A prova de Português da Marinha SMV RM2 2026 trouxe questões que geraram dúvida entre os candidatos, especialmente a questão 26. Neste artigo, apresento a análise completa da questão, com fundamentação gramatical e argumentos que podem ser utilizados em recurso.
📌 RECURSO – QUESTÃO 26
A questão é a seguinte:
Questão 26 – Português Marinha SMV RM2 2026
Observe o período: “Os estudantes dedicaram-se ao projeto, e os resultados foram satisfatórios.” Qual é a relação sintática entre as orações?
(A) Coordenação sindética aditiva.
(B) Subordinação substantiva.
(C) Coordenação adversativa.
(D) Subordinação adverbial.
(E) Coordenação conclusiva.
Gabarito preliminar: A
A questão solicita a identificação da relação sintática entre as orações no período:
“Os estudantes dedicaram-se ao projeto, e os resultados foram satisfatórios.”
O gabarito preliminar apontou como correta a alternativa (A) Coordenação sindética aditiva.
Entretanto, tal resposta deve ser revista, pelos fundamentos a seguir.
📚 Fundamentação teórica
De acordo com a gramática de Celso Cunha e Lindley Cintra, no capítulo referente ao período composto por coordenação, a conjunção “e” é classificada tradicionalmente como coordenativa aditiva, mas os autores destacam expressamente que:
a conjunção “e” não se limita ao valor de adição;
ela pode assumir diferentes valores semânticos, conforme o contexto;
entre esses valores, inclui-se o valor conclusivo.
A obra registra que a conjunção “e” pode expressar, além de adição, ideias como consequência, conclusão, oposição, entre outras, dependendo da relação de sentido entre as orações.
⚖️ Fundamentação gramatical da questão 26
No período apresentado:
“Os estudantes dedicaram-se ao projeto, e os resultados foram satisfatórios.”
Há duas possíveis leituras:
Leitura aditiva (gabarito da banca)
Apenas soma de fatos:
dedicação ao projeto
resultados satisfatórios
Leitura conclusiva (igualmente válida)
A segunda oração pode ser interpretada como resultado/consequência da primeira:
houve dedicação → logo, os resultados foram satisfatórios
Percebe-se, portanto, que há relação de consequência lógica, típica de valor conclusivo.
⚠️ Problema da questão
A questão pede relação sintática, porém:
a classificação “aditiva” ou “conclusiva” não é estritamente sintática, mas semântica;
a própria gramática adotada pela banca não estabelece distinção rígida entre essas classificações no plano sintático;
ao contrário, reconhece a polissemia da conjunção “e”, admitindo múltiplos valores.
Assim, há ambiguidade interpretativa legítima, pois:
a alternativa (A) pode ser aceita;
a alternativa (E) também encontra respaldo teórico.
🧾 Pedido
Diante do exposto, solicita-se:
a anulação da questão, por apresentar mais de uma alternativa plausível à luz da gramática de referência adotada;
ou, subsidiariamente,
a ampliação do gabarito, contemplando também a alternativa (E).
✅ Conclusão didática
O ponto central é este:
👉 A conjunção “e” é formalmente aditiva, mas pode assumir valor conclusivo no contexto.
👉 Como a questão não delimita claramente o critério (formal x semântico), ela se torna tecnicamente imprecisa.
Concurso MPES 2026: edital publicado com 60 vagas e salários de até R$ 10 mil
Edital do concurso MPES 2026 foi publicado
O Ministério Público do Estado do Espírito Santo (MPES) publicou o Edital nº 01/2026 para o provimento de cargos do grupo ocupacional administrativo. O concurso oferece 60 vagas imediatas, além de formação de cadastro de reserva.
A organização do certame é da Fundação Getulio Vargas (FGV), uma das bancas mais exigentes do país, especialmente nas provas de Língua Portuguesa e interpretação de textos.
O concurso terá validade de 2 anos, podendo ser prorrogado por mais 2 anos, conforme previsto no edital.
Vagas e salários do concurso MPES
O edital prevê oportunidades para nível médio e superior, distribuídas entre três cargos principais.
Nível médio
Agente de Apoio – área administrativa
Vagas: 20
Salário inicial: R$ 5.073,26
Nível superior
Agente Técnico
Diversas áreas profissionais, como:
Administrador
Assistente social
Biólogo
Contador
Engenheiro
Psicólogo
Nutricionista
Pedagogo
entre outras.
Salário inicial: R$ 7.312,44
Agente Especializado
Áreas ligadas principalmente à tecnologia e saúde, como:
Analista de sistemas
Cientista de dados
Analista de segurança da informação
Engenheiro de dados
Médico
Médico do trabalho
Salário inicial: R$ 10.453,81.
Os valores não incluem benefícios, como auxílio-alimentação e auxílio-saúde.
Inscrições para o concurso MPES
As inscrições deverão ser feitas pela internet no site da FGV.
Período de inscrição:
12 de março de 2026 (16h)
9 de abril de 2026 (16h)
Taxa de inscrição:
R$ 95 para nível médio
R$ 120 para nível superior
O pagamento poderá ser realizado até 10 de abril de 2026.
Data das provas
As provas objetivas e discursivas estão previstas para:
31 de maio de 2026
manhã: cargos de nível superior
tarde: cargo de Agente de Apoio.
Matérias cobradas na prova
A prova objetiva costuma envolver disciplinas como:
Língua Portuguesa
Raciocínio lógico
Informática
Direito administrativo
Direito constitucional
Conhecimentos específicos
Entre todas essas disciplinas, Português costuma ser decisivo para a classificação final.
Como a FGV cobra Português nas provas
A banca FGV tem um estilo de cobrança bastante característico em Língua Portuguesa.
Diferentemente de muitas bancas que focam apenas em regras gramaticais, a FGV costuma exigir:
interpretação profunda de textos
análise de sentido e efeitos de linguagem
coesão e coerência textual
valores semânticos de conectivos
relações sintáticas dentro do texto
reescrita de trechos mantendo sentido e correção.
Além disso, a banca costuma explorar armadilhas de interpretação, exigindo atenção ao contexto e ao valor semântico das palavras.
Por isso, muitos candidatos que estudam apenas gramática tradicional acabam tendo dificuldade nas provas da FGV.
Por que é importante ter orientação de um professor na disciplina de Português
Nas provas da FGV, o estudo isolado por curso generalista ou resumos muitas vezes não é suficiente.
O candidato precisa desenvolver habilidades como:
leitura estratégica de textos
identificação de inferências
interpretação contextualizada
resolução de questões complexas da banca.
Nesse processo, o acompanhamento de um professor especializado em concursos faz grande diferença, pois permite compreender exatamente o padrão de cobrança da banca e evitar erros comuns.
Curso de Português para MPE ES
Se você pretende disputar uma vaga no concurso MPE ES, é fundamental dominar o estilo de cobrança da FGV em Língua Portuguesa.
Por isso, preparei um curso completo de Português para MPE ES, com foco em todo o conteúdo programático do edital:
A prova de Português do concurso da Câmara dos Deputados, organizada pela banca Cebraspe, trouxe questões que geraram dúvida entre os candidatos. Neste artigo, apresento a análise técnica da questão 21 de Português, com fundamentação gramatical que pode embasar recurso administrativo contra o gabarito da prova.
A questão 21 da prova de Português para Analista da Câmara dos Deputados apresentou uma proposta de reescrita de período considerada errada pela banca.
No entanto, uma análise linguística detalhada permite sustentar que a reformulação mantém a correção gramatical e a coerência textual, o que abre espaço para questionamento do gabarito.
Neste artigo, analisamos o trecho original, a reescrita apresentada na questão e os fundamentos linguísticos que justificam o possível recurso.
O trecho do texto utilizado na prova
O texto de apoio apresenta, em seu segundo parágrafo, os seguintes períodos:
“Hoje, o debate sobre o racismo cresceu. As cotas raciais são um sucesso social e acadêmico comprovado.”
Nesse trecho, o autor descreve uma realidade atual: o debate público sobre racismo ampliou-se e, nesse contexto, as cotas raciais passaram a ser reconhecidas como uma política social e acadêmica bem-sucedida.
O enunciado da questão 21
A questão propôs que os dois primeiros períodos do segundo parágrafo poderiam ser reescritos da seguinte forma:
“Atualmente, considerando o avanço do debate sobre o racismo, as cotas raciais já são aceitas como um sucesso social e acadêmico.”
Segundo o enunciado, essa reformulação deveria ser analisada quanto à possibilidade de ocorrer sem prejuízo da correção gramatical e da coerência do texto.
O gabarito preliminar indicou ERRADO.
Contudo, a análise linguística mostra que há fundamentos para sustentar o contrário.
Análise da correção gramatical
A frase proposta apresenta estrutura plenamente aceitável na norma culta da língua portuguesa.
Observe sua organização sintática:
Adjunto adverbial de tempo: “Atualmente”
Oração reduzida de gerúndio com valor circunstancial: “considerando o avanço do debate sobre o racismo”
Oração principal: “as cotas raciais já são aceitas como um sucesso social e acadêmico”
Essa construção é perfeitamente regular do ponto de vista gramatical. O uso da oração reduzida de gerúndio para indicar circunstância ou contexto é amplamente empregado em textos formais e argumentativos.
Assim, não há erro gramatical na reformulação proposta.
Preservação da coerência textual
Além da correção gramatical, o enunciado exigia verificar se a reescrita manteria a coerência do texto.
Comparemos os elementos centrais:
Texto original
Reescrita
Hoje
Atualmente
o debate sobre o racismo cresceu
avanço do debate sobre o racismo
as cotas raciais são um sucesso social e acadêmico comprovado
as cotas raciais já são aceitas como um sucesso social e acadêmico
Observa-se que a reformulação mantém o núcleo das informações originais, apenas reorganizando-as sintaticamente em um único período.
Além disso:
“Hoje” e “Atualmente” possuem o mesmo valor temporal.
“Cresceu” corresponde semanticamente a “avanço”.
A ideia de reconhecimento do sucesso das cotas raciais permanece preservada.
Portanto, a reformulação não altera o sentido fundamental do texto.
A relação lógica entre as duas frases
No texto original, os dois períodos apresentam uma relação contextual clara:
O debate sobre o racismo ampliou-se.
Nesse cenário social, as cotas raciais são reconhecidas como uma política bem-sucedida.
Na reescrita, essa relação aparece na estrutura:
“considerando o avanço do debate sobre o racismo”.
Essa construção funciona como circunstância contextual, mantendo a lógica entre as ideias.
Assim, a coerência textual permanece intacta.
Conclusão: por que a questão pode ser contestada
A análise linguística permite afirmar que a reescrita proposta na questão 21 da prova de Português para Analista da Câmara dos Deputados:
mantém correção gramatical;
preserva a coerência textual;
mesmo não conservando exatamente o mesmo sentido das duas frases originais.
Dessa forma, a junção dos dois períodos em um único enunciado não compromete a informação transmitida pelo texto.
Por esse motivo, há fundamento técnico para sustentar que o item poderia ser considerado correto, o que justifica a apresentação de recurso solicitando a alteração do gabarito de Errado para Certo.
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Análise técnica das questões 14, 23, 31 e 33 com base em Celso Cunha e Houaiss
A prova de Português da Marinha do Brasil – SMV RM2 2026 trouxe questões que podem gerar recurso administrativo e até anulação, especialmente em itens que apresentam dupla interpretação ou cobrança discutível do conteúdo programático.
Neste artigo, você confere a análise técnica das questões mais sensíveis da prova, com fundamentação em gramáticas normativas e critérios adotados em concursos militares. Se você fez a prova e quer entender se vale a pena recorrer, esta análise vai te ajudar a identificar os pontos-chave.
A prova de Português do SMV RM2 2026 – Oficial da Marinha (Prova Verde) trouxe questões que merecem análise técnica aprofundada e fundamentação normativa para fins de recurso.
Observe o trecho: “Passou-se muito tempo.”-5°§. O vocábulo destacado é:
(A) elemento de ênfase linguística.
(B) pronome reflexivo.
(C) índice de indeterminação do sujeito.
(D) parte integrante do verbo.
(E) pronome apassivador.
Gabarito preliminar: E
Recurso: Solicitar alteração da alternativa (E) para (A).
A questão solicita a classificação do vocábulo “se” na oração “Passou-se muito tempo.”, tendo o gabarito preliminar apontado a alternativa (E): pronome apassivador. Contudo, essa classificação não encontra respaldo na descrição gramatical normativa nem na lexicografia autorizada, conforme demonstrado a seguir.
Fundamentação no Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa:
O Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa, no verbete “se”, registra explicitamente o uso desse vocábulo como partícula expletiva:
“se: (…) 9. partícula expletiva, sem função sintática, usada para reforçar ou dar realce à ação verbal, como em ‘foi-se embora’, ‘passaram-se os anos’.”
(HOUAISS, Antônio; VILLAR, Mauro de Salles. Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa. Rio de Janeiro: Objetiva, 2009, verbete “se”, p. 1837.)
Essa definição é perfeitamente aplicável ao contexto da questão, pois a oração “Passou-se muito tempo” mantém o mesmo valor semântico sem a presença do pronome:
Muito tempo passou. O tempo passou.
Isso demonstra que o “se” não exerce função sintática essencial, mas atua como elemento de realce ou ênfase, exatamente conforme descrito pelo Houaiss.
O mesmo dicionário também distingue claramente a partícula apassivadora, associando-a a verbos transitivos diretos:
“se: (…) partícula apassivadora, que acompanha verbo transitivo direto na formação da voz passiva sintética, como em ‘vendem-se casas’.” (HOUAISS, 2009, p. 1837.)
No caso da oração em análise, o verbo “passar” não está empregado como transitivo direto, mas como verbo intransitivo, no sentido de transcorrer, decorrer ou durar.
O próprio Houaiss registra esse sentido do verbo passar:
“passar: (…) 31. decorrer, transcorrer (tempo); escoar-se: ‘passaram-se muitos anos’.” (HOUAISS, 2009, verbete “passar”, p. 1403.)
Note-se que o próprio dicionário usa construção idêntica à da questão e a associa ao sentido de transcorrer, não à voz passiva.
Fundamentação na Nova Gramática do Português Contemporâneo – Celso Cunha e Lindley Cintra
Celso Cunha e Lindley Cintra definem o pronome apassivador da seguinte forma:
“O pronome se é apassivador quando forma a voz passiva sintética com verbos transitivos diretos (ou transitivos diretos e indiretos), cujo sujeito é o paciente da ação verbal:
Vendem-se casas.
Alugam-se apartamentos.”
(CUNHA, Celso; CINTRA, Lindley. Nova Gramática do Português Contemporâneo. 6. ed. Rio de Janeiro: Lexikon, 2013, p. 390.)
Essa definição estabelece dois requisitos obrigatórios:
verbo transitivo direto;
sujeito paciente que sofre a ação verbal.
Nenhum desses requisitos ocorre na oração da questão.
O verbo “passar”, no sentido de transcorrer, é intransitivo, e o termo “muito tempo” não sofre ação de agente externo; ao contrário, constitui o próprio núcleo do processo verbal.
Além disso, Cunha e Cintra reconhecem explicitamente o uso do “se” como partícula expletiva:
“O pronome se pode apresentar-se como partícula expletiva ou de realce, sem exercer função sintática, como em:
Foi-se embora.
Riram-se muito.”
(CUNHA; CINTRA, 2013, p. 394.)
Essa descrição corresponde exatamente à estrutura da oração:
Passou-se muito tempo.
O “se”, portanto, não altera a estrutura sintática nem transforma o verbo em transitivo direto.
Impossibilidade de voz passiva sintética
Para que houvesse pronome apassivador, seria necessário converter a oração em passiva analítica, como ocorre em:
Vendem-se casas → Casas são vendidas.
Contudo, a tentativa de conversão da oração da questão resulta em construção semanticamente incoerente:
Muito tempo foi passado por alguém.
Essa construção não corresponde ao sentido original, pois o verbo não expressa ação praticada por agente externo, mas sim ocorrência temporal. Logo, não há voz passiva sintética.
Conclusão
Com base no Dicionário Houaiss (p. 1837 e p. 1403), que reconhece o uso do “se” como partícula expletiva em construções como “passaram-se os anos” e na Nova Gramática do Português Contemporâneo, de Celso Cunha e Lindley Cintra (p. 390 e p. 394), que restringe o pronome apassivador a verbos transitivos diretos e reconhece o uso expletivo do “se”, conclui-se que o vocábulo “se” na oração “Passou-se muito tempo.” não exerce função de pronome apassivador. Trata-se de partícula expletiva, isto é, elemento de ênfase linguística.
Dessa forma, solicita-se respeitosamente a alteração do gabarito da alternativa (E) pronome apassivador para (A) elemento de ênfase linguística.
Leia o trecho: “Vi-os fortes e louros irromper…”-8°§. Assinale a opção em que o termo destacado possui a mesma função sintática que no termo sublinhado no fragmento.
(A) O velho carecia de roupa.
(B) A criança dormiu na cama.
(C) Adormeceu o vento.
(D) O rapaz comprou um livro.
(E) Pedro viajou de carro pelo país.
Gabarito preliminar: D
Recurso: Solicitar anulação da questão
Preliminarmente, a banca entendeu que o pronome átono “os” é objeto direto e julgou a alternativa (D) como a correta, pois o termo “um livro” é objeto direto do verbo transitivo direto “comprou”.
Porém, havemos de aprofundar nessa análise:
É certo que o pronome átono “os”, de maneira geral, pode ocupar a função sintática de objeto direto, em frases como “Eu os vi”, “Eu os comprei”. Nesses exemplos, os verbos são transitivos diretos e o pronome “os” é o objeto direto.
Porém, no contexto da questão, especificamente no período “Vi-os fortes e louros irromper pelo céu onde tinha morrido de morte linda a aurora.”, o verbo “Vi” é sensitivo e o pronome átono “os” é sujeito do infinitivo “irromper”.
Numa análise sintática, o verbo “Vi” é transitivo direto e o objeto direto, e toda a oração posterior (“os fortes e louros irromper pelo céu”) é subordinada substantiva objetiva direta reduzida de infinitivo, em que o pronome átono “os” é o sujeito do infinitivo “irromper” e o termo “fortes e louros” é o predicativo do sujeito dentro de um predicado verbo-nominal.
Isso é reforçado na explicação de Celso Cunha e Lindley Cintra:
“O pronome oblíquo átono sujeito de um infinitivo
Se compararmos as duas frases:
Mandei que ele saísse…
Mandei-o sair.
verificamos que o objeto direto, exigido pela forma verbal mandei, é expresso:
a) na primeira, pela oração que ele saísse;
b) na segunda, pelo pronome seguido do infinitivo: o sair. E verificamos, também, que o pronome o está para o infinitivo sair como o pronome ele para a forma finita saísse, da qual é sujeito. Logo, na frase acima o pronome o desempenha a função de sujeito do verbo sair.
Construções semelhantes admitem os pronomes me, te, nos, vos (e o reflexivo se, que estudaremos à parte). Exemplo:
Deixe-me falar.
Mandam-te entrar.
Fez-nos sentar.”
(CUNHA, Celso; CINTRA, Lindley. Nova Gramática do Português Contemporâneo. 7. ed. Rio de Janeiro: Lexikon, 2013, p. 316.)
Note-se que a explicação dos renomados autores não abre possível interpretação de o pronome átono, neste caso, ser objeto direto. Há ênfase de que, neste caso, o pronome átono é sujeito do infinitivo posterior.
Mas, do período da questão, poder-se-ia duvidar de o pronome ser sujeito, se o infinitivo está no singular e o sujeito está no plural. Essa possível dúvida é sanada com a explicação dos autores quanto à concordância no infinitivo:
“2. É também normal o emprego do infinitivo não flexionado:
(…)
2.°) quando depende dos auxiliares causativos (deixar, mandar, fazer e sinônimos) ou sensitivos (ver, ouvir, sentir e sinônimos) e vem imediatamente depois desses verbos ou apenas separado deles por seu sujeito, expresso por um pronome oblíquo:
— Deixas correr os dias como as águas do Paraíba?
(Machado de Assis, OC, II, 119.)
E as lágrimas que choro, branca e calma,
Ninguém as vê brotar dentro da alma!
(F. Espanca, S, 18.)
Esta viu-os ir pouco a pouco.
(Machado de Assis, OC, II, 509.)
Neste caso, costuma ocorrer também a forma flexionada, quando entre o auxiliar e o infinitivo se insere o sujeito deste, expresso por substantivo ou equivalente:
Domingos mandou os homens levantarem-se.
(Castro Soromenho, C, 56.)”
(CUNHA, Celso; CINTRA, Lindley. Nova Gramática do Português Contemporâneo. 7. ed. Rio de Janeiro: Lexikon, 2013, p. 501.)
O exemplo literal acima (“Esta viu-os ir pouco a pouco.”) reforça que o infinitivo “ir” não concorda com o sujeito “os”. Da mesma forma, no trecho da questão, “irromper” não concorda com o sujeito “os”: “Vi-os fortes e louros irromper pelo céu”.
Assim, pela bibliografia expressa do edital, entendemos que “os” não é objeto direto, mas sim sujeito acusativo, isto é, sujeito de um infinitivo posterior.
Porém, a banca deu como gabarito a alternativa (D): O rapaz comprou um livro.
A única alternativa que apresenta o termo grifado como sujeito é a alternativa (C): Adormeceu o vento.
Porém, este sujeito não tem as características peculiares do sujeito acusativo, isto é, um pronome átono na função de sujeito de um infinitivo.
Assim, entende-se não haver uma resposta correta para a questão, ao que se pede sua anulação.
Observe o trecho: “(…) é o de hoje, o agora, o aqui – e isso não há.”-4°§. A oração destacada no fragmento tem sujeito:
(A) inexistente, devido ao uso do verbo “haver”.
(B) simples, representado pelo pronome “isso”.
(C) composto, representado por “o de hoje, o agora, o aqui”.
(D) indeterminado, devido ao uso do verbo “haver”.
(E) elíptico, retomando um termo anterior.
Gabarito preliminar: D
Recurso: Solicitar alteração da alternativa (D) para (A).
O gabarito preliminar indicou a alternativa (D) sujeito indeterminado, devido ao uso do verbo ‘haver’. Contudo, essa classificação não encontra respaldo na descrição normativa da língua portuguesa, especialmente conforme exposto por Celso Cunha e Lindley Cintra.
Fundamentação gramatical
Celso Cunha e Lindley Cintra afirmam expressamente que o verbo “haver”, quando empregado no sentido de existir, é impessoal, não admitindo sujeito:
“O verbo haver, no sentido de existir, acontecer ou indicar tempo decorrido, é impessoal, isto é, não tem sujeito, permanecendo invariável na terceira pessoa do singular.”
(CUNHA, Celso; CINTRA, Lindley. Nova Gramática do Português Contemporâneo. 6. ed. Rio de Janeiro: Lexikon, 2013, p. 148.)
A oração em análise é “isso não há.”
O verbo “haver”, nesse contexto, possui claramente o sentido de existir. A estrutura equivale semanticamente a “isso não existe.”
Sendo o verbo impessoal, a oração é sem sujeito.
Ainda segundo Cunha e Cintra:
“Nas orações sem sujeito, o verbo permanece na terceira pessoa do singular, por não haver termo que funcione como sujeito.”
(CUNHA; CINTRA, 2013, p. 147.)
Portanto, não há possibilidade de classificação como sujeito indeterminado.
Análise sintática da oração
Na oração “isso não há.”, o termo “isso” não exerce função de sujeito. Ele atua como objeto direto antecipado por ênfase ou elemento de retomada discursiva.
A ordem direta seria “Não há isso.”
Segundo a norma gramatical, em construções com “haver” no sentido de existir, o termo que o segue é objeto direto, e não sujeito.
Assim, a oração é classificada como oração sem sujeito (sujeito inexistente).
Conclusão
Com base na Nova Gramática do Português Contemporâneo, de Celso Cunha e Lindley Cintra (p. 147–148), o verbo “haver”, no sentido de existir, é impessoal e não admite sujeito.
Dessa forma, a oração “isso não há” é oração sem sujeito.
Solicita-se, portanto, a alteração do gabarito da alternativa (D) sujeito indeterminado para (A) inexistente, devido ao uso do verbo “haver”.
No fragmento “Abençoado seja o Sol. Abençoado seja о dia. Abençoado seja o descanso…” ocorre:
(A) uma manutenção temática.
(B) um paralelismo sintático.
(C) uma inversão sintática.
(D) uma paráfrase.
(E) uma variação fonológica.
Gabarito preliminar: B
Recurso: Solicitar anulação da questão, por haver duas alternativas corretas.
A questão apresenta o fragmento “Abençoado seja o Sol. Abençoado seja o dia. Abençoado seja o descanso…”
O gabarito preliminar indicou a alternativa (B) paralelismo sintático.
De fato, há paralelismo estrutural, pois se repete o mesmo arranjo sintático nas três orações. Contudo, a análise gramatical revela também a ocorrência inequívoca de inversão sintática, o que torna igualmente correta a alternativa (C) uma inversão sintática.
Cada uma das orações apresenta construção típica da voz passiva analítica, em que o particípio pelo verbo auxiliar “ser” + particípio do verbo principal “Abençoado”.
Segundo Celso Cunha e Lindley Cintra:
“A voz passiva analítica forma-se com o verbo auxiliar ser e o particípio do verbo principal.”
(CUNHA, Celso; CINTRA, Lindley. Nova Gramática do Português Contemporâneo. 6. ed. Rio de Janeiro: Lexikon, 2013, p. 443.)
No fragmento, ocorre deslocamento do particípio para a posição inicial “Abençoado seja o Sol.”
Trata-se, portanto, de reorganização da locução verbal da passiva analítica.
A ordem direta da oração, conforme descrevem Cunha e Cintra, é:
“A ordem direta da oração em português é: sujeito + verbo + complementos.”
(CUNHA; CINTRA, 2013, p. 600.)
Na estrutura da oração, teríamos Sujeito + verbo auxiliar + particípio: “O Sol seja abençoado.”
Entretanto, o que ocorre no fragmento é Particípio + verbo auxiliar + sujeito: “Abençoado seja o Sol.”
Há, portanto, deslocamento do núcleo verbal da locução passiva para antes do sujeito.
Cunha e Cintra definem:
“A inversão consiste na alteração da ordem direta dos termos da oração, geralmente com finalidade expressiva ou estilística.”
(CUNHA; CINTRA, 2013, p. 601.)
Logo, além do paralelismo, verifica-se alteração da ordem sintática padrão.
É inegável que há paralelismo sintático, pois as três orações repetem a mesma estrutura formal.
Contudo, esse paralelismo é construído sobre uma estrutura invertida da passiva analítica.
Logo, a ocorrência de paralelismo não exclui a existência simultânea de inversão sintática.
Solicita-se, portanto, a anulação da questão, por admitir duas alternativas corretas igualmente fundamentadas na gramática normativa.
Veja o que o edital orienta sobre como fazer o recurso:
“12. DOS RECURSOS DA PROVA OBJETIVA (PO), DA PROVA DE TÍTULOS (PT), DA VERIFICAÇÃO DOCUMENTAL (VD) E DA VERIFICAÇÃO DE DADOS BIOGRÁFICOS (VDB)
12.1 – O voluntário que desejar, poderá interpor recurso contra as questões da PO, em face de erros ou omissões nos gabaritos divulgados dessa prova; e contra o resultado da PT, VDB e VD.
12.2 – O voluntário disporá do prazo de 3 (três) dias úteis, contados a partir do dia seguinte ao da divulgação do gabarito da PO e das notas da PT, na página do Com1°DN, para apresentar seu recurso.
12.3 – Os recursos deverão ser entregues, dentro do prazo estipulado no subitem 12.2, devidamente assinados pelos voluntários, diretamente no Com1°DN.
12.4 – Os recursos deverão ser:
a) redigidos de acordo com os modelos contidos nos Apêndice VI e VII, deste Aviso, para PO e PT, respectivamente, devidamente fundamentados e incluindo bibliografia pesquisada. Deverão conter todos os dados que informem a identidade do requerente, seu número de inscrição, endereço completo e assinatura;
b) se manuscritos, redigidos em letra legível com caneta esferográfica azul ou preta;
c) apresentados com argumentação lógica e consistente, indicando o Processo Seletivo, prova (profissão e cor), número da questão, a resposta marcada pelo voluntário e a divulgada pelo gabarito e a sua finalidade;
d) um para cada questão; e
e) entregue pessoalmente ao Comando do respectivo Distrito Naval, observado o prazo estabelecido nos subitens 12.2 e 12.5.
🎯 Palavra Final ao Candidato da Marinha SMV 2026
Recursos bem fundamentados aumentam significativamente as chances de deferimento.
Não basta discordar do gabarito. É preciso sustentar tecnicamente, com base na gramática normativa.
Se você está se preparando para a Marinha SMV RM2, continue acompanhando as análises detalhadas aqui no blog. A diferença entre ficar na classificação e conquistar a vaga pode estar em um recurso bem estruturado.
Venha conosco para uma aula onde irei apresentar os recursos prontos da prova de Português, com análise detalhada das questões, comentários estratégicos e explicação dos pontos mais cobrados pela banca.
Abaixo faço o comentário da prova e dos possíveis recursos numa aula ao vivo. Clique abaixo e veja:
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Recurso contra o gabarito – Questão 11 – FGV / TJ-RJ (2026)
(FGV / TJ RJ Técnico de Atividade Judiciária 2026)
Todas as frases abaixo trazem preposições em sua construção.
A única frase em que a preposição sublinhada foi usada corretamente é:
(A) Todos os políticos nos encontramos contra o raio de ação de campanhas populares.
(B) Os assaltantes não só levaram todas as joias da vitrine como atiraram sobre o gerente da loja.
(C) As partidas que mais atraíam o público torcedor eram aquelas em que se enfrentavam Vasco e Flamengo.
(D) No início a ideia principal era de incrementar a participação de todos nas decisões escolares.
(E) Nos países do Terceiro Mundo – na África de forma especial –, o número de afetados de Aids aumenta dia a dia.
Gabarito preliminar: C
O gabarito preliminar indica como correta apenas a alternativa (C). Entretanto, uma análise gramatical criteriosa demonstra que a alternativa (E) também apresenta uso correto da preposição sublinhada, o que configura duplicidade de respostas corretas e autoriza a anulação da questão.
Na alternativa (C) – “As partidas que mais atraíam o público torcedor eram aquelas em que se enfrentavam Vasco e Flamengo.” –, o emprego da preposição em é plenamente adequado, pois “em que” funciona como adjunto adverbial: Vasco e Flamengo se enfrentavam naquela partida.
Todavia, a alternativa (E) – “Nos países do Terceiro Mundo – na África de forma especial –, o número de afetados de Aids aumenta dia a dia.” – também está correta, pois o adjetivo afetado admite regência com a preposição “de”, quando indica aquilo que atinge, compromete ou incide sobre alguém ou algo.
Gramáticas normativas e dicionários de regência reconhecem esse uso. O adjetivo afetado, no sentido de “atingido”, “acometido”, “alcançado por”, pode reger tanto a preposição por quanto a preposição de, a depender da construção semântica. Expressões como afetado de doença, afetados de epidemias e afetados de males crônicos são recorrentes na língua escrita formal e encontram respaldo na tradição gramatical.
Nesse contexto, a construção “afetados de Aids” é sintaticamente legítima e semanticamente clara, não configurando desvio de regência nem impropriedade vocabular. Assim, a preposição sublinhada em (E) foi empregada corretamente, atendendo integralmente ao comando da questão.
Dessa forma, constata-se que há pelo menos duas alternativas corretas (C e E), o que viola o princípio da univocidade exigido em questões objetivas de múltipla escolha.
Diante do exposto, requer-se a anulação da questão, por apresentar mais de uma resposta válida à luz da norma culta da Língua Portuguesa.
Recurso contra o gabarito – Questão 15 – FGV / TJ-RJ (2026)
(FGV / TJ RJ Técnico de Atividade Judiciária 2026)
O tema de um texto não está necessariamente relacionado com a sua finalidade. Observe com atenção o fragmento textual abaixo, cujo tema é astrologia.
“A mulher-libra deverá apelar para suas consideráveis reservas de simpatia para tolerar os acessos de melancolia e os longos silêncios do homem-escorpião. Ele não a abandonou: se limita a afastar-se da costa um pouco mais que de costume, nadando por águas mais profundas de meditação sobre os mistérios da vida e não necessita de ninguém que nade junto a ele. Prefere empreender sozinho essas incursões noturnas. Às perguntas ‘Em que você está pensando?’, ‘Por que está tão calado?’, ele as responderá com um olhar frio e mais silêncio. Mesmo os escorpiões mais falantes terão momentos de introspecção.”
O texto acima tem a finalidade de:
(A) valorizar a astrologia no contato social;
(B) ironizar os dados astrológicos nas relações amorosas;
(C) informar aos de libra e aos de escorpião sobre o contato;
(D) demonstrar a infalibilidade da astrologia;
(E) mostrar as diferenças entre os signos.
Gabarito preliminar: C
O gabarito preliminar aponta como correta a alternativa (C): “informar aos de libra e aos de escorpião sobre o contato”.
Entretanto, a escolha dessa alternativa merece contestação, pois se baseia em um termo excessivamente genérico e semanticamente indeterminado, que não encontra delimitação clara no fragmento textual apresentado.
A palavra “contato”, tal como empregada na alternativa (C), possui sentido amplo e vago, podendo referir-se a contato social, físico, afetivo, comunicativo, ocasional ou contínuo. O texto, contudo, não tematiza o “contato” em si, nem o toma como eixo central de desenvolvimento. O fragmento concentra-se, de modo mais específico, na diferença de comportamentos emocionais e psicológicos atribuídos aos signos de Libra e Escorpião, especialmente no que se refere à introspecção, ao silêncio e à forma de lidar com relações interpessoais.
Em nenhum momento o texto se propõe a informar “sobre o contato”, entendido como objeto temático autônomo. Ao contrário, o que se observa é uma caracterização contrastiva dos signos, explorando suas atitudes, reações e modos de se relacionar. Assim, o termo “contato”, por não ser textual nem conceitualmente desenvolvido, abre margem a múltiplas interpretações, o que compromete a precisão exigida em uma questão objetiva.
Além disso, o próprio comando da questão solicita a identificação da finalidade do texto, e não de um conteúdo acessório ou indiretamente inferido. Uma finalidade adequada deve ser formulada com clareza, especificidade e aderência ao texto-base, o que não ocorre na alternativa (C), justamente por empregar um substantivo abstrato e indefinido, ausente do recorte temático efetivamente explorado.
Dessa forma, a alternativa indicada como correta apresenta fragilidade semântica, induzindo o candidato à dúvida quanto ao tipo de “contato” a que se refere, o que é incompatível com os critérios de objetividade e precisão próprios das provas da banca.
Diante do exposto, solicita-se a anulação da questão, uma vez que a alternativa (C) se apoia em termo impreciso, não textualizado nem claramente tematizado no fragmento apresentado, comprometendo sua correção.
A prova de Português da Marinha – SMV RM3 Oficial 2026 apresentou duas questões objetivas passíveis de recurso, pois há indícios técnicos de dupla correção e/ou vício no conteúdo cobrado, o que pode levar à anulação.
A seguir, você confere a análise completa das questões 14 e 34, com fundamentação baseada em gramática normativa e no conteúdo previsto em edital.
Observe a questão 14
14. (Marinha / SMV RM3 Oficial 2026)
Observe o trecho: “(…) seria bastante para justificá-la a nossos olhos.” 4°§, em que o pronome foi empregado de acordo com a norma padrão.
Assinale a opção em que a colocação do pronome também está correta.
(A) Vão buscar-me na saída do hospital
(B) Não pode se calcular o tempo que viajaremos.
(C) Em que posso-lhe ser útil, senhor?
(D) O sufrágio que vai me dar será uma consagração.
(E) Deus nos há de proteger!
Gabarito: E (Recurso)
Justificativa de possível anulação da questão 14
A questão 14 deve ser anulada, pois apresenta duas alternativas corretas, (A) e (E), ambas plenamente respaldadas pela norma culta da língua portuguesa, conforme a Nova Gramática do Português Contemporâneo, de Celso Cunha e Lindley Cintra, obra expressamente indicada na bibliografia do concurso.
A banca considerou correta apenas a alternativa (E) – “Deus nos há de proteger!”. De fato, tal alternativa está adequada à norma padrão, uma vez que, na locução verbal, admite-se a colocação do pronome junto ao verbo auxiliar.
Entretanto, a alternativa (A) – “Vão buscar-me na saída do hospital” – também está correta, o que torna o gabarito oficial indevidamente restritivo.
Na alternativa (A), verifica-se a locução verbal “vão buscar”, em que:
“vão” funciona como verbo auxiliar;
“buscar” é o verbo principal, flexionado no infinitivo;
o pronome oblíquo átono “me” encontra-se corretamente posposto ao verbo principal (buscar-me).
Conforme a gramática indicada pela própria banca (Cunha & Cintra, p. 328–330), nas locuções verbais em que o verbo principal se encontra no infinitivo ou no gerúndio, é sempre possível a ênclise ao verbo principal, como expressamente estabelece o item 1º dessa gramática:
“Nas locuções verbais em que o verbo principal está no infinitivo ou no gerúndio pode dar-se: 1º) Sempre a ênclise ao infinitivo ou ao gerúndio.”
A obra apresenta, inclusive, exemplos consagrados que confirmam essa possibilidade normativa, tais como:
“O roupeiro veio interromper-me.”
“Que poderá dizer-nos aquele rato de biblioteca?”
“Só quero preveni-lo contra as exagerações do Prólogo.”
“Ia desenrolando-se a paisagem.”
Dessa forma, a construção “vão buscar-me” está rigorosamente de acordo com a norma padrão, não havendo qualquer elemento atrativo que imponha a próclise, nem impedimento à ênclise ao verbo principal no infinitivo.
A banca, ao fundamentar sua correção exclusivamente no item 3º da gramática — que trata da ênclise ao verbo auxiliar quando não há condições para a próclise — incorreu em equívoco interpretativo, pois tal item não exclui a regra estabelecida no item 1º.
O item 3º apenas esclarece que, inexistindo palavra atrativa, não se impõe a próclise, admitindo-se, nesse caso, a ênclise ao verbo auxiliar, como nos exemplos:
“Vão-me buscar, sem mastros e sem velas…”
“Ia-me esquecendo dela.”
“A cidade ia-se perdendo…”
Contudo, o fato de a gramática apresentar exemplos com ênclise ao verbo auxiliar não invalida nem restringe a possibilidade, igualmente normativa, de ênclise ao verbo principal, expressamente autorizada no item 1º, à página 328.
Assim, resta comprovado que as alternativas (A) e (E) estão corretas segundo a norma culta, razão pela qual, havendo mais de uma resposta válida, impõe-se a anulação da questão, em respeito ao princípio da unicidade da alternativa correta.
Observe a questão 34
34. (Marinha / SMV RM3 Oficial 2026)
Observe o fragmento: “(…) como a saíra-sete-cores, a saíra-ferrugem e a saíra-militar, tendem a ser pequenas (…) 2%.
Assinale a opção em que o vocábulo está com a grafia correta.
(A) Semirreta.
(B) Minissaia.
(C) Circunavegação.
(D) Ultra-som.
(E) Co-piloto.
Gabarito: B
Professor Décio Terror, segue a justificativa técnica para pedido de anulação da questão 34, organizada em dois fundamentos autônomos (programático e gramatical), com redação adequada a recurso administrativo, clara e objetiva.
Justificativa de possível anulação da questão 34
A questão 34 deve ser anulada por duplo fundamento:
(i) inadequação ao conteúdo programático previsto no edital;
(ii) existência de mais de uma alternativa correta, o que viola o princípio da unicidade da resposta.
1. Inadequação ao conteúdo programático do edital
O edital do concurso, ao tratar de Gramática – sistema ortográfico em vigor, restringe expressamente o conteúdo aos seguintes tópicos:
“acentuação gráfica e uso do sinal indicador de crase”.
Confirme:
“GRAMÁTICA – sistema ortográfico em vigor: acentuação gráfica e uso do sinal indicador de crase; aspectos morfológicos: estrutura e formação de palavras, classes de palavras, flexão (nominal e verbal); organização sintática da frase e do período: frase, oração e período, estrutura da frase; ordem direta e inversa; processos de subordinação e coordenação: valores sintáticos e semânticos; concordância: nominal e verbal; regência: nominal e verbal; transitividade verbal; colocação pronominal; pontuação.”
O emprego do sinal de dois-pontos no enunciado do edital tem valor explicativo e delimitador, indicando de forma inequívoca quais aspectos do sistema ortográfico poderiam ser cobrados na prova.
Entretanto, a questão 34 exige do candidato conhecimento específico sobre:
emprego do hífen em palavras prefixadas (semirreta, minissaia, ultrassom, copiloto),
regras do Acordo Ortográfico de 1990 relativas à composição e prefixação,
conteúdos que não estão abrangidos pelos tópicos expressamente previstos no edital.
Assim, a questão extrapola o conteúdo programático ao cobrar matéria não autorizada, o que, por si só, já fundamenta sua anulação.
2. Existência de duas alternativas corretas: (A) e (B)
Ainda que se superasse a inadequação programática — o que se admite apenas por argumentação —, a questão permanece viciada, pois apresenta mais de uma alternativa correta.
Alternativa (A) – Semirreta
A grafia semirreta, sem hífen, está correta, pois o prefixo semi- termina em vogal. Quando a palavra seguinte é iniciada com R, naturalmente não há hífen e o R é dobrado R: SEMIRRETA
Logo, semirreta é a forma correta e plenamente aceita.
Alternativa (B) – Minissaia
A grafia minissaia, também sem hífen, igualmente está correta, pois, da mesma que a palavra anterior, o prefixo mini- termina em vogal. Quando a palavra seguinte é iniciada com S, naturalmente não há hífen e o S é dobrado S: MINISSAIA.
Portanto, a alternativa (B) também apresenta grafia correta.
Dessa forma, constata-se que:
a questão cobra conteúdo fora do recorte previsto no edital;
além disso, duas alternativas estão corretas: (A) semirreta e (B) minissaia.
Havendo mais de uma resposta correta, a questão viola o princípio da resposta única, indispensável às provas objetivas, razão pela qual deve ser anulada.
Observação: No seu recurso, varie este texto para que a banca invalide seu recurso, porque outras pessoas podem inserir o texto na íntegra.
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A palavra meia-maratonista tem gerado dúvidas em sua flexão, pois envolve formação de palavras, substantivos compostos, derivação sufixal e flexão de gênero e número. Neste artigo, apresentamos uma explicação completa, fundamentada na gramática normativa, para esclarecer definitivamente o assunto.
O que significa a palavra meia-maratonista?
O termo meia-maratonista designa o atleta que pratica a meia-maratona, prova de corrida com distância correspondente à metade da maratona tradicional. Trata-se de um vocábulo consagrado pelo uso esportivo, amplamente empregado na imprensa e em textos especializados.
Então, vamos partir da palavra meia-maratona!
Como se forma a palavra meia-maratona?
A expressão meia-maratona é um substantivo composto por justaposição, formado por:
meia (numeral de valor adjetivo);
maratona (substantivo).
Como ambos os elementos são variáveis, aplica-se a regra geral de plural dos substantivos compostos em que os dois termos se flexionam:
singular: meia-maratona
plural: meias-maratonas
Esse ponto costuma ser explorado em questões objetivas de concursos.
Meia-maratonista é palavra composta ou derivada?
Do ponto de vista morfológico, meia-maratonista é uma palavra derivada por sufixação, com o acréscimo do sufixo -ista, que expressa a ideia de praticante, adepto ou profissional, como em maratonista, jornalista e socialista.
É importante destacar que o sufixo -ista não se agrega formalmente a um composto por justaposição, como meia-maratona. O que ocorre, na prática, é uma formação analógica, motivada semanticamente pelo nome do esporte. Assim, a língua adapta a base lexical para criar um termo funcional e compreensível.
Portanto, meia-maratonista é uma formação aceita pelo uso, mas não representa um modelo produtivo da língua portuguesa.
Inclusive é palavra ainda não dicionarizada em língua portuguesa.
Qual o correto: meia-maratonista ou meio-maratonista?
A forma correta é meia-maratonista.
Isso porque o termo deriva semanticamente de meia-maratona, em que o vocábulo meia indica metade da distância da maratona. Nesse contexto, meia funciona como numeral/adjetivo de valor fracionário correspondente à prova.
Assim, mantém-se o mesmo elemento lexical na designação do praticante:
meia-maratona recebe o sufixo de agente “-ista”: meia-maratonista.
A forma meio-maratonista supostamente faria entender a metade de um maratonista, o que naturalmente se percebe como incoerente.
Observação importante
Embora meio seja palavra masculina, não se trata aqui de concordância de gênero com “maratonista”, mas de manutenção da base lexical fixa (meia-maratona:meia-maratonista) que nomeia a prova esportiva. Por isso, mesmo para atletas do gênero masculino, a forma correta permanece:
o meia-maratonista
a meia-maratonista
Qual é o plural de meia-maratonista?
Na flexão de número, ambos os elementos variáveis se alteram:
meia → meias
maratonista → maratonistas
Assim, as formas corretas são:
os meias-maratonistas
as meias-maratonistas
Essa regra segue o mesmo princípio aplicado ao plural de meia-maratona.
Resumo gramatical para provas
meia-maratona: substantivo composto por justaposição
plural: meias-maratonas
meia-maratonista: substantivo derivado por sufixação (-ista), de formação analógica
gênero: comum de dois gêneros
o meia-maratonista / a meia-maratonista
plural: meias-maratonistas
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O Serviço Militar Voluntário (SMV) da Marinha do Brasil oferece oportunidades para cidadãos brasileiros ingressarem como Oficiais ou Praças temporários, integrando a Reserva de 2ª Classe da Marinha (RM2). Este processo seletivo é uma excelente porta de entrada para quem deseja servir à Marinha por tempo determinado, com estabilidade temporária e remuneração atrativa.
🧭 O que é o SMV RM2?
O SMV é um processo seletivo anual que permite o ingresso de voluntários para prestação de serviço militar temporário na Marinha. Os selecionados atuam por um período inicial de 12 meses, podendo ser renovado anualmente até o limite de 8 anos. A seleção é dividida por Distritos Navais, e todas as etapas ocorrem na jurisdição escolhida pelo candidato.
👤 Quem pode participar?
Oficiais (Nível Superior)
Formação: Bacharelado ou licenciatura completa nas áreas de Saúde, Engenharia, Técnica, Magistério ou Apoio à Saúde.
Idade: Ter entre 18 e menos de 41 anos até a data de incorporação.
Nacionalidade: Ser brasileiro nato.
Outros requisitos: Estar em dia com as obrigações militares e eleitorais, além de atender aos critérios específicos do edital.
Praças (Níveis Médio e Fundamental)
Formação: Ensino médio completo ou curso técnico nas áreas Industrial, Saúde ou Apoio.
Idade: Ter entre 18 e menos de 41 anos até a data de incorporação.
Nacionalidade: Ser brasileiro.
Outros requisitos: Estar em dia com as obrigações militares e eleitorais, além de atender aos critérios específicos do edital.
📚 Estrutura das Provas
Oficiais
Número de questões: 40 questões de múltipla escolha.
Disciplinas: Língua Portuguesa.
Valor por questão: 2,5 pontos.
Pontuação total: 100 pontos.
Caráter: Eliminatório e classificatório.
Praças
Número de questões: 50 questões de múltipla escolha.
Disciplinas: Língua Portuguesa e Conhecimentos Militar-Naval.
Pontuação total: 100 pontos.
Caráter: Eliminatório e classificatório.
🧪 Outras Etapas do Processo Seletivo
Após a prova objetiva, os candidatos aprovados passam pelas seguintes etapas:
Verificação de Dados Biográficos: Análise de antecedentes e conduta social.
Verificação Documental: Conferência de documentos exigidos no edital.
Inspeção de Saúde: Avaliação médica para verificar aptidão física e mental.
Teste de Aptidão Física (TAF): Avaliação da capacidade física do candidato.
Prova de Títulos: Análise de qualificações e experiências profissionais (para Oficiais).
📍 Distribuição de Vagas
As vagas são distribuídas conforme a necessidade da Marinha em cada Distrito Naval. Por exemplo, no 1º Distrito Naval (RJ, ES e MG), foram ofertadas 186 vagas em 2024, divididas entre as áreas de Saúde, Apoio à Saúde, Técnica, Técnica Magistério e Engenharia .
💰 Remuneração
Oficiais: Remuneração inicial de R$ 9.070,60, incluindo soldo e adicionais militares .
Praças: Remuneração inicial de R$ 3.739,30 após a conclusão do Estágio Técnico para Praças (ETP) .
📝 Inscrições
As inscrições são realizadas exclusivamente pelo site oficial da Marinha do Brasil, conforme o cronograma estabelecido em cada edital. É importante ficar atento aos prazos e documentos exigidos para não perder a oportunidade.
📌 Conclusão
O Concurso SMV RM2 da Marinha do Brasil é uma excelente oportunidade para profissionais de diversas áreas contribuírem com a defesa nacional, adquirirem experiência militar e beneficiarem-se de uma remuneração atrativa. Com uma estrutura de seleção bem definida e oportunidades em todo o território nacional, é uma opção a ser considerada por quem busca novos desafios profissionais.
Para mais informações e acesso aos editais, visite o site oficial da Marinha do Brasil: https://www.marinha.mil.br/.
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Assista ao comentário da Prova de 2025 no link abaixo:
Como a banca FCC cobra significado das palavras: veja os 5 tipos de questões
Se você está se preparando para concursos públicos organizados pela Fundação Carlos Chagas (FCC), é essencial compreender como a banca FCC cobra significado das palavras nas provas de Língua Portuguesa.
Esse tipo de questão exige atenção à semântica, ao uso de sinônimos, antônimos, e ao significado contextual das expressões. A FCC tem um estilo próprio e recorrente de abordagem, o que permite ao candidato treinar com foco e estratégia.
Neste artigo, você vai entender:
Como a FCC estrutura suas questões sobre significado das palavras;
Os cinco principais tipos de cobrança usados pela banca;
Exemplos retirados de provas anteriores;
Dicas para estudar com material complementar em PDF e vídeo.
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O que são sinônimos e antônimos? (Conceito base)
Antes de falarmos sobre as formas como a banca FCC cobra o significado das palavras, é importante relembrar dois conceitos fundamentais da semântica:
Sinônimos são palavras ou expressões que apresentam sentido semelhante, podendo substituir-se mutuamente dependendo do contexto. Exemplo: “alegre” e “contente”.
Antônimos são palavras que expressam ideias opostas entre si. Exemplo: “triste” e “feliz”.
A banca FCC exige que o candidato não apenas reconheça esses pares lexicais, mas também compreenda seu uso contextualizado, ou seja, dentro do sentido global do texto.
Como a banca FCC cobra significado das palavras? (Resumo dos tipos)
A FCC costuma trabalhar o conteúdo de significado das palavras em cinco tipos principais de questão, conforme você verá a seguir:
✅ Tipo 1 — Igualdade de sentido com o sinal “=”
Este modelo é muito característico da banca FCC. A prova apresenta uma expressão retirada do texto, seguida do sinal “=”, e, ao lado, uma nova expressão criada pela banca. A tarefa do candidato é verificar se há equivalência de sentido entre as expressões.
Exemplo de questão:
Considerando-se o contexto, traduz-se adequadamente o sentido de um segmento do texto em:
(A) um senso de veneração com o poder (3º parágrafo) = uma consideração respeitável da potência
(B) é instituída com um zelo quase que fanático (2º parágrafo) = se estabelece com um empenho próximo da obsessão
(C) O que pareciam ser verdades eternas (3º parágrafo) = aquilo que dissimulava aspectos estáveis
(D) de modo a formar a vida comunal mais segura (1º parágrafo) = apesar de regulamentar a vida em comunidade
(E) tampouco conseguimos concordar (3º parágrafo) = a despeito de firmarmos um acordo
✅ Tipo 2 — Substituição por sinônimo (mesmo sentido)
Nesta estrutura, a banca destaca um termo do texto e pede que o candidato escolha a alternativa que possa substituí-lo sem prejuízo de sentido.
Exemplo de questão:
O termo “autoindulgência” (1º parágrafo) pode ser substituído, sem prejuízo de sentido ao texto, por:
(A) autoironia.
(B) autoexigência.
(C) autopreconceito.
(D) autocomplacência.
(E) autoperseverança.
✅ Tipo 3 — Sentido contextual da palavra
A FCC cobra o entendimento do significado da palavra dentro do contexto. O candidato deve interpretar a ideia transmitida pela palavra no trecho citado.
Exemplo de questão:
No trecho “E o caminho é o progresso: essa ideia prospectiva de que estamos indo para algum lugar.” (1º parágrafo), a palavra “prospectiva” é usada para:
(A) fazer referência a algo que se sobressai.
(B) sondar pensamentos e sentimentos de alguém.
(C) tratar das possibilidades futuras de algo.
(D) abordar um fenômeno já ocorrido.
(E) fazer alusão a algo de grandes proporções.
✅ Tipo 4 — Oposição de sentido (antônimo)
Aqui, a banca propõe uma expressão do texto e pede que o candidato encontre o termo de sentido contrário, geralmente focando em adjetivos.
Exemplo de questão:
O termo que qualifica o substantivo na expressão “necessidade imposta” (1º parágrafo) tem sentido oposto àquele que qualifica o substantivo em:
(A) Servo impessoal (2º parágrafo).
(B) inesperada herança (1º parágrafo).
(C) merecida recompensa (1º parágrafo).
(D) território sagrado (1º parágrafo).
(E) livre escolha (1º parágrafo).
✅ Tipo 5 — Equivalência de adjetivos (mesmo sentido)
O objetivo aqui é identificar adjetivos com valor semântico equivalente, ou seja, que caracterizam os substantivos de forma similar.
Exemplo de questão:
O termo que qualifica o substantivo na expressão “árvores familiares” (2º parágrafo) tem sentido equivalente àquele que qualifica o substantivo em:
(A) areias claras (3º parágrafo).
(B) elemento conhecido (2º parágrafo).
(C) mundo sujo (3º parágrafo).
(D) bicho estranho (1º parágrafo).
(E) olho temeroso (2º parágrafo).
Conclusão: domine a semântica com foco na banca FCC
Como vimos, entender como a FCC cobra o significado das palavras é essencial para quem deseja conquistar uma boa pontuação nas provas dessa banca. O domínio da semântica, do vocabulário e da interpretação de texto são habilidades indispensáveis.
Continue estudando com base nas questões anteriores e materiais direcionados: