 e é responsável por investigar crimes de violência psicológica, física e sexual.

Fonte indicada na prova: Polícia Civil do Paraná.

No trecho “O objetivo é que as vítimas sejam atendidas com o profissionalismo, a atenção e o cuidado devidos”, a forma “devidos” encontra-se no masculino plural porque

A

concorda com os dois substantivos masculinos da enumeração, o que justifica a flexão do adjetivo no plural.

Errada. O adjetivo refere-se aos três substantivos, incluindo o feminino “atenção”. A alternativa exclui indevidamente esse termo da concordância.

B

refere-se a substantivos de gêneros diferentes, coordenados entre si, o que determina a concordância no masculino plural.

Certa. “Devidos” caracteriza “profissionalismo”, “atenção” e “cuidado”. Na concordância com o conjunto de substantivos de gêneros diferentes, emprega-se o masculino plural.

C

acompanha o substantivo “cuidado”, que, estando mais próximo, determina gênero e número dos termos anteriores.

Errada. Se a concordância fosse feita apenas com o substantivo mais próximo, a forma seria “cuidado devido”, no singular.

D

caracteriza o atendimento prestado aos cidadãos, substantivo subentendido que exige o emprego do masculino plural.

Errada. Não há necessidade de supor o substantivo “cidadãos” para explicar a concordância.

E

relaciona-se à expressão “as vítimas”, mas assume o masculino por indicar um procedimento de caráter institucional.

Errada. O adjetivo não caracteriza “as vítimas”. Se o fizesse, a concordância seria no feminino plural.

14 Contraste e pergunta final GABARITO: C

Resumo do texto-base

O artigo afirma que o mercado de órgãos humanos desafia a teoria econômica tradicional. No segundo parágrafo, contrasta os órgãos com produtos como automóveis e alimentos: órgãos não podem ser produzidos nem estocados, e a oferta depende de fatores biológicos, familiares, hospitalares e éticos, o que gera escassez e mortes nas filas de espera. O texto termina perguntando como alocar de forma eficiente um recurso tão escasso quando o mecanismo de preços é limitado moral e legalmente.

Fonte indicada na prova: Gazeta do Povo.

A articulação entre o contraste desenvolvido no segundo parágrafo e a pergunta que encerra o excerto permite ao autor

A

reconhecer a dimensão econômica dos transplantes, ainda que mantenha a subordinação da distribuição dos órgãos às decisões familiares.

Errada. As decisões familiares são apresentadas como um dos fatores que influenciam a oferta, sem constituir o eixo da pergunta final.

B

tratar as restrições morais e legais como obstáculos que devem ser flexibilizados para viabilizar um sistema regulado de preços.

Errada. O autor reconhece as limitações morais e legais, mas não propõe flexibilizá-las.

C

formular um problema de alocação em que a busca por eficiência encontra limites impostos por valores éticos e normas legais.

Certa. A pergunta apresenta o desafio de distribuir eficientemente um recurso escasso respeitando limites éticos e legais.

D

deslocar o problema da escassez para a coordenação institucional, apresentada como suficiente para eliminar as listas de espera.

Errada. O texto não afirma que a coordenação institucional seja suficiente para eliminar as listas de espera.

E

associar a impossibilidade de produzir órgãos à necessidade de priorizar a eficiência econômica sobre outros critérios de distribuição.

Errada. Não se defende a superioridade da eficiência econômica sobre os demais critérios.

15 Coesão lexical GABARITO: C

Texto-base: Centenário do Vampiro de Curitiba

A Prefeitura de Curitiba vai criar um espaço cultural em homenagem ao escritor Dalton Trevisan. A iniciativa é fruto de uma parceria que será firmada entre o prefeito Eduardo Pimentel e a Construtora Hugo Peretti, que adquiriu o terreno onde está localizada a residência em que o escritor viveu por quase 70 anos, no bairro Alto da XV. O protocolo de intenções será assinado nesta quinta-feira (12/6), às 11h, durante a abertura da exposição 100 anos: Dalton Trevisan entre traços e linhas, no Solar da Glória. Organizada pela Fundação Cultural de Curitiba, a mostra reúne ilustrações de 38 artistas curitibanos em homenagem ao centenário do autor, e integra uma série de ações programadas ao longo do ano para celebrar a memória e o legado do maior contista brasileiro.

Notícia publicada em junho de 2025. Fonte indicada na prova: Prefeitura de Curitiba.

Na construção da coesão lexical da notícia, a cadeia de substantivos empregados para retomar a exposição e o escritor contribui para a progressão do texto ao

A

substituir referentes particulares por expressões genéricas.

Errada. O efeito central é retomar os mesmos referentes por outras expressões, sem substituí-los por referentes indeterminados.

B

introduzir novos referentes relacionados ao evento.

Errada. As expressões retomam elementos já apresentados, em vez de introduzir outros referentes.

C

recuperar referentes por meio de palavras equivalentes.

Certa. “Exposição” é retomada por “mostra”; “Dalton Trevisan” é retomado por “escritor”, “autor” e “contista”. Essa equivalência contextual mantém a continuidade do texto.

D

organizar as informações em sequência temporal.

Errada. A cadeia lexical não tem a função de estabelecer uma sequência temporal.

E

alternar expressões objetivas e figuradas.

Errada. Embora o título contenha uma designação figurada, a questão destaca as retomadas lexicais da exposição e do escritor.

16 Texto de divulgação científica GABARITO: B

Resumo do texto-base

A reportagem divulga um estudo da Universidade de Columbia segundo o qual adultos que dormiram cerca de 80 minutos a menos por seis semanas ganharam, em média, meio quilo e ficaram mais tempo inativos. O segundo parágrafo descreve a pesquisa: 95 adultos, dois períodos de seis semanas comparados (com e sem atraso no horário de dormir), uso de monitores de pulso e acompanhamento de peso, cintura, composição corporal e hormônios do apetite.

Fonte indicada na prova: O Tempo.

Trata-se de um exemplar do gênero “texto de divulgação científica”. Considerando isso, as informações apresentadas no segundo parágrafo contribuem para

A

ampliar a conclusão da pesquisa, acrescentando consequências da redução do sono que não haviam sido observadas pelos pesquisadores.

Errada. O parágrafo apresenta procedimentos da pesquisa, sem acrescentar consequências não observadas.

B

detalhar os procedimentos de comparação, acompanhamento e registro que fundamentam os resultados sintetizados anteriormente.

Certa. São detalhados os participantes, os períodos comparados, os instrumentos de registro e as variáveis acompanhadas.

C

traduzir a terminologia empregada no estudo para tornar compreensíveis ao público não especializado os conceitos relacionados ao sono.

Errada. O trecho não se organiza como explicação ou tradução de terminologia científica.

D

relativizar os resultados apresentados, indicando que as alterações no peso decorreram dos hábitos anteriores dos participantes.

Errada. Não atribui o ganho de peso aos hábitos anteriores dos participantes.

E

apresentar algumas recomendações sobre a duração adequada do sono com base nas características dos voluntários selecionados.

Errada. A duração habitual do sono caracteriza a amostra, sem constituir uma recomendação ao leitor.

17 Infinitivos e paralelismo GABARITO: B

Texto-base

À Secretaria da Segurança Pública compete:

I. prestar suporte aos trabalhos relacionados às áreas da: a) preservação da ordem pública; b) polícia judiciária, compreendendo a atividade investigativa na apuração de infrações penais; c) perícia oficial e identificação técnica; d) administração da política prisional e custódia dos indivíduos privados de liberdade, promovendo condições efetivas para sua reintegração social; e) prevenção e combate a incêndios, de busca, salvamento e resgate;
II. administrar as atividades de polícia administrativa e de fiscalização de atividades potencialmente danosas;
III. administrar as atividades de inteligência de segurança pública;
IV. adotar a filosofia de polícia comunitária, focada na mediação e resolução de conflitos, bem como, realizar e fomentar campanhas educacionais e de orientação à comunidade;
V. prover o suporte administrativo, orçamentário e financeiro aos órgãos vinculados;
VI. administrar os sistemas informatizados de segurança pública;
[…]

Fonte indicada na prova: Secretaria da Segurança Pública do Paraná.

No texto, a sequência de verbos no infinitivo (“prestar”, “administrar”, “adotar” e “prover”) contribui para

A

apresentar ações já realizadas pela Secretaria no exercício regular de suas atribuições institucionais.

Errada. Os infinitivos apresentam competências, sem indicar que as ações já tenham sido realizadas.

B

organizar em paralelo as ações atribuídas ao órgão, reforçando o caráter normativo da enumeração.

Certa. A repetição de estruturas iniciadas por infinitivos estabelece paralelismo e organiza as atribuições institucionais.

C

formular recomendações cuja execução depende da avaliação dos responsáveis por cada setor administrativo.

Errada. O texto define competências do órgão, em vez de formular recomendações facultativas.

D

indicar procedimentos desvinculados da declaração inicial que define as competências próprias da Secretaria.

Errada. Todos os itens estão vinculados à declaração inicial: “À Secretaria da Segurança Pública compete”.

E

ordenar cronologicamente as etapas necessárias ao funcionamento dos órgãos estaduais de Segurança Pública.

Errada. A enumeração organiza competências, sem estabelecer uma ordem de execução.

18 Vírgulas e concordância de “foi” GABARITO: E

Texto-base: Mejtere: histórias recontadas

A exposição de longa duração é resultado de projeto de curadoria compartilhada entre a instituição e três bolsistas indígenas — selecionados por edital, entre 60 inscritos — Robson Delgado (Baré), Ivanizia Ruiz (Tikuna) e Camila dos Santos (Kanhgág). Naine Terena, curadora, artista e educadora, juntamente com a equipe do MUPA, foi quem orientou os três estudantes para a realização do projeto. A mostra reverbera uma pluralidade de vozes indígenas, que refletem novas perspectivas sobre as coleções etnográficas do museu a partir do encontro entre o acervo do MUPA e práticas contemporâneas.

Fonte indicada na prova: Museu Paranaense.

No período “Naine Terena, curadora, artista e educadora, juntamente com a equipe do MUPA, foi quem orientou os três estudantes”, o emprego das vírgulas e a flexão do verbo “foi” no singular indicam que

A

os segmentos separados por vírgulas apresentam diferentes núcleos do sujeito, mas o verbo concorda apenas com “Naine Terena”, por ser o primeiro deles.

Errada. “Curadora, artista e educadora” constitui uma explicação sobre Naine Terena, sem introduzir diferentes núcleos do sujeito.

B

a enumeração entre vírgulas caracteriza Naine Terena, enquanto “a equipe do MUPA” integra o sujeito composto, com o verbo concordando com o núcleo mais próximo.

Errada. A expressão intercalada “juntamente com a equipe do MUPA” indica companhia. Não há concordância com um suposto núcleo mais próximo de sujeito composto.

C

as duas expressões intercaladas exercem função explicativa e referem-se exclusivamente a Naine Terena, razão pela qual o verbo permanece no singular.

Errada. As expressões têm funções diferentes: uma explica quem é Naine Terena; a outra indica companhia.

D

o nome “Naine Terena” e suas qualificações estão intercalados, enquanto “a equipe do MUPA” constitui o sujeito com o qual o verbo concorda no singular.

Errada. O sujeito é “Naine Terena”, e não “a equipe do MUPA”.

E

as qualificações explicam quem é Naine Terena e a expressão de companhia, também intercalada, não altera o núcleo do sujeito nem a concordância.

Certa. “Curadora, artista e educadora” é aposto explicativo. A expressão de companhia está intercalada e não modifica a concordância de “foi” com “Naine Terena”.

19 Modos de organização discursiva GABARITO: D

Texto-base: Golpe do Falso Advogado: como se proteger e o que fazer se for vítima

O golpe do falso advogado tem se tornado cada vez mais comum no Brasil, prejudicando tanto clientes quanto profissionais da advocacia. Os criminosos se passam por advogados ou funcionários de escritórios para solicitar pagamentos indevidos, muitas vezes utilizando dados reais das vítimas e técnicas de persuasão sofisticadas. A Polícia Civil do Paraná (PCPR) alerta para os principais sinais desse golpe e orienta sobre como se proteger.

Dicas para clientes: como evitar cair no golpe

  • Desconfie de contatos pedindo dinheiro.
  • Verifique a identidade do advogado.
  • Não forneça dados bancários ou senhas.
  • Cuidado com mensagens urgentes.
  • Denuncie e bloqueie o contato.

Fonte indicada na prova: Polícia Civil do Paraná. Adaptado.

Os modos de organização discursiva correspondem às diferentes formas de estruturar um texto de acordo com sua finalidade comunicativa, podendo coexistir em uma mesma produção. A organização do texto combina diferentes modos discursivos porque

A

relata como ocorre um crime e descreve as características das pessoas diretamente envolvidas em sua prática.

Errada. O texto explica o funcionamento do golpe, mas não descreve as características das pessoas que o praticam.

B

defende uma opinião sobre os golpes e apresenta argumentos para atribuir às vítimas a responsabilidade por sua prevenção.

Errada. As orientações preventivas não equivalem a uma argumentação que atribua às vítimas a responsabilidade pelos golpes.

C

explica procedimentos jurídicos aplicáveis ao crime e estabelece obrigações legais destinadas aos advogados.

Errada. Não são apresentados procedimentos jurídicos nem obrigações legais destinadas aos advogados.

D

expõe as principais características do golpe e orienta o leitor a adotar medidas adequadas de proteção.

Certa. O primeiro parágrafo tem caráter expositivo; a lista de recomendações apresenta caráter injuntivo, orientando o comportamento do leitor.

E

apresenta uma previsão sobre o crescimento das fraudes e divulga os serviços oferecidos pela instituição policial.

Errada. O texto menciona uma situação atual, sem formular uma previsão ou divulgar um conjunto de serviços policiais.

20 Termos gramaticais no poema GABARITO: C

Resumo do texto-base

A questão trouxe um trecho do poema “Objeto sujeito”, de Paulo Leminski. O eu lírico fala da saudade e do peso de carregar uma cidade dentro de si, e menciona a dificuldade de fazer de um verso um “objeto sujeito” e de passar do “presente” para o “pretérito perfeito”.

Fonte indicada na prova: Revista Bula.

Nesse poema, o emprego das expressões “objeto sujeito” e a menção aos tempos verbais “presente” e “pretérito perfeito” contribuem para

A

apresentar conceitos gramaticais que explicam objetivamente as etapas envolvidas na composição de um poema.

Errada. Os termos gramaticais são empregados poeticamente, sem explicar etapas objetivas da composição.

B

opor a passividade do objeto à ação do sujeito, eliminando a possibilidade de aproximação entre essas categorias.

Errada. A expressão “objeto sujeito” aproxima os termos e explora sua combinação.

C

ressignificar termos gramaticais como imagens da criação poética e da transformação do presente em lembrança.

Certa. O poema atribui novos sentidos aos termos gramaticais, associando-os à criação poética, à passagem do tempo e à memória.

D

indicar que a saudade decorre do emprego dos tempos verbais na representação de acontecimentos passados.

Errada. A saudade não é apresentada como consequência do emprego de tempos verbais.

E

demonstrar que a escrita poética depende da escolha de estruturas sintáticas capazes de reproduzir a realidade.

Errada. O poema explora possibilidades expressivas da linguagem, sem defender a reprodução objetiva da realidade.

21 Estruturas sintáticas predominantes GABARITO: A

Resumo do texto-base

No texto de apresentação, Marcelino Freire relembra como a livreira Cida avisava da chegada dos livros de Jamil Snege, que o próprio autor distribuía. Elogia a concisão, o humor e o jeito independente do escritor, e conta que fala dele em suas oficinas literárias. O texto é escrito em frases muito breves e fragmentos soltos, como “Ao vivo ou por telefone”, “A concisão, o humor” e “Essa guerrilha”.

SANCHES NETO, Miguel. Roteiro literário Jamil Snege. Curitiba: Biblioteca Pública do Paraná, 2017, p. 2.

O texto de apresentação do “Roteiro literário Jamil Snege” recorre a estruturas sintáticas predominantemente

A

curtas e fragmentadas.

Certa. O texto apresenta frases breves e fragmentos separados por pontos: “Ao vivo ou por telefone”, “A concisão, o humor”, “Essa guerrilha”.

B

subordinadas e hierarquizadas.

Errada. Não predominam períodos construídos por encadeamento de orações subordinadas.

C

passivas e impessoais.

Errada. Há forte presença de sujeitos identificados e marcas pessoais, como “eu”, “a gente” e “nos”.

D

interrogativas e exclamativas.

Errada. Não predominam perguntas ou exclamações.

E

complexas e entrecortadas.

Errada. Embora haja fragmentação, as estruturas são predominantemente breves, em vez de complexas.

22 Linguagem figurada na crônica GABARITO: E

Resumo do texto-base

No trecho da crônica “Banhos”, de Antonio Prata, o narrador relembra longas viagens de carro em família. Quando o tédio, tratado como um “velho amigo”, chegava ao banco de trás, as crianças perguntavam ao pai se faltava muito. Elas já sabiam a resposta, mas queriam ouvi-lo usar a unidade de medida que ele inventou: o número de banhos que faltavam, como “dezesseis banhos”.

PRATA, A. Nu, de botas. São Paulo: Companhia das Letras, 2013, p. 109.

Na elaboração literária da cena cotidiana, a personificação do tédio como “velho amigo” e a referência aos “dezesseis banhos” contribuem para

A

afastar o episódio do campo das experiências possíveis, transformando a viagem familiar em narrativa fantástica.

Errada. O emprego de linguagem figurada não transforma necessariamente uma cena cotidiana em narrativa fantástica.

B

evidenciar a incompreensão das crianças, incapazes de interpretar medidas convencionais de tempo e distância.

Errada. As crianças sabiam a resposta, mas queriam ouvir a medida inventada pelo pai. Não há indicação de incapacidade de compreensão.

C

caracterizar o pai como alguém que fornece respostas imprecisas para evitar as perguntas feitas durante a viagem.

Errada. A resposta era desejada pelas crianças e integrava uma interação bem-humorada, em vez de ser apresentada como tentativa de evitar perguntas.

D

contrapor a percepção objetiva do narrador adulto à incapacidade infantil de acompanhar a passagem do tempo.

Errada. Não se estabelece uma oposição entre objetividade adulta e incapacidade infantil.

E

recriar uma lembrança comum por meio de imagens afetivas e bem-humoradas ligadas à perspectiva das crianças.

Certa. A personificação e a medida inventada recuperam a experiência da viagem por meio de imagens afetivas e humorísticas.

23 Construção da ironia GABARITO: B

Resumo do texto-base

Na crônica, Gregorio Duvivier comenta a palavra alemã “Fernweh” (desejo de ir para longe) e brinca que os alemães têm palavra para tudo porque, segundo ele, é “facílimo” formar palavras em alemão: basta juntar uma frase inteira sem espaços. Em seguida, apresenta um composto gigantesco, diz que só de olhar para ele sente vertigem e compara as palavras alemãs a hashtags.

DUVIVIER, G. Aos pés da letra. São Paulo: Companhia das Letras, 2025, p. 138.

A ironia do texto é construída principalmente pela tensão entre

A

a precisão atribuída ao vocabulário alemão e a impossibilidade de traduzir suas palavras para outros idiomas.

Errada. O texto apresenta explicações em português para os vocábulos, sem afirmar que sejam intraduzíveis.

B

a suposta facilidade de formar palavras e a extensão visual do exemplo, comparado a uma hashtag.

Certa. A afirmação de que é “facílimo” formar palavras contrasta com o exemplo extremamente longo, que provoca “vertigem” e é comparado a uma hashtag.

C

o desejo de viajar expresso por “Fernweh” e a referência posterior a uma associação de funcionários públicos.

Errada. A diferença entre os assuntos dos exemplos não constitui o principal mecanismo da ironia.

D

a formalidade das palavras alemãs e o registro coloquial empregado para explicar seus significados em português.

Errada. O registro coloquial contribui para o humor, mas o contraste central ocorre entre a facilidade anunciada e a extensão da palavra.

E

a formação histórica dos compostos alemães e sua posterior incorporação à linguagem utilizada nas redes sociais.

Errada. A comparação com uma hashtag não afirma que os compostos alemães tenham sido incorporados à linguagem das redes sociais.

24 Texto verbal e visual no cartaz GABARITO: C

Descrição do texto-base

Cartaz de campanha divulgado em 23 de abril de 2025 no Instagram da Associação de Assistência Social dos Policiais Militares de São Paulo. A imagem mostra um rosto parcialmente encoberto por uma mão, acompanhado dos dizeres “Não se cale! Denuncie! Disque Denúncia 181”.

A articulação entre os componentes verbais e visuais da campanha contribui para

A

associar a mão levantada à interrupção da violência após o contato com o serviço indicado.

Errada. A imagem não representa uma situação posterior ao contato com o serviço.

B

representar a identidade da vítima como informação necessária à formalização da denúncia policial.

Errada. O cartaz não apresenta a identidade da vítima como requisito para a denúncia.

C

reforçar o apelo ao rompimento do silêncio por meio do rosto parcialmente encoberto pela mão.

Certa. O rosto parcialmente encoberto associa-se visualmente ao silêncio, reforçando os comandos “Não se cale!” e “Denuncie!”.

D

estabelecer uma sequência entre a situação representada na fotografia e a atuação das autoridades.

Errada. Não há uma sequência de acontecimentos representada no cartaz.

E

restringir a orientação da campanha às pessoas que vivenciam diretamente situações de violência.

Errada. O apelo à denúncia não se restringe às vítimas; também pode alcançar testemunhas e outras pessoas que tenham conhecimento da violência.

25 Primeira pessoa do plural GABARITO: D

Texto-base: apresentação do Plano Estadual de Segurança Pública e Defesa Social do Paraná 2024-2034

Vivemos em um cenário nacional em que a Segurança Pública desempenha um papel fundamental na construção de uma sociedade justa e equitativa. Não é novidade o fato de que a criminalidade, em suas mais diversas formas, representa um obstáculo significativo para o desenvolvimento social e econômico de nosso país. Nesse contexto, é imperativo que atuemos de maneira proativa, implementando medidas eficazes para combater com rigor a criminalidade e elevar a sensação de segurança entre os cidadãos.

Nesse ínterim, é com grande satisfação e senso de responsabilidade que esta Secretaria de Estado da Segurança Pública institui o Plano Estadual de Segurança Pública e Defesa Social do Estado do Paraná, consciente da magnitude do desafio que enfrentamos e da necessidade premente de fortalecermos as estratégias para promover a segurança e o bem-estar da população paranaense.

PARANÁ. Secretaria de Estado da Segurança Pública. Plano Estadual de Segurança Pública e Defesa Social 2024–2034. Curitiba, 2024, p. 8.

O emprego reiterado de formas verbais na primeira pessoa do plural (“vivemos”, “atuemos”, “enfrentamos” e “fortalecermos”) contribui para

A

restringir aos responsáveis pela elaboração do Plano os problemas sociais e as medidas de segurança mencionados.

Errada. O emprego da primeira pessoa do plural amplia a perspectiva de participação, em vez de restringi-la aos elaboradores do Plano.

B

conferir informalidade ao documento mediante uma interlocução direta entre a Secretaria e o cidadão paranaense.

Errada. A primeira pessoa do plural não torna o documento informal. O texto mantém linguagem institucional.

C

ocultar a instituição responsável pelo Plano, evitando a identificação dos agentes encarregados de executá-lo.

Errada. A Secretaria de Estado da Segurança Pública é expressamente identificada.

D

construir uma perspectiva coletiva, aproximando o enunciador dos grupos envolvidos no enfrentamento da criminalidade.

Certa. As formas verbais constroem uma perspectiva de participação coletiva e aproximam o enunciador dos envolvidos no enfrentamento do problema.

E

apresentar como já realizadas as ações de combate à criminalidade propostas pela Secretaria de Segurança Pública.

Errada. “Atuemos” e “fortalecermos” expressam ações necessárias ou propostas, sem indicar que todas já tenham sido realizadas.

Gabarito extraoficial completo: tabela por assunto

Questão Gabarito Assunto cobrado
1 E Interpretação: sentido de palavra no contexto
2 A Funções da linguagem (conativa)
3 E Regência verbal
4 A Argumentação e modalização
5 C Inferência
6 D Interpretação de texto
7 D Formação de palavras (sufixo “-ismo”)
8 D Crase
9 C Humor em cartum
10 A Conectivos e reescrita
11 E Intertextualidade
12 B Modalização: certeza x possibilidade
13 B Concordância nominal
14 C Estrutura argumentativa
15 C Coesão lexical
16 B Gênero: divulgação científica
17 B Paralelismo e infinitivo
18 E Pontuação e concordância verbal
19 D Tipologia textual (expositivo e injuntivo)
20 C Linguagem poética
21 A Estilo e sintaxe
22 E Linguagem figurada (personificação)
23 B Ironia
24 C Texto multimodal
25 D Pessoa do discurso e efeito de sentido

O que a prova de Português da PCPR revelou sobre a FGV

A FGV confirmou o perfil que repito em sala: a banca cobra leitura acima de tudo. A maioria das 25 questões exigiu interpretação, inferência, reconhecimento de gêneros e análise de efeitos de sentido. Mesmo as questões de gramática vieram contextualizadas, perguntando o porquê de uma concordância ou de uma vírgula, e não apenas a regra solta.

Outro destaque foi a variedade de textos: notícias, documentos institucionais, cartum, cartaz, crônica, poema e romance, quase sempre com ligação com o Paraná. Quem treinou textos multimodais, modos de organização discursiva e efeitos de sentido de escolhas linguísticas saiu na frente. Nas questões gramaticais, os assuntos foram os de sempre: regência, crase, concordância e conectivos.

Perguntas frequentes

Quando sai o gabarito oficial da PCPR 2026?

O gabarito preliminar oficial é publicado pela FGV no site da banca, conforme o cronograma do edital. Acompanhe a página do concurso para conferir a data e o prazo de recursos.

Este gabarito vale para todos os tipos de prova?

Não. A numeração segue o caderno Tipo 2. Em outros tipos, a ordem das questões e das alternativas pode mudar. Confira sempre pelo conteúdo do enunciado.

Este gabarito de Português é oficial?

Não. Trata-se de um gabarito extraoficial comentado pelo Professor Décio Terror logo após a prova. Ele serve para você estimar sua nota até a divulgação do resultado oficial.

Quantas questões de Português caíram na prova de Agente da PCPR?

A prova de Língua Portuguesa do caderno comentado teve 25 questões de múltipla escolha, com cinco alternativas cada.

DT

Professor Décio Terror
Professor de Língua Portuguesa para concursos públicos, formado em Letras pela UFJF, aprovado na ESA, na ESFCEX e na PRF e ex-integrante de banca examinadora de concursos federais.

Gabarito Extraoficial PM MA 2026: Português Comentado (Soldado, Cebraspe)

Professor Décio TerrorGabarito extraoficial
PM MA 2026 · Soldado · Cebraspe

Gabarito extraoficial de Português da PM MA 2026: as 15 questões comentadas

Confira o julgamento de cada item da prova de Soldado da Polícia Militar do Maranhão, com explicação clara e direta para você conferir sua nota agora mesmo.

ConcursoPM MA 2026
CargoSoldado
BancaCebraspe
Data da prova11/10/2026
DisciplinaLíngua Portuguesa

A prova objetiva do concurso da Polícia Militar do Maranhão (PM MA) para o cargo de Soldado foi aplicada neste domingo, 11 de outubro de 2026, pelo Cebraspe. Para ajudar você a estimar seu desempenho, preparei o gabarito extraoficial de Língua Portuguesa, com o comentário de todos os 15 itens.

A prova trouxe dois textos: um artigo de opinião sobre mobilidade urbana e uma notícia sobre a contaminação do rio Tietê. Os itens cobraram interpretação, tipologia textual, pontuação, concordância, conectivos, vozes verbais e sinonímia, temas clássicos da banca.

Atenção: este é um gabarito extraoficial, elaborado logo após a prova. O resultado definitivo depende do gabarito preliminar oficial divulgado pelo Cebraspe e da análise dos recursos. Lembre-se também do critério da banca: no modelo Certo/Errado, cada item errado anula um item certo. Por isso, deixar em branco pode ter sido uma boa estratégia nos itens de dúvida.

Gabarito rápido de Português PM MA 2026

Se você só quer conferir as respostas, aqui está o resultado de cada item:

1CERTO
2ERRADO
3ERRADO
4CERTO
5ERRADO
6CERTO
7CERTO
8CERTO
9ERRADO
10ERRADO
11ERRADO
12CERTO
13CERTO
14CERTO
15ERRADO

Total: 8 itens certos e 7 itens errados.

Texto 1: mobilidade urbana (questões 1 a 7)

Mobilidade urbana é um tema constantemente discutido no Brasil. A maioria das grandes cidades sofre com graves problemas de transporte e enfrenta desafios em promover meios de diminuir o impacto do trânsito no dia a dia da população. Uma das causas do aumento de engarrafamentos é bem óbvia: há mais carros nas ruas. O investimento no desenvolvimento da indústria automobilística facilitou o acesso a veículos particulares, o que deixou as vias públicas sobrecarregadas. Na contramão, não houve — e continua não havendo — programas de incentivo ao transporte público, coletivo, mais econômico.

Para explicitar o contrassenso, basta observar as cidades pelo mundo em que o transporte público é prioridade, os ônibus e metrôs são de boa qualidade e as pessoas se locomovem com facilidade, enquanto aqui, pelo contrário, a infraestrutura é inadequada, os veículos são velhos, a malha de atendimento é ainda restrita; tudo isso dificulta o uso desses modais como prioridade pela população. Grande parte dessa realidade vem da falta de interesse governamental em estabelecer programas de desenvolvimento que contemplem a mobilidade urbana sustentável.

Janguiê Diniz. Mobilidade urbana também é democratização, 23/10/2019. Internet: <atmes.org.br> (com adaptações).

Comando: Julgue os itens a seguir, referentes às ideias e a aspectos linguísticos do texto precedente.

1No trecho “a infraestrutura é inadequada, os veículos são velhos, a malha de atendimento é ainda restrita; tudo isso dificulta o uso desses modais como prioridade pela população” (segundo parágrafo), o sinal de ponto e vírgula empregado logo após o termo “restrita” delimita a enumeração relacionada à expressão “tudo isso”, que sintetiza as três constatações enumeradas anteriormente.

Julgamento: CERTO

O trecho enumera três constatações: a infraestrutura é inadequada; os veículos são velhos; a malha de atendimento é ainda restrita. O ponto e vírgula marca o término dessa enumeração e a separa da oração seguinte. A expressão “tudo isso” retoma e sintetiza as três informações anteriores.

2O texto caracteriza-se como predominantemente narrativo, o que se evidencia pela sequência de acontecimentos relacionados ao desenvolvimento do transporte urbano e à ampliação do número de veículos particulares.

Julgamento: ERRADO

O texto é predominantemente dissertativo-argumentativo: apresenta um problema, explica suas causas e critica a insuficiência de iniciativas governamentais voltadas ao transporte público. A referência ao desenvolvimento da indústria automobilística serve como argumento, sem constituir uma narrativa de acontecimentos.

3No trecho “Na contramão, não houve — e continua não havendo — programas de incentivo ao transporte público” (primeiro parágrafo), a substituição das formas verbais “houve” e “havendo” por existiu e existindo, respectivamente, preservaria a correção gramatical e o sentido do texto.

Julgamento: ERRADO

O verbo “haver”, no sentido de existir, é impessoal e permanece no singular. Já o verbo “existir” possui sujeito e deve concordar com ele.

Na reescrita, “programas de incentivo ao transporte público” seria o sujeito plural. Assim, a construção correta seria:

“Na contramão, não existiram — e continuam não existindo — programas de incentivo ao transporte público.”

Portanto, seriam necessárias alterações também no verbo “continua”.

4O autor do texto sustenta que o aumento do número de veículos particulares contribuiu para o agravamento dos problemas de mobilidade urbana no Brasil, bem como critica a insuficiência de iniciativas governamentais de valorização do transporte público.

Julgamento: CERTO

O primeiro parágrafo relaciona o aumento dos engarrafamentos à presença de mais carros nas ruas e afirma que o acesso a veículos particulares deixou as vias públicas sobrecarregadas. Além disso, o autor critica a falta de programas de incentivo ao transporte público e de interesse governamental em promover a mobilidade urbana sustentável.

5No trecho “enquanto aqui, pelo contrário, a infraestrutura é inadequada, os veículos são velhos, a malha de atendimento é ainda restrita” (segundo parágrafo), a conjunção “enquanto” estabelece uma relação temporal entre a situação do transporte público no Brasil e a de outros países.

Julgamento: ERRADO

Nesse contexto, “enquanto” estabelece uma relação de contraste, contrapondo a qualidade do transporte público em outras cidades à precariedade encontrada no Brasil. A expressão “pelo contrário” reforça esse valor contrastivo.

6No trecho “o que deixou as vias públicas sobrecarregadas” (primeiro parágrafo), o termo “sobrecarregadas” poderia ser deslocado para imediatamente após “deixou” sem alteração dos sentidos e das relações sintáticas originalmente estabelecidas.

Julgamento: CERTO

A reescrita seria:

“o que deixou sobrecarregadas as vias públicas”.

Nas duas posições, “as vias públicas” exerce a função de objeto direto, e “sobrecarregadas” é o predicativo desse objeto. O deslocamento preserva as relações sintáticas e o sentido da construção.

7No trecho “as cidades pelo mundo em que o transporte público é prioridade” (segundo parágrafo), a oração “em que o transporte público é prioridade” caracteriza as cidades mencionadas e restringe seu sentido.

Julgamento: CERTO

Trata-se de uma oração subordinada adjetiva restritiva, introduzida pelo pronome relativo “que”, antecedido da preposição “em”.

A oração delimita quais cidades devem ser observadas: aquelas em que o transporte público é prioridade. Portanto, não se refere indistintamente a todas as cidades do mundo.

Texto 2: contaminação do rio Tietê (questões 8 a 15)

O rio Tietê não tem nenhum trecho plenamente livre de contaminação. A conclusão é da Fundação SOS Mata Atlântica, a partir da realização da Expedição Tietê 2025, em parceria com universidades e centros de pesquisa.

As análises mostram que o rio tem múltiplas camadas simultâneas de contaminação: microbiológica, química, farmacológica, plástica, agrícola e orgânica.

Ao longo de mais de 1,1 mil quilômetros do rio, da nascente em Salesópolis (SP) à foz no rio Paraná, em Itapura (SP), foram identificados microplásticos em todos os pontos analisados, além de 25 tipos de agrotóxicos e 16 substâncias entre fármacos e drogas ilícitas.

A expedição mostrou que o problema vai além dos centros urbanos. “Sempre se tem a ideia de que só esgoto é o problema do nosso rio, e esse estudo mostra que é muito mais complexo que isso”, disse Gustavo Veronesi, coordenador da causa Água Limpa da Fundação SOS Mata Atlântica.

“O estudo mostra que, mesmo em áreas bem protegidas e bem cuidadas, como é o caso do Parque da Nascente do Tietê, a gente pode ter interferência das ações humanas na vizinhança e em áreas próximas, e que todo cuidado com os nossos rios é importante”, mencionou.

Cada tipo de contaminação varia ao longo do percurso e reflete diretamente situações como urbanização, saneamento insuficiente, uso agrícola do solo, presença de reservatórios e mudanças na ocupação do solo na bacia hidrográfica.

Camila Boehm. Rio Tietê não tem trecho livre de contaminação, 25/6/2026. Internet: <umsoplaneta.globo.com> (com adaptações).

Comando: Considerando as ideias veiculadas no texto precedente, sua estruturação linguística e o vocabulário nele empregado, julgue os próximos itens.

8De acordo com as informações veiculadas no texto, é correto afirmar que a proteção de áreas naturais, embora auxilie a preservação dos recursos hídricos, não impede completamente os efeitos de atividades humanas realizadas em seu entorno.

Julgamento: CERTO

O quinto parágrafo afirma que até áreas bem protegidas e cuidadas podem sofrer interferência de ações humanas realizadas na vizinhança e em áreas próximas. Portanto, a proteção dessas áreas não elimina completamente os impactos provenientes de seu entorno.

9No trecho “foram identificados microplásticos em todos os pontos analisados” (terceiro parágrafo), a locução verbal “foram identificados” poderia ser substituída por identificou-se, sem prejuízo da correção gramatical do texto.

Julgamento: ERRADO

A construção original está na voz passiva analítica, e “microplásticos” é o sujeito paciente, no plural.

Na passagem para a voz passiva sintética, o verbo também deve ficar no plural:

“Identificaram-se microplásticos em todos os pontos analisados.”

O “se” é partícula apassivadora. A forma “identificou-se” desrespeitaria a concordância com o sujeito plural.

10Depreende-se da leitura do texto que o esgoto nos grandes centros urbanos é a principal causa da contaminação do rio Tietê.

Julgamento: ERRADO

O texto não estabelece uma hierarquia entre as causas da contaminação nem aponta o esgoto dos grandes centros urbanos como a principal delas.

Ao contrário, destaca que o problema vai além desses centros e envolve diferentes formas de contaminação. A declaração de Gustavo Veronesi questiona justamente a ideia de que o esgoto seja o único problema do rio.

11No período “O rio Tietê não tem nenhum trecho plenamente livre de contaminação.” (primeiro parágrafo), a substituição do vocábulo “plenamente” por amplamente manteria o sentido original do texto.

Julgamento: ERRADO

“Plenamente” significa completamente, inteiramente. Já “amplamente” significa de maneira ampla, em grande extensão.

O texto afirma que nenhum trecho está totalmente livre de contaminação. A substituição por “amplamente” não preservaria essa ideia de ausência completa de contaminantes.

12No trecho “Sempre se tem a ideia de que só esgoto é o problema do nosso rio, e esse estudo mostra que é muito mais complexo que isso” (quarto parágrafo), a conjunção “e” está empregada com sentido de oposição, contraste.

Julgamento: CERTO

Embora “e” seja normalmente uma conjunção aditiva, nesse contexto assume valor adversativo.

Há contraste entre a ideia corrente de que o esgoto seria o único problema e a conclusão do estudo de que a situação é mais complexa. Esse sentido pode ser evidenciado pela substituição:

“Sempre se tem a ideia de que só esgoto é o problema do nosso rio, mas esse estudo mostra que é muito mais complexo que isso.”

13Estariam mantidas a correção gramatical e a coerência do texto caso o trecho “da nascente em Salesópolis (SP) à foz no rio Paraná” (terceiro parágrafo) fosse reescrito da seguinte forma: desde a nascente em Salesópolis (SP) até a foz no rio Paraná.

Julgamento: CERTO

As duas construções indicam os limites inicial e final do percurso:

  • “da nascente […] à foz”;
  • “desde a nascente […] até a foz”.

A reescrita preserva o sentido e a correção gramatical. Depois de “até”, o emprego da preposição “a” é facultativo nesse caso; por isso, são corretas tanto “até a foz” quanto “até à foz”.

14No segundo parágrafo, a palavra “simultâneas” tem o mesmo sentido de concomitantes.

Julgamento: CERTO

“Simultâneas” e “concomitantes” indicam aquilo que ocorre ao mesmo tempo. No contexto, as palavras expressam a coexistência de diferentes camadas de contaminação no rio.

15No trecho “Ao longo de mais de 1,1 mil quilômetros” (terceiro parágrafo), a flexão de plural no substantivo “quilômetros” justifica-se pela concordância que ele estabelece com o termo “mais”.

Julgamento: ERRADO

“Mais” é um advérbio de quantidade ou intensidade e não determina concordância nominal.

O plural de “quilômetros” decorre da quantidade expressa por “1,1 mil”, que corresponde a 1.100 quilômetros. Mesmo sem “mais”, o substantivo permaneceria no plural: “ao longo de 1,1 mil quilômetros”.

Gabarito comentado: tabela completa

Questão Julgamento Assunto cobrado
1 CERTO Pontuação (ponto e vírgula)
2 ERRADO Tipologia textual
3 ERRADO Concordância verbal (haver x existir)
4 CERTO Interpretação de texto
5 ERRADO Valor semântico de conjunção
6 CERTO Predicativo do objeto e reescrita
7 CERTO Oração adjetiva restritiva
8 CERTO Interpretação de texto
9 ERRADO Voz passiva e concordância
10 ERRADO Interpretação de texto
11 ERRADO Significação de palavras
12 CERTO Conjunção “e” com valor adversativo
13 CERTO Reescrita e crase
14 CERTO Sinonímia
15 ERRADO Concordância nominal

O que a prova de Português da PM MA revelou sobre o Cebraspe

A prova confirmou um padrão que repito sempre em sala: o Cebraspe gosta de reescrita. Seis dos quinze itens pediram para você avaliar uma troca de palavras, um deslocamento de termos ou uma mudança de construção. Quem domina concordância verbal, vozes verbais e o valor semântico dos conectivos sai na frente.

Repare também nas pegadinhas clássicas: o verbo “haver” impessoal, a partícula apassivadora “se”, a conjunção “e” com valor de oposição e a conjunção “enquanto” com valor de contraste. São assuntos que aparecem prova após prova. Se você errou algum deles, vale revisar agora, porque eles voltarão nos próximos concursos policiais.

Perguntas frequentes

Quando sai o gabarito oficial da PM MA 2026?

O gabarito preliminar oficial é publicado pelo Cebraspe no site da banca, conforme o cronograma do edital. Acompanhe a página do concurso para conferir a data exata e o prazo de recursos.

Este gabarito de Português é oficial?

Não. Trata-se de um gabarito extraoficial comentado, feito pelo Professor Décio Terror logo após a aplicação da prova. Ele serve para você estimar sua nota até a divulgação do resultado oficial.

Como calcular a nota na prova do Cebraspe?

No modelo Certo/Errado, cada item correto soma um ponto e cada item incorreto subtrai um ponto. Itens deixados em branco não pontuam nem descontam.

Quantos itens certos e errados teve a prova de Português?

Segundo este gabarito extraoficial, foram 8 itens certos (1, 4, 6, 7, 8, 12, 13 e 14) e 7 itens errados (2, 3, 5, 9, 10, 11 e 15).

DT

Professor Décio Terror
Professor de Língua Portuguesa para concursos públicos, formado em Letras pela UFJF, aprovado na ESA, na ESFCEX e na PRF e ex-integrante de banca examinadora de concursos federais.

Concurso SEDES DF 2026: Edital Publicado!

 

Concurso SEDES DF 2026: Edital Publicado! Veja Vagas, Salários, Cronograma e Como se Preparar

O concurso SEDES DF 2026 já está com edital publicado e representa uma excelente oportunidade para quem deseja conquistar a estabilidade do serviço público no Distrito Federal. Organizado pelo Instituto Quadrix, o certame oferece vagas imediatas e cadastro de reserva para cargos de níveis médio e superior na carreira de Desenvolvimento e Assistência Social.

Neste artigo, você encontrará as principais informações sobre o Edital SEDES DF 2026, incluindo cargos, remunerações, etapas da seleção, cronograma completo e dicas para iniciar sua preparação desde já.


Concurso SEDES DF 2026: visão geral

A Secretaria de Estado de Desenvolvimento Social do Distrito Federal (SEDES DF) publicou edital para provimento de vagas e formação de cadastro de reserva nos cargos de:

✅ Técnico em Desenvolvimento e Assistência Social (TDAS)

✅ Especialista em Desenvolvimento e Assistência Social (EDAS)

O concurso será realizado pelo Instituto Quadrix e contará com provas aplicadas no Distrito Federal.


Cargos e remunerações do Concurso SEDES DF

Cargos de nível médio

Técnico em Desenvolvimento e Assistência Social (TDAS)

  • Agente Social
  • Cuidador Social
  • Técnico Administrativo

Remuneração inicial: R$ 4.320,16

Benefícios:

  • Vale-alimentação de R$ 640,00
  • Gratificações previstas conforme a lotação

Jornada de trabalho: 30 horas semanais.


Cargos de nível superior

Especialista em Desenvolvimento e Assistência Social (EDAS)

Entre as áreas contempladas estão:

  • Administração
  • Ciências Contábeis
  • Comunicação Social
  • Direito
  • Economia
  • Educador Social
  • Estatística
  • Nutrição
  • Pedagogia
  • Psicologia
  • Serviço Social
  • Sociologia

Remuneração inicial: R$ 6.071,09

Benefícios:

  • Vale-alimentação de R$ 640,00
  • Gratificações previstas na legislação

Jornada de trabalho: 30 horas semanais.


Etapas do Concurso SEDES DF 2026

O concurso será composto por:

Primeira etapa

  • Prova objetiva
  • Prova discursiva

Segunda etapa

  • Avaliação de títulos (apenas para cargos de Especialista)

Além disso, haverá procedimentos específicos para candidatos que concorram às vagas reservadas e demais condições previstas em edital.


Cronograma do Concurso SEDES DF 2026

As inscrições estarão abertas entre:

📅 09 de junho e 13 de julho de 2026

Data limite para pagamento da inscrição:

📅 14 de julho de 2026

Aplicação das provas:

📅 06 de setembro de 2026

  • Manhã: cargos de Especialista (EDAS)
  • Tarde: cargos de Técnico (TDAS)

Resultado final previsto:

📅 02 de abril de 2027.


Por que o Concurso SEDES DF é uma grande oportunidade?

O concurso da SEDES DF reúne características muito procuradas pelos concurseiros:

✔ Salários atrativos

✔ Jornada de apenas 30 horas semanais

✔ Diversidade de áreas de formação

✔ Possibilidade de cadastro de reserva

✔ Lotação em órgãos estratégicos do Governo do Distrito Federal

Além disso, a banca organizadora é o Instituto Quadrix, conhecido por apresentar um perfil de cobrança que exige interpretação de texto, domínio gramatical e boa capacidade de argumentação na prova discursiva.


Como estudar para o Concurso SEDES DF 2026?

Quem deseja conquistar uma das vagas precisa iniciar a preparação o quanto antes.

Em concursos organizados pelo Quadrix, a disciplina de Língua Portuguesa costuma ter peso significativo e exigir domínio de:

  • Interpretação de textos
  • Gramática aplicada
  • Coesão e coerência
  • Reescrita de frases
  • Regência e crase
  • Concordância verbal e nominal
  • Pontuação
  • Semântica

Quanto mais cedo o candidato iniciar seus estudos, maiores serão suas chances de chegar competitivo à prova.


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Acompanhe todas as atualizações do Concurso SEDES DF

O cronograma do concurso prevê diversas etapas importantes, incluindo divulgação de gabaritos, recursos, resultados das provas objetiva e discursiva, avaliação de títulos e resultado final. Por isso, é fundamental acompanhar todas as novidades.

Para não perder nenhuma atualização, entre também na nossa Lista VIP do Concurso SEDES DF. Sempre que houver movimentação relevante do edital, você será informado rapidamente.

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Concurso SEDES DF 2026: resumo

Órgão: Secretaria de Estado de Desenvolvimento Social do Distrito Federal (SEDES DF)

Banca: Instituto Quadrix

Cargos: Técnico em Desenvolvimento e Assistência Social (TDAS) e Especialista em Desenvolvimento e Assistência Social (EDAS)

Escolaridade: níveis médio e superior

Salários: até R$ 6.071,09 + benefícios

Inscrições: 09/06/2026 a 13/07/2026

Provas: 06/09/2026

Resultado final: 02/04/2027

Se o seu objetivo é conquistar uma vaga na assistência social do Distrito Federal, este é o momento ideal para começar a preparação.

Prepare-se em Português com o melhor material:

Português Descomplicado SEDES DF

 

Recurso questão 26 Marinha SMV Praças nível médio

A prova de Português da Marinha SMV RM2 2026 trouxe questões que geraram dúvida entre os candidatos, especialmente a questão 26.
Neste artigo, apresento a análise completa da questão, com fundamentação gramatical e argumentos que podem ser utilizados em recurso.

📌 RECURSO – QUESTÃO 26

A questão é a seguinte:

Questão 26 – Português Marinha SMV RM2 2026

Observe o período: “Os estudantes dedicaram-se ao projeto, e os resultados foram satisfatórios.” Qual é a relação sintática entre as orações?
(A) Coordenação sindética aditiva.
(B) Subordinação substantiva.
(C) Coordenação adversativa.
(D) Subordinação adverbial.
(E) Coordenação conclusiva.

Gabarito preliminar: A

A questão solicita a identificação da relação sintática entre as orações no período:

“Os estudantes dedicaram-se ao projeto, e os resultados foram satisfatórios.”

O gabarito preliminar apontou como correta a alternativa (A) Coordenação sindética aditiva.

Entretanto, tal resposta deve ser revista, pelos fundamentos a seguir.

📚 Fundamentação teórica

De acordo com a gramática de Celso Cunha e Lindley Cintra, no capítulo referente ao período composto por coordenação, a conjunção “e” é classificada tradicionalmente como coordenativa aditiva, mas os autores destacam expressamente que:

  • a conjunção “e” não se limita ao valor de adição;
  • ela pode assumir diferentes valores semânticos, conforme o contexto;
  • entre esses valores, inclui-se o valor conclusivo.

A obra registra que a conjunção “e” pode expressar, além de adição, ideias como consequência, conclusão, oposição, entre outras, dependendo da relação de sentido entre as orações.

⚖️ Fundamentação gramatical da questão 26

No período apresentado:

“Os estudantes dedicaram-se ao projeto, e os resultados foram satisfatórios.”

Há duas possíveis leituras:

  1. Leitura aditiva (gabarito da banca)
    Apenas soma de fatos:

    • dedicação ao projeto
    • resultados satisfatórios
  2. Leitura conclusiva (igualmente válida)
    A segunda oração pode ser interpretada como resultado/consequência da primeira:

    • houve dedicação → logo, os resultados foram satisfatórios

Percebe-se, portanto, que há relação de consequência lógica, típica de valor conclusivo.

⚠️ Problema da questão

A questão pede relação sintática, porém:

  • a classificação “aditiva” ou “conclusiva” não é estritamente sintática, mas semântica;
  • a própria gramática adotada pela banca não estabelece distinção rígida entre essas classificações no plano sintático;
  • ao contrário, reconhece a polissemia da conjunção “e”, admitindo múltiplos valores.

Assim, há ambiguidade interpretativa legítima, pois:

  • a alternativa (A) pode ser aceita;
  • a alternativa (E) também encontra respaldo teórico.

🧾 Pedido

Diante do exposto, solicita-se:

  • a anulação da questão, por apresentar mais de uma alternativa plausível à luz da gramática de referência adotada;

ou, subsidiariamente,

  • a ampliação do gabarito, contemplando também a alternativa (E).

✅ Conclusão didática

O ponto central é este:
👉 A conjunção “e” é formalmente aditiva, mas pode assumir valor conclusivo no contexto.
👉 Como a questão não delimita claramente o critério (formal x semântico), ela se torna tecnicamente imprecisa.

Veja o vídeo sobre recursos Marinha SMV Praças:

Concurso MPES 2026: edital publicado, vagas, salários e como estudar para a prova da FGV

Concurso MPES 2026: edital publicado com 60 vagas e salários de até R$ 10 mil


Edital do concurso MPES 2026 foi publicado

O Ministério Público do Estado do Espírito Santo (MPES) publicou o Edital nº 01/2026 para o provimento de cargos do grupo ocupacional administrativo. O concurso oferece 60 vagas imediatas, além de formação de cadastro de reserva.

A organização do certame é da Fundação Getulio Vargas (FGV), uma das bancas mais exigentes do país, especialmente nas provas de Língua Portuguesa e interpretação de textos.

O concurso terá validade de 2 anos, podendo ser prorrogado por mais 2 anos, conforme previsto no edital.


Vagas e salários do concurso MPES

O edital prevê oportunidades para nível médio e superior, distribuídas entre três cargos principais.

Nível médio

Agente de Apoio – área administrativa

  • Vagas: 20

  • Salário inicial: R$ 5.073,26

Nível superior

Agente Técnico

Diversas áreas profissionais, como:

  • Administrador

  • Assistente social

  • Biólogo

  • Contador

  • Engenheiro

  • Psicólogo

  • Nutricionista

  • Pedagogo

  • entre outras.

Salário inicial: R$ 7.312,44

Agente Especializado

Áreas ligadas principalmente à tecnologia e saúde, como:

  • Analista de sistemas

  • Cientista de dados

  • Analista de segurança da informação

  • Engenheiro de dados

  • Médico

  • Médico do trabalho

Salário inicial: R$ 10.453,81.

Os valores não incluem benefícios, como auxílio-alimentação e auxílio-saúde.


Inscrições para o concurso MPES

As inscrições deverão ser feitas pela internet no site da FGV.

Período de inscrição:

  • 12 de março de 2026 (16h)

  • 9 de abril de 2026 (16h)

Taxa de inscrição:

  • R$ 95 para nível médio

  • R$ 120 para nível superior

O pagamento poderá ser realizado até 10 de abril de 2026.


Data das provas

As provas objetivas e discursivas estão previstas para:

31 de maio de 2026

  • manhã: cargos de nível superior

  • tarde: cargo de Agente de Apoio.


Matérias cobradas na prova

A prova objetiva costuma envolver disciplinas como:

  • Língua Portuguesa

  • Raciocínio lógico

  • Informática

  • Direito administrativo

  • Direito constitucional

  • Conhecimentos específicos

Entre todas essas disciplinas, Português costuma ser decisivo para a classificação final.


Como a FGV cobra Português nas provas

A banca FGV tem um estilo de cobrança bastante característico em Língua Portuguesa.

Diferentemente de muitas bancas que focam apenas em regras gramaticais, a FGV costuma exigir:

  • interpretação profunda de textos

  • análise de sentido e efeitos de linguagem

  • coesão e coerência textual

  • valores semânticos de conectivos

  • relações sintáticas dentro do texto

  • reescrita de trechos mantendo sentido e correção.

Além disso, a banca costuma explorar armadilhas de interpretação, exigindo atenção ao contexto e ao valor semântico das palavras.

Por isso, muitos candidatos que estudam apenas gramática tradicional acabam tendo dificuldade nas provas da FGV.


Por que é importante ter orientação de um professor na disciplina de Português

Nas provas da FGV, o estudo isolado por curso generalista ou resumos muitas vezes não é suficiente.

O candidato precisa desenvolver habilidades como:

  • leitura estratégica de textos

  • identificação de inferências

  • interpretação contextualizada

  • resolução de questões complexas da banca.

Nesse processo, o acompanhamento de um professor especializado em concursos faz grande diferença, pois permite compreender exatamente o padrão de cobrança da banca e evitar erros comuns.


Curso de Português para MPE ES

Se você pretende disputar uma vaga no concurso MPE ES, é fundamental dominar o estilo de cobrança da FGV em Língua Portuguesa.

Por isso, preparei um curso completo de Português para MPE ES, com foco em todo o conteúdo programático do edital:

O curso inclui:

  • teoria objetiva

  • esquemas de revisão

  • mais de mil questões comentadas da banca FGV

  • orientação estratégica para prova.

👉 Conheça o curso aqui:
Curso de Português MPE ES banca FGV

📺 Assista ao vídeo de apresentação do curso:

 

Vale a pena fazer o concurso MPES?

O concurso do MPES apresenta várias vantagens:

  • bons salários

  • estabilidade

  • carreira em órgão essencial à justiça

  • possibilidade de crescimento profissional.

Além disso, concursos organizados pela FGV exigem preparo estratégico, especialmente na disciplina de Português.

Por isso, quem inicia a preparação com antecedência e com orientação adequada aumenta significativamente suas chances de aprovação.

Português Câmara dos Deputados Cebraspe: recurso da questão 21 explicado

A prova de Português do concurso da Câmara dos Deputados, organizada pela banca Cebraspe, trouxe questões que geraram dúvida entre os candidatos. Neste artigo, apresento a análise técnica da questão 21 de Português, com fundamentação gramatical que pode embasar recurso administrativo contra o gabarito da prova.

Baixe a prova e o gabarito preliminar abaixo:

Prova analista Geral

Gabarito analista – Geral

A prova está comentada na íntegra no link abaixo:

 

A questão 21 da prova de Português para Analista da Câmara dos Deputados apresentou uma proposta de reescrita de período considerada errada pela banca.

No entanto, uma análise linguística detalhada permite sustentar que a reformulação mantém a correção gramatical e a coerência textual, o que abre espaço para questionamento do gabarito.

Neste artigo, analisamos o trecho original, a reescrita apresentada na questão e os fundamentos linguísticos que justificam o possível recurso.

O trecho do texto utilizado na prova

O texto de apoio apresenta, em seu segundo parágrafo, os seguintes períodos:

“Hoje, o debate sobre o racismo cresceu. As cotas raciais são um sucesso social e acadêmico comprovado.”

Nesse trecho, o autor descreve uma realidade atual: o debate público sobre racismo ampliou-se e, nesse contexto, as cotas raciais passaram a ser reconhecidas como uma política social e acadêmica bem-sucedida.

O enunciado da questão 21

A questão propôs que os dois primeiros períodos do segundo parágrafo poderiam ser reescritos da seguinte forma:

“Atualmente, considerando o avanço do debate sobre o racismo, as cotas raciais já são aceitas como um sucesso social e acadêmico.”

Segundo o enunciado, essa reformulação deveria ser analisada quanto à possibilidade de ocorrer sem prejuízo da correção gramatical e da coerência do texto.

O gabarito preliminar indicou ERRADO.

Contudo, a análise linguística mostra que há fundamentos para sustentar o contrário.

 

Análise da correção gramatical

A frase proposta apresenta estrutura plenamente aceitável na norma culta da língua portuguesa.

Observe sua organização sintática:

  • Adjunto adverbial de tempo: “Atualmente”
  • Oração reduzida de gerúndio com valor circunstancial: “considerando o avanço do debate sobre o racismo”
  • Oração principal: “as cotas raciais já são aceitas como um sucesso social e acadêmico”

Essa construção é perfeitamente regular do ponto de vista gramatical. O uso da oração reduzida de gerúndio para indicar circunstância ou contexto é amplamente empregado em textos formais e argumentativos.

Assim, não há erro gramatical na reformulação proposta.

 

Preservação da coerência textual

Além da correção gramatical, o enunciado exigia verificar se a reescrita manteria a coerência do texto.

Comparemos os elementos centrais:

Texto original Reescrita
Hoje Atualmente
o debate sobre o racismo cresceu avanço do debate sobre o racismo
as cotas raciais são um sucesso social e acadêmico comprovado as cotas raciais já são aceitas como um sucesso social e acadêmico

Observa-se que a reformulação mantém o núcleo das informações originais, apenas reorganizando-as sintaticamente em um único período.

Além disso:

  • “Hoje” e “Atualmente” possuem o mesmo valor temporal.
  • “Cresceu” corresponde semanticamente a “avanço”.
  • A ideia de reconhecimento do sucesso das cotas raciais permanece preservada.

Portanto, a reformulação não altera o sentido fundamental do texto.

 

A relação lógica entre as duas frases

No texto original, os dois períodos apresentam uma relação contextual clara:

  1. O debate sobre o racismo ampliou-se.
  2. Nesse cenário social, as cotas raciais são reconhecidas como uma política bem-sucedida.

Na reescrita, essa relação aparece na estrutura:

“considerando o avanço do debate sobre o racismo”.

Essa construção funciona como circunstância contextual, mantendo a lógica entre as ideias.

Assim, a coerência textual permanece intacta.

 

Conclusão: por que a questão pode ser contestada

A análise linguística permite afirmar que a reescrita proposta na questão 21 da prova de Português para Analista da Câmara dos Deputados:

  • mantém correção gramatical;
  • preserva a coerência textual;
  • mesmo não conservando exatamente o mesmo sentido das duas frases originais.

Dessa forma, a junção dos dois períodos em um único enunciado não compromete a informação transmitida pelo texto.

Por esse motivo, há fundamento técnico para sustentar que o item poderia ser considerado correto, o que justifica a apresentação de recurso solicitando a alteração do gabarito de Errado para Certo.

 

Se esta prova mostrou que você precisa evoluir em Português, o melhor momento para começar é agora.


Quem inicia a preparação com antecedência chega muito mais seguro na próxima prova e aumenta significativamente as chances de aprovação.

Conheça nossos cursos de Português e comece hoje a construir sua aprovação:

 

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Boa sorte e grande abraço!

Professor Décio Terror

Português Marinha SMV RM2 2026: questões com recurso

Análise técnica das questões 14, 23, 31 e 33 com base em Celso Cunha e Houaiss

 

A prova de Português da Marinha do Brasil – SMV RM2 2026 trouxe questões que podem gerar recurso administrativo e até anulação, especialmente em itens que apresentam dupla interpretação ou cobrança discutível do conteúdo programático.

Neste artigo, você confere a análise técnica das questões mais sensíveis da prova, com fundamentação em gramáticas normativas e critérios adotados em concursos militares. Se você fez a prova e quer entender se vale a pena recorrer, esta análise vai te ajudar a identificar os pontos-chave.

A prova de Português do SMV RM2 2026 – Oficial da Marinha (Prova Verde) trouxe questões que merecem análise técnica aprofundada e fundamentação normativa para fins de recurso.

 

📌 Link oficial da prova (Prova Verde):
https://www.marinha.mil.br/com3dn/sites/www.marinha.mil.br.com3dn/files/smv/SMV%20OF%20PORT%20VERDE_0.pdf

📌 Link do gabarito preliminar:
https://www.marinha.mil.br/com8dn/sites/www.marinha.mil.br.com8dn/files/GabDiv_PS-SMV-2026_COM8DN.pdf

Neste artigo, apresento análise técnica e fundamentada nas seguintes obras:

  • Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa

  • Nova Gramática do Português Contemporâneo, de Celso Cunha e Lindley Cintra

Vamos aos pontos centrais.


Questão 14 – Recurso Português Marinha SMV RM2 2026

Observe o trecho: “Passou-se muito tempo.”-5°§. O vocábulo destacado é:

(A) elemento de ênfase linguística.

(B) pronome reflexivo.

(C) índice de indeterminação do sujeito.

(D) parte integrante do verbo.

(E) pronome apassivador.

Gabarito preliminar: E

Recurso: Solicitar alteração da alternativa (E) para (A).

A questão solicita a classificação do vocábulo “se” na oração “Passou-se muito tempo.”, tendo o gabarito preliminar apontado a alternativa (E): pronome apassivador. Contudo, essa classificação não encontra respaldo na descrição gramatical normativa nem na lexicografia autorizada, conforme demonstrado a seguir.

Fundamentação no Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa:

O Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa, no verbete “se”, registra explicitamente o uso desse vocábulo como partícula expletiva:

“se: (…) 9. partícula expletiva, sem função sintática, usada para reforçar ou dar realce à ação verbal, como em ‘foi-se embora’, ‘passaram-se os anos’.”

(HOUAISS, Antônio; VILLAR, Mauro de Salles. Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa. Rio de Janeiro: Objetiva, 2009, verbete “se”, p. 1837.)

Essa definição é perfeitamente aplicável ao contexto da questão, pois a oração “Passou-se muito tempo” mantém o mesmo valor semântico sem a presença do pronome:

Muito tempo passou. O tempo passou.

Isso demonstra que o “se” não exerce função sintática essencial, mas atua como elemento de realce ou ênfase, exatamente conforme descrito pelo Houaiss.

O mesmo dicionário também distingue claramente a partícula apassivadora, associando-a a verbos transitivos diretos:

“se: (…) partícula apassivadora, que acompanha verbo transitivo direto na formação da voz passiva sintética, como em ‘vendem-se casas’.” (HOUAISS, 2009, p. 1837.)

No caso da oração em análise, o verbo “passar” não está empregado como transitivo direto, mas como verbo intransitivo, no sentido de transcorrer, decorrer ou durar.

O próprio Houaiss registra esse sentido do verbo passar:

“passar: (…) 31. decorrer, transcorrer (tempo); escoar-se: ‘passaram-se muitos anos’.” (HOUAISS, 2009, verbete “passar”, p. 1403.)

Note-se que o próprio dicionário usa construção idêntica à da questão e a associa ao sentido de transcorrer, não à voz passiva.

 

Fundamentação na Nova Gramática do Português Contemporâneo – Celso Cunha e Lindley Cintra

Celso Cunha e Lindley Cintra definem o pronome apassivador da seguinte forma:

“O pronome se é apassivador quando forma a voz passiva sintética com verbos transitivos diretos (ou transitivos diretos e indiretos), cujo sujeito é o paciente da ação verbal:

Vendem-se casas.

Alugam-se apartamentos.”

(CUNHA, Celso; CINTRA, Lindley. Nova Gramática do Português Contemporâneo. 6. ed. Rio de Janeiro: Lexikon, 2013, p. 390.)

Essa definição estabelece dois requisitos obrigatórios:

  1. verbo transitivo direto;
  2. sujeito paciente que sofre a ação verbal.

Nenhum desses requisitos ocorre na oração da questão.

O verbo “passar”, no sentido de transcorrer, é intransitivo, e o termo “muito tempo” não sofre ação de agente externo; ao contrário, constitui o próprio núcleo do processo verbal.

Além disso, Cunha e Cintra reconhecem explicitamente o uso do “se” como partícula expletiva:

“O pronome se pode apresentar-se como partícula expletiva ou de realce, sem exercer função sintática, como em:

Foi-se embora.

Riram-se muito.”

(CUNHA; CINTRA, 2013, p. 394.)

Essa descrição corresponde exatamente à estrutura da oração:

Passou-se muito tempo.

O “se”, portanto, não altera a estrutura sintática nem transforma o verbo em transitivo direto.

 

Impossibilidade de voz passiva sintética

Para que houvesse pronome apassivador, seria necessário converter a oração em passiva analítica, como ocorre em:

Vendem-se casas → Casas são vendidas.

            Contudo, a tentativa de conversão da oração da questão resulta em construção semanticamente incoerente:

Muito tempo foi passado por alguém.

            Essa construção não corresponde ao sentido original, pois o verbo não expressa ação praticada por agente externo, mas sim ocorrência temporal. Logo, não há voz passiva sintética.

Conclusão

Com base no Dicionário Houaiss (p. 1837 e p. 1403), que reconhece o uso do “se” como partícula expletiva em construções como “passaram-se os anos” e na Nova Gramática do Português Contemporâneo, de Celso Cunha e Lindley Cintra (p. 390 e p. 394), que restringe o pronome apassivador a verbos transitivos diretos e reconhece o uso expletivo do “se”, conclui-se que o vocábulo “se” na oração “Passou-se muito tempo.” não exerce função de pronome apassivador. Trata-se de partícula expletiva, isto é, elemento de ênfase linguística.

Dessa forma, solicita-se respeitosamente a alteração do gabarito da alternativa (E) pronome apassivador para (A) elemento de ênfase linguística.

 

QUESTÃO 23 – Recurso Português Marinha SMV RM2 2026

Leia o trecho: “Vi-os fortes e louros irromper…”-8°§. Assinale a opção em que o termo destacado possui a mesma função sintática que no termo sublinhado no fragmento.

(A) O velho carecia de roupa.

(B) A criança dormiu na cama.

(C) Adormeceu o vento.

(D) O rapaz comprou um livro.

(E) Pedro viajou de carro pelo país.

Gabarito preliminar: D

Recurso: Solicitar anulação da questão

Preliminarmente, a banca entendeu que o pronome átono “os” é objeto direto e julgou a alternativa (D) como a correta, pois o termo “um livro” é objeto direto do verbo transitivo direto “comprou”.

Porém, havemos de aprofundar nessa análise:

É certo que o pronome átono “os”, de maneira geral, pode ocupar a função sintática de objeto direto, em frases como “Eu os vi”, “Eu os comprei”. Nesses exemplos, os verbos são transitivos diretos e o pronome “os” é o objeto direto.

Porém, no contexto da questão, especificamente no período “Vi-os fortes e louros irromper pelo céu onde tinha morrido de morte linda a aurora.”, o verbo “Vi” é sensitivo e o pronome átono “os” é sujeito do infinitivo “irromper”.

Numa análise sintática, o verbo “Vi” é transitivo direto e o objeto direto, e toda a oração posterior (“os fortes e louros irromper pelo céu”) é subordinada substantiva objetiva direta reduzida de infinitivo, em que o pronome átono “os” é o sujeito do infinitivo “irromper” e o termo “fortes e louros” é o predicativo do sujeito dentro de um predicado verbo-nominal.

Isso é reforçado na explicação de Celso Cunha e Lindley Cintra:

“O pronome oblíquo átono sujeito de um infinitivo

Se compararmos as duas frases:

Mandei que ele saísse…

Mandei-o sair.

verificamos que o objeto direto, exigido pela forma verbal mandei, é expresso:

a) na primeira, pela oração que ele saísse;

b) na segunda, pelo pronome seguido do infinitivo: o sair. E verificamos, também, que o pronome o está para o infinitivo sair como o pronome ele para a forma finita saísse, da qual é sujeito. Logo, na frase acima o pronome o desempenha a função de sujeito do verbo sair.

Construções semelhantes admitem os pronomes me, te, nos, vos (e o reflexivo se, que estudaremos à parte). Exemplo:

Deixe-me falar.

Mandam-te entrar.

Fez-nos sentar.”

(CUNHA, Celso; CINTRA, Lindley. Nova Gramática do Português Contemporâneo. 7. ed. Rio de Janeiro: Lexikon, 2013, p. 316.)

Note-se que a explicação dos renomados autores não abre possível interpretação de o pronome átono, neste caso, ser objeto direto. Há ênfase de que, neste caso, o pronome átono é sujeito do infinitivo posterior.

Mas, do período da questão, poder-se-ia duvidar de o pronome ser sujeito, se o infinitivo está no singular e o sujeito está no plural. Essa possível dúvida é sanada com a explicação dos autores quanto à concordância no infinitivo:

“2. É também normal o emprego do infinitivo não flexionado:

(…)

2.°) quando depende dos auxiliares causativos (deixar, mandar, fazer e sinônimos) ou sensitivos (ver, ouvir, sentir e sinônimos) e vem imediatamente depois desses verbos ou apenas separado deles por seu sujeito, expresso por um pronome oblíquo:

— Deixas correr os dias como as águas do Paraíba?

(Machado de Assis, OC, II, 119.)

E as lágrimas que choro, branca e calma,

Ninguém as vê brotar dentro da alma!

(F. Espanca, S, 18.)

Esta viu-os ir pouco a pouco.

(Machado de Assis, OC, II, 509.)

Neste caso, costuma ocorrer também a forma flexionada, quando entre o auxiliar e o infinitivo se insere o sujeito deste, expresso por substantivo ou equivalente:

Domingos mandou os homens levantarem-se.

(Castro Soromenho, C, 56.)”

(CUNHA, Celso; CINTRA, Lindley. Nova Gramática do Português Contemporâneo. 7. ed. Rio de Janeiro: Lexikon, 2013, p. 501.)

O exemplo literal acima (“Esta viu-os ir pouco a pouco.”) reforça que o infinitivo “ir” não concorda com o sujeito “os”. Da mesma forma, no trecho da questão, “irromper” não concorda com o sujeito “os”: “Vi-os fortes e louros irromper pelo céu”.

Assim, pela bibliografia expressa do edital, entendemos que “os” não é objeto direto, mas sim sujeito acusativo, isto é, sujeito de um infinitivo posterior.

Porém, a banca deu como gabarito a alternativa (D): O rapaz comprou um livro.

A única alternativa que apresenta o termo grifado como sujeito é a alternativa (C): Adormeceu o vento.

Porém, este sujeito não tem as características peculiares do sujeito acusativo, isto é, um pronome átono na função de sujeito de um infinitivo.

Assim, entende-se não haver uma resposta correta para a questão, ao que se pede sua anulação.

 

QUESTÃO 31 – Recurso Português Marinha SMV RM2 2026

Observe o trecho: “(…) é o de hoje, o agora, o aqui – e isso não há.”-4°§. A oração destacada no fragmento tem sujeito:

(A) inexistente, devido ao uso do verbo “haver”.

(B) simples, representado pelo pronome “isso”.

(C) composto, representado por “o de hoje, o agora, o aqui”.

(D) indeterminado, devido ao uso do verbo “haver”.

(E) elíptico, retomando um termo anterior.

Gabarito preliminar: D

Recurso: Solicitar alteração da alternativa (D) para (A).

O gabarito preliminar indicou a alternativa (D) sujeito indeterminado, devido ao uso do verbo ‘haver’. Contudo, essa classificação não encontra respaldo na descrição normativa da língua portuguesa, especialmente conforme exposto por Celso Cunha e Lindley Cintra.

Fundamentação gramatical

Celso Cunha e Lindley Cintra afirmam expressamente que o verbo “haver”, quando empregado no sentido de existir, é impessoal, não admitindo sujeito:

“O verbo haver, no sentido de existir, acontecer ou indicar tempo decorrido, é impessoal, isto é, não tem sujeito, permanecendo invariável na terceira pessoa do singular.”

(CUNHA, Celso; CINTRA, Lindley. Nova Gramática do Português Contemporâneo. 6. ed. Rio de Janeiro: Lexikon, 2013, p. 148.)

A oração em análise é “isso não há.”

O verbo “haver”, nesse contexto, possui claramente o sentido de existir. A estrutura equivale semanticamente a “isso não existe.”

Sendo o verbo impessoal, a oração é sem sujeito.

Ainda segundo Cunha e Cintra:

“Nas orações sem sujeito, o verbo permanece na terceira pessoa do singular, por não haver termo que funcione como sujeito.”

(CUNHA; CINTRA, 2013, p. 147.)

Portanto, não há possibilidade de classificação como sujeito indeterminado.

Análise sintática da oração

Na oração “isso não há.”, o termo “isso” não exerce função de sujeito. Ele atua como objeto direto antecipado por ênfase ou elemento de retomada discursiva.

A ordem direta seria “Não há isso.”

Segundo a norma gramatical, em construções com “haver” no sentido de existir, o termo que o segue é objeto direto, e não sujeito.

Assim, a oração é classificada como oração sem sujeito (sujeito inexistente).

Conclusão

Com base na Nova Gramática do Português Contemporâneo, de Celso Cunha e Lindley Cintra (p. 147–148), o verbo “haver”, no sentido de existir, é impessoal e não admite sujeito.

Dessa forma, a oração “isso não há” é oração sem sujeito.

Solicita-se, portanto, a alteração do gabarito da alternativa (D) sujeito indeterminado para (A) inexistente, devido ao uso do verbo “haver”.

 


QUESTÃO 33 – Recurso Português Marinha SMV RM2 2026

No fragmento “Abençoado seja o Sol. Abençoado seja о dia. Abençoado seja o descanso…” ocorre:

(A) uma manutenção temática.

(B) um paralelismo sintático.

(C) uma inversão sintática.

(D) uma paráfrase.

(E) uma variação fonológica.

Gabarito preliminar: B

Recurso: Solicitar anulação da questão, por haver duas alternativas corretas.

A questão apresenta o fragmento “Abençoado seja o Sol. Abençoado seja o dia. Abençoado seja o descanso…”

O gabarito preliminar indicou a alternativa (B) paralelismo sintático.

De fato, há paralelismo estrutural, pois se repete o mesmo arranjo sintático nas três orações. Contudo, a análise gramatical revela também a ocorrência inequívoca de inversão sintática, o que torna igualmente correta a alternativa (C) uma inversão sintática.

Cada uma das orações apresenta construção típica da voz passiva analítica, em que o particípio pelo verbo auxiliar “ser” + particípio do verbo principal “Abençoado”.

Segundo Celso Cunha e Lindley Cintra:

“A voz passiva analítica forma-se com o verbo auxiliar ser e o particípio do verbo principal.”

(CUNHA, Celso; CINTRA, Lindley. Nova Gramática do Português Contemporâneo. 6. ed. Rio de Janeiro: Lexikon, 2013, p. 443.)

No fragmento, ocorre deslocamento do particípio para a posição inicial “Abençoado seja o Sol.”

Trata-se, portanto, de reorganização da locução verbal da passiva analítica.

A ordem direta da oração, conforme descrevem Cunha e Cintra, é:

“A ordem direta da oração em português é: sujeito + verbo + complementos.”

(CUNHA; CINTRA, 2013, p. 600.)

Na estrutura da oração, teríamos Sujeito + verbo auxiliar + particípio: “O Sol seja abençoado.”

Entretanto, o que ocorre no fragmento é Particípio + verbo auxiliar + sujeito: “Abençoado seja o Sol.”

Há, portanto, deslocamento do núcleo verbal da locução passiva para antes do sujeito.

Cunha e Cintra definem:

“A inversão consiste na alteração da ordem direta dos termos da oração, geralmente com finalidade expressiva ou estilística.”

(CUNHA; CINTRA, 2013, p. 601.)

Logo, além do paralelismo, verifica-se alteração da ordem sintática padrão.

É inegável que há paralelismo sintático, pois as três orações repetem a mesma estrutura formal.

Contudo, esse paralelismo é construído sobre uma estrutura invertida da passiva analítica.

Logo, a ocorrência de paralelismo não exclui a existência simultânea de inversão sintática.

Solicita-se, portanto, a anulação da questão, por admitir duas alternativas corretas igualmente fundamentadas na gramática normativa.

 


📌 Conclusão – Recursos Fundamentados na Prova Verde SMV RM2 2026

Após análise técnica com base:

  • no Dicionário Houaiss

  • na Nova Gramática do Português Contemporâneo (Celso Cunha e Lindley Cintra)

Conclui-se:

Questão 14 → deve ser alterada para alternativa (A)

Questão 23 → deve-se pedir anulação

Questão 31 → deve ser alterada para alternativa (A)

Questão 33 → admite dupla resposta (B e C), cabendo anulação

 

Veja o que o edital orienta sobre como fazer o recurso:

“12. DOS RECURSOS DA PROVA OBJETIVA (PO), DA PROVA DE TÍTULOS (PT), DA VERIFICAÇÃO DOCUMENTAL (VD) E DA VERIFICAÇÃO DE DADOS BIOGRÁFICOS (VDB)

12.1 – O voluntário que desejar, poderá interpor recurso contra as questões da PO, em face de erros ou omissões nos gabaritos divulgados dessa prova; e contra o resultado da PT, VDB e VD.

12.2 – O voluntário disporá do prazo de 3 (três) dias úteis, contados a partir do dia seguinte ao da divulgação do gabarito da PO e das notas da PT, na página do Com1°DN, para apresentar seu recurso.

12.3 – Os recursos deverão ser entregues, dentro do prazo estipulado no subitem 12.2, devidamente assinados pelos voluntários, diretamente no Com1°DN.

12.4 – Os recursos deverão ser:

a) redigidos de acordo com os modelos contidos nos Apêndice VI e VII, deste Aviso, para PO e PT, respectivamente, devidamente fundamentados e incluindo bibliografia pesquisada. Deverão conter todos os dados que informem a identidade do requerente, seu número de inscrição, endereço completo e assinatura;

b) se manuscritos, redigidos em letra legível com caneta esferográfica azul ou preta;

c) apresentados com argumentação lógica e consistente, indicando o Processo Seletivo, prova (profissão e cor), número da questão, a resposta marcada pelo voluntário e a divulgada pelo gabarito e a sua finalidade;

d) um para cada questão; e

e) entregue pessoalmente ao Comando do respectivo Distrito Naval, observado o prazo estabelecido nos subitens 12.2 e 12.5.


🎯 Palavra Final ao Candidato da Marinha SMV 2026

 

Recursos bem fundamentados aumentam significativamente as chances de deferimento.

Não basta discordar do gabarito.
É preciso sustentar tecnicamente, com base na gramática normativa.

Se você está se preparando para a Marinha SMV RM2, continue acompanhando as análises detalhadas aqui no blog. A diferença entre ficar na classificação e conquistar a vaga pode estar em um recurso bem estruturado.

Venha conosco para uma aula onde irei apresentar os recursos prontos da prova de Português, com análise detalhada das questões, comentários estratégicos e explicação dos pontos mais cobrados pela banca.

 

Abaixo faço o comentário da prova e dos possíveis recursos numa aula ao vivo. Clique abaixo e veja:

 

Se esta prova mostrou que você precisa evoluir em Português, o melhor momento para começar é agora.


Quem inicia a preparação com antecedência chega muito mais seguro na próxima prova e aumenta significativamente as chances de aprovação.

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Boa sorte e grande abraço!

Professor Décio Terror

Recurso Português TJ RJ Técnico

Fala, pessoal!

 

Vamos de recurso Português TJ RJ Técnico!

Entendo que há duas questões passíveis de recurso: 11 e 15.

Estou tomando por base a prova tipo 1, branca, cujo link é o seguinte:

 

https://conhecimento.fgv.br/sites/default/files/concursos/tecnico-de-atividade-judiciaria-sem-especialidade-nm-t01-se-tipo-1.pdf

 

Recurso contra o gabarito – Questão 11 – FGV / TJ-RJ (2026)

(FGV / TJ RJ Técnico de Atividade Judiciária 2026)

Todas as frases abaixo trazem preposições em sua construção.

A única frase em que a preposição sublinhada foi usada corretamente é:

(A)       Todos os políticos nos encontramos contra o raio de ação de campanhas populares.

(B)       Os assaltantes não só levaram todas as joias da vitrine como atiraram sobre o gerente da loja.

(C)       As partidas que mais atraíam o público torcedor eram aquelas em que se enfrentavam Vasco e Flamengo.

(D)       No início a ideia principal era de incrementar a participação de todos nas decisões escolares.

(E)       Nos países do Terceiro Mundo – na África de forma especial –, o número de afetados de Aids aumenta dia a dia.

Gabarito preliminar: C

 

O gabarito preliminar indica como correta apenas a alternativa (C). Entretanto, uma análise gramatical criteriosa demonstra que a alternativa (E) também apresenta uso correto da preposição sublinhada, o que configura duplicidade de respostas corretas e autoriza a anulação da questão.

Na alternativa (C) – “As partidas que mais atraíam o público torcedor eram aquelas em que se enfrentavam Vasco e Flamengo.” –, o emprego da preposição em é plenamente adequado, pois “em que” funciona como adjunto adverbial: Vasco e Flamengo se enfrentavam naquela partida.

Todavia, a alternativa (E) – “Nos países do Terceiro Mundo – na África de forma especial –, o número de afetados de Aids aumenta dia a dia.” – também está correta, pois o adjetivo afetado admite regência com a preposição “de”, quando indica aquilo que atinge, compromete ou incide sobre alguém ou algo.

Gramáticas normativas e dicionários de regência reconhecem esse uso. O adjetivo afetado, no sentido de “atingido”, “acometido”, “alcançado por”, pode reger tanto a preposição por quanto a preposição de, a depender da construção semântica. Expressões como afetado de doença, afetados de epidemias e afetados de males crônicos são recorrentes na língua escrita formal e encontram respaldo na tradição gramatical.

Nesse contexto, a construção “afetados de Aids” é sintaticamente legítima e semanticamente clara, não configurando desvio de regência nem impropriedade vocabular. Assim, a preposição sublinhada em (E) foi empregada corretamente, atendendo integralmente ao comando da questão.

Dessa forma, constata-se que há pelo menos duas alternativas corretas (C e E), o que viola o princípio da univocidade exigido em questões objetivas de múltipla escolha.

Diante do exposto, requer-se a anulação da questão, por apresentar mais de uma resposta válida à luz da norma culta da Língua Portuguesa.

 


Recurso contra o gabarito – Questão 15 – FGV / TJ-RJ (2026)

(FGV / TJ RJ Técnico de Atividade Judiciária 2026)

O tema de um texto não está necessariamente relacionado com a sua finalidade. Observe com atenção o fragmento textual abaixo, cujo tema é astrologia.

“A mulher-libra deverá apelar para suas consideráveis reservas de simpatia para tolerar os acessos de melancolia e os longos silêncios do homem-escorpião. Ele não a abandonou: se limita a afastar-se da costa um pouco mais que de costume, nadando por águas mais profundas de meditação sobre os mistérios da vida e não necessita de ninguém que nade junto a ele. Prefere empreender sozinho essas incursões noturnas. Às perguntas ‘Em que você está pensando?’, ‘Por que está tão calado?’, ele as responderá com um olhar frio e mais silêncio. Mesmo os escorpiões mais falantes terão momentos de introspecção.”

O texto acima tem a finalidade de:

(A) valorizar a astrologia no contato social;

(B) ironizar os dados astrológicos nas relações amorosas;

(C) informar aos de libra e aos de escorpião sobre o contato;

(D) demonstrar a infalibilidade da astrologia;

(E) mostrar as diferenças entre os signos.

Gabarito preliminar: C

 

O gabarito preliminar aponta como correta a alternativa (C): “informar aos de libra e aos de escorpião sobre o contato”.

Entretanto, a escolha dessa alternativa merece contestação, pois se baseia em um termo excessivamente genérico e semanticamente indeterminado, que não encontra delimitação clara no fragmento textual apresentado.

A palavra “contato”, tal como empregada na alternativa (C), possui sentido amplo e vago, podendo referir-se a contato social, físico, afetivo, comunicativo, ocasional ou contínuo. O texto, contudo, não tematiza o “contato” em si, nem o toma como eixo central de desenvolvimento. O fragmento concentra-se, de modo mais específico, na diferença de comportamentos emocionais e psicológicos atribuídos aos signos de Libra e Escorpião, especialmente no que se refere à introspecção, ao silêncio e à forma de lidar com relações interpessoais.

Em nenhum momento o texto se propõe a informar “sobre o contato”, entendido como objeto temático autônomo. Ao contrário, o que se observa é uma caracterização contrastiva dos signos, explorando suas atitudes, reações e modos de se relacionar. Assim, o termo “contato”, por não ser textual nem conceitualmente desenvolvido, abre margem a múltiplas interpretações, o que compromete a precisão exigida em uma questão objetiva.

Além disso, o próprio comando da questão solicita a identificação da finalidade do texto, e não de um conteúdo acessório ou indiretamente inferido. Uma finalidade adequada deve ser formulada com clareza, especificidade e aderência ao texto-base, o que não ocorre na alternativa (C), justamente por empregar um substantivo abstrato e indefinido, ausente do recorte temático efetivamente explorado.

Dessa forma, a alternativa indicada como correta apresenta fragilidade semântica, induzindo o candidato à dúvida quanto ao tipo de “contato” a que se refere, o que é incompatível com os critérios de objetividade e precisão próprios das provas da banca.

Diante do exposto, solicita-se a anulação da questão, uma vez que a alternativa (C) se apoia em termo impreciso, não textualizado nem claramente tematizado no fragmento apresentado, comprometendo sua correção.

 

Português Marinha SMV RM3 2026: Questões 14 e 34 com Possível Anulação (Recurso)

A prova de Português da Marinha – SMV RM3 Oficial 2026 apresentou duas questões objetivas passíveis de recurso, pois há indícios técnicos de dupla correção e/ou vício no conteúdo cobrado, o que pode levar à anulação.

A seguir, você confere a análise completa das questões 14 e 34, com fundamentação baseada em gramática normativa e no conteúdo previsto em edital.

Observe a questão 14

14. (Marinha / SMV RM3 Oficial 2026)

Observe o trecho: “(…) seria bastante para justificá-la a nossos olhos.” 4°§, em que o pronome foi empregado de acordo com a norma padrão.

Assinale a opção em que a colocação do pronome também está correta.

(A) Vão buscar-me na saída do hospital

(B) Não pode se calcular o tempo que viajaremos.

(C) Em que posso-lhe ser útil, senhor?

(D) O sufrágio que vai me dar será uma consagração.

(E) Deus nos há de proteger!

Gabarito: E (Recurso)

Justificativa de possível anulação da questão 14

A questão 14 deve ser anulada, pois apresenta duas alternativas corretas, (A) e (E), ambas plenamente respaldadas pela norma culta da língua portuguesa, conforme a Nova Gramática do Português Contemporâneo, de Celso Cunha e Lindley Cintra, obra expressamente indicada na bibliografia do concurso.

A banca considerou correta apenas a alternativa (E) – “Deus nos há de proteger!”. De fato, tal alternativa está adequada à norma padrão, uma vez que, na locução verbal, admite-se a colocação do pronome junto ao verbo auxiliar.

Entretanto, a alternativa (A) – “Vão buscar-me na saída do hospital” – também está correta, o que torna o gabarito oficial indevidamente restritivo.

Na alternativa (A), verifica-se a locução verbal “vão buscar”, em que:

  • “vão” funciona como verbo auxiliar;
  • “buscar” é o verbo principal, flexionado no infinitivo;
  • o pronome oblíquo átono “me” encontra-se corretamente posposto ao verbo principal (buscar-me).

Conforme a gramática indicada pela própria banca (Cunha & Cintra, p. 328–330), nas locuções verbais em que o verbo principal se encontra no infinitivo ou no gerúndio, é sempre possível a ênclise ao verbo principal, como expressamente estabelece o item 1º dessa gramática:

“Nas locuções verbais em que o verbo principal está no infinitivo ou no gerúndio pode dar-se:
1º) Sempre a ênclise ao infinitivo ou ao gerúndio.”

A obra apresenta, inclusive, exemplos consagrados que confirmam essa possibilidade normativa, tais como:

  • “O roupeiro veio interromper-me.”
  • “Que poderá dizer-nos aquele rato de biblioteca?”
  • “Só quero preveni-lo contra as exagerações do Prólogo.”
  • “Ia desenrolando-se a paisagem.”

Dessa forma, a construção “vão buscar-me” está rigorosamente de acordo com a norma padrão, não havendo qualquer elemento atrativo que imponha a próclise, nem impedimento à ênclise ao verbo principal no infinitivo.

A banca, ao fundamentar sua correção exclusivamente no item 3º da gramática — que trata da ênclise ao verbo auxiliar quando não há condições para a próclise — incorreu em equívoco interpretativo, pois tal item não exclui a regra estabelecida no item 1º.

O item 3º apenas esclarece que, inexistindo palavra atrativa, não se impõe a próclise, admitindo-se, nesse caso, a ênclise ao verbo auxiliar, como nos exemplos:

  • “Vão-me buscar, sem mastros e sem velas…”
  • “Ia-me esquecendo dela.”
  • “A cidade ia-se perdendo…”

Contudo, o fato de a gramática apresentar exemplos com ênclise ao verbo auxiliar não invalida nem restringe a possibilidade, igualmente normativa, de ênclise ao verbo principal, expressamente autorizada no item 1º, à página 328.

Assim, resta comprovado que as alternativas (A) e (E) estão corretas segundo a norma culta, razão pela qual, havendo mais de uma resposta válida, impõe-se a anulação da questão, em respeito ao princípio da unicidade da alternativa correta.

 

Observe a questão 34

34. (Marinha / SMV RM3 Oficial 2026)

Observe o fragmento: “(…) como a saíra-sete-cores, a saíra-ferrugem e a saíra-militar, tendem a ser pequenas (…) 2%.

Assinale a opção em que o vocábulo está com a grafia correta.

(A) Semirreta.

(B) Minissaia.

(C) Circunavegação.

(D) Ultra-som.

(E) Co-piloto.

Gabarito: B

Professor Décio Terror, segue a justificativa técnica para pedido de anulação da questão 34, organizada em dois fundamentos autônomos (programático e gramatical), com redação adequada a recurso administrativo, clara e objetiva.


Justificativa de possível anulação da questão 34

A questão 34 deve ser anulada por duplo fundamento:
(i) inadequação ao conteúdo programático previsto no edital;
(ii) existência de mais de uma alternativa correta, o que viola o princípio da unicidade da resposta.


1. Inadequação ao conteúdo programático do edital

O edital do concurso, ao tratar de Gramática – sistema ortográfico em vigor, restringe expressamente o conteúdo aos seguintes tópicos:

“acentuação gráfica e uso do sinal indicador de crase”.

Confirme:

“GRAMÁTICA – sistema ortográfico em vigor: acentuação gráfica e uso do sinal indicador de crase; aspectos morfológicos: estrutura e formação de palavras, classes de palavras, flexão (nominal e verbal); organização sintática da frase e do período: frase, oração e período, estrutura da frase; ordem direta e inversa; processos de subordinação e coordenação: valores sintáticos e semânticos; concordância: nominal e verbal; regência: nominal e verbal; transitividade verbal; colocação pronominal; pontuação.”

 

O emprego do sinal de dois-pontos no enunciado do edital tem valor explicativo e delimitador, indicando de forma inequívoca quais aspectos do sistema ortográfico poderiam ser cobrados na prova.

Entretanto, a questão 34 exige do candidato conhecimento específico sobre:

  • emprego do hífen em palavras prefixadas (semirreta, minissaia, ultrassom, copiloto),
  • regras do Acordo Ortográfico de 1990 relativas à composição e prefixação,

conteúdos que não estão abrangidos pelos tópicos expressamente previstos no edital.

Assim, a questão extrapola o conteúdo programático ao cobrar matéria não autorizada, o que, por si só, já fundamenta sua anulação.


2. Existência de duas alternativas corretas: (A) e (B)

Ainda que se superasse a inadequação programática — o que se admite apenas por argumentação —, a questão permanece viciada, pois apresenta mais de uma alternativa correta.

Alternativa (A) – Semirreta

A grafia semirreta, sem hífen, está correta, pois o prefixo semi- termina em vogal. Quando a palavra seguinte é iniciada com R, naturalmente não há hífen e o R é dobrado R: SEMIRRETA

Logo, semirreta é a forma correta e plenamente aceita.

Alternativa (B) – Minissaia

A grafia minissaia, também sem hífen, igualmente está correta, pois, da mesma que a palavra anterior, o prefixo mini- termina em vogal. Quando a palavra seguinte é iniciada com S, naturalmente não há hífen e o S é dobrado S: MINISSAIA.

Portanto, a alternativa (B) também apresenta grafia correta.


Dessa forma, constata-se que:

  • a questão cobra conteúdo fora do recorte previsto no edital;
  • além disso, duas alternativas estão corretas: (A) semirreta e (B) minissaia.

Havendo mais de uma resposta correta, a questão viola o princípio da resposta única, indispensável às provas objetivas, razão pela qual deve ser anulada.

 

Observação: No seu recurso, varie este texto para que a banca invalide seu recurso, porque outras pessoas podem inserir o texto na íntegra.

 

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Boa sorte e grande abraço!

Professor Décio Terror

Meia-maratonista: formação, plural e análise gramatical completa

 

A palavra meia-maratonista tem gerado dúvidas em sua flexão, pois envolve formação de palavras, substantivos compostos, derivação sufixal e flexão de gênero e número. Neste artigo, apresentamos uma explicação completa, fundamentada na gramática normativa, para esclarecer definitivamente o assunto.

O que significa a palavra meia-maratonista?

O termo meia-maratonista designa o atleta que pratica a meia-maratona, prova de corrida com distância correspondente à metade da maratona tradicional. Trata-se de um vocábulo consagrado pelo uso esportivo, amplamente empregado na imprensa e em textos especializados.

Então, vamos partir da palavra meia-maratona!

Como se forma a palavra meia-maratona?

A expressão meia-maratona é um substantivo composto por justaposição, formado por:

  • meia (numeral de valor adjetivo);
  • maratona (substantivo).

Como ambos os elementos são variáveis, aplica-se a regra geral de plural dos substantivos compostos em que os dois termos se flexionam:

  • singular: meia-maratona
  • plural: meias-maratonas

Esse ponto costuma ser explorado em questões objetivas de concursos.

Meia-maratonista é palavra composta ou derivada?

Do ponto de vista morfológico, meia-maratonista é uma palavra derivada por sufixação, com o acréscimo do sufixo -ista, que expressa a ideia de praticante, adepto ou profissional, como em maratonista, jornalista e socialista.

É importante destacar que o sufixo -ista não se agrega formalmente a um composto por justaposição, como meia-maratona. O que ocorre, na prática, é uma formação analógica, motivada semanticamente pelo nome do esporte. Assim, a língua adapta a base lexical para criar um termo funcional e compreensível.

Portanto, meia-maratonista é uma formação aceita pelo uso, mas não representa um modelo produtivo da língua portuguesa.

Inclusive é palavra ainda não dicionarizada em língua portuguesa.

Qual o correto: meia-maratonista ou meio-maratonista?

A forma correta é meia-maratonista.

Isso porque o termo deriva semanticamente de meia-maratona, em que o vocábulo meia indica metade da distância da maratona. Nesse contexto, meia funciona como numeral/adjetivo de valor fracionário correspondente à prova.

Assim, mantém-se o mesmo elemento lexical na designação do praticante:

  • meia-maratona recebe o sufixo de agente “-ista”: meia-maratonista.

A forma meio-maratonista supostamente faria entender a metade de um maratonista, o que naturalmente se percebe como incoerente.

Observação importante

Embora meio seja palavra masculina, não se trata aqui de concordância de gênero com “maratonista”, mas de manutenção da base lexical fixa (meia-maratona:meia-maratonista) que nomeia a prova esportiva. Por isso, mesmo para atletas do gênero masculino, a forma correta permanece:

  • o meia-maratonista
  • a meia-maratonista

Qual é o plural de meia-maratonista?

Na flexão de número, ambos os elementos variáveis se alteram:

  • meia → meias
  • maratonista → maratonistas

Assim, as formas corretas são:

  • os meias-maratonistas
  • as meias-maratonistas

Essa regra segue o mesmo princípio aplicado ao plural de meia-maratona.

Resumo gramatical para provas

  • meia-maratona: substantivo composto por justaposição
    • plural: meias-maratonas
  • meia-maratonista: substantivo derivado por sufixação (-ista), de formação analógica
  • gênero: comum de dois gêneros
    • o meia-maratonista / a meia-maratonista
  • plural: meias-maratonistas

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Grande abraço!

Professor Décio Terror

Interpretação de texto banca FGV

O material de interpretação de texto da banca FGV está abaixo.

Máximas conversacionais

Assista à aula aqui:

Como a banca FCC cobra Pronomes

Quer saber como a banca FCC cobra Pronomes?

Baixe o material aqui: Material de Apoio – Pronomes

e assista ao vídeo aqui: